130 Domingo tão histórico quanto vergonhoso em Curitiba. Federação Paranaense impede clássico entre Atlético e Coritiba que seria transmitido pelo Youtube. Agiu para defender a parceira Globo. Um vexame. Mas o monopólio está ruindo...
Uma tarde tão histórica quanto vergonhosa em Curitiba.

Milhares de torcedores estavam na Arena da Baixada.

Embora rivais, atleticanos e coxa-brancas se juntaram no gramado e nas arquibancadas.

Os torcedores se juntaram e xingaram a TV Globo e a Federação Paranaense de Futebol.

Os jogadores entraram em campo juntos, de mãos dadas.

E foram embora sem disputar um dos clássicos mais tradicionais do Brasil.

A história escancara o quanto o futebol deste país está amarrado à uma ditadura que dura mais de 40 anos.

O monopólio da Globo junto às Federações e CBF.

A ligação que começou na Ditadura Militar dura até hoje.

Aliás, esse 19 de fevereiro seria fundamental para o rompimento desse vínculo forçado.

E foi.

A história é tão fácil quanto revoltante.

O Campeonato Paranaense é apenas mais um torneio estadual desinteressante.

Não leva a lugar nenhum, como qualquer estadual.

Ainda mais com o Atlético Paranaense envolvido na Libertadores.

Não iria arriscar seus atletas mais importantes.

A TV Globo usa um expediente legal mas terrível para o esporte brasileiro.

Compra, não dá atenção, mas não abre mão.

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Com o Brasil mergulhado na recessão, perdeu a pífia parceria da Bandeirantes.

A TV paulista nunca teve verba para ser concorrente.

Apenas aceitava pagar 25% para ter alguns estaduais, o Brasileiro e a Copa do Brasil.

Hoje em dia, nem isso.

Ou seja, a Globo reina sozinha.

E foi dentro desse espírito que propôs uma quantia irrisória a Atlético Paranaense e Coritiba. Contrato de três anos de transmissão de seus jogos. R$ 1 milhão por ano. Os dois clubes recusaram.

A Federação Paranaense tentou conciliar.

Porque é parceira da Globo na organização do torneio.

Só que a emissora carioca se recusou a pagar mais aos dois clubes.

Tinha certeza que recuariam.

Apostou que a rivalidade dos dois fariam os neurônios não funcionarem.

Mas funcionaram para desgosto da FPF e da emissora.

Dirigentes do Atlético e Coritiba se reuniram.

E combinaram que transmitiram a partida pelo Youtube.

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Decidiram vender as 28 placas espalhadas no estádio.

Dividiriam o que arrecadassem.

E mostrariam ao Brasil que existe vida sem a Globo.

Uma pesquisa do Tubular Insights já mostrava que, em 2014, o conteúdo de futebol foi visualizado mais de 37 bilhões de vezes no YouTube, Vine, Facebook e outras mídias sociais. Ou seja há um público ávido pelo esporte.

A transmissão seria pelos canais do Youtube do Atlético, com 18 mil inscritos, e do Coritiba, com 21 mil. A inscrição poderia ser imediata. E quem quisesse assistiria ao clássico no computador.

A transmissão deveria ser iniciada às 16h30, encerrando-se logo após o final do jogo, com sinal livre pelos dois canais dos clubes no YouTube. As coletivas, transmitidas separadamente em cada canal. O destaque da transmissão seria a presença de dois ex-jogadores, um de cada time, comentando o jogo. Pelo Coritiba, Ademir Alcantara. Do lado do Atlético, Gustavo.

A transmissão teria narrador, comentaristas e repórteres dos dois lados, além de câmeras espalhadas pelo campo e estádio.

Estava tudo certo.

Os torcedores foram para o estádio.

Com direito a tudo de bom e ruim nos clássico.

A PM do Paraná fazia a escolta das organizadas.

Houve uma briga séria com parte da torcida do Coritiba.

E um sargento atirou, matando um torcedor, menor de idade.

Tiro no peito.

O policial disse que foi sem querer.

Houve pelo menos sete outras brigas de organizadas na cidade, nos bairros Santa Cândida, Fazendinha, Portão e Cajuru, além dos municípios de Pinhais e Piraquara. Ou seja, o absurdo de todo final de semana.

Enquanto isso, os cambistas faziam a festa.

Não com ingressos.

Mas vendendo à torcida do Atlético Paranaense máscaras de Ronaldinho Gaúcho.

O Coritiba foi mais um clube que o jogador tripudiou.

Mostrou que estava disposto a atuar no Paraná.

Mas desistiu.

Preferiu ser embaixador do Barcelona.

Foi nesse clima que milhares de torcedores chegaram à Baixada da Arena.

Quando minutos antes da partida chegou a ordem da Federação Paranaense.

Não haveria o clássico.

Em uma evidente desculpa, o presidente da FPF avisou que o clássico não iria acontecer. A equipe contratada pelos clubes para a transmissão via internet não foi credenciada para trabalhar no jogo. Por isso, enquanto os profissionais permanecessem no gramado, o árbitro Paulo Roberto Alves avisou que não daria início ao confronto válido pela quinta rodada do Paranaense.

Ou seja, Helio Cury poderia até autoriza o jogo.

Mas desde que não houvesse transmissão pelo youtube.

Uma manobra para favorecer a Globo.

O medo da emissora carioca estava na repercussão do clássico.

Se o jogo acontecesse, os clubes de todo o país poderiam buscar independência. Ter no youtube o aliado para se libertar do monopólio global. A Federação Paranaense fez sua parte. E alegou que todo jornalista tem de ser credenciado 48 horas para trabalhar. E não liberaria a transmissão.

Os presidentes de Atlético e Coritiba perceberam a estratégia.

E tornaram ainda mais histórico esse domingo.

Os dois times entraram em campo de mãos dadas.

E anunciaram que não jogariam.

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Os torcedores passaram a vaiar, xingar a Globo e a Federação.

"Eu queria explicar para as duas torcidas. Atlético e Coritiba não venderam seus direitos por essa esmola que a TV Globo quiseram nos pagar. É um direito nosso. E hoje nós queremos fazer a transmissão de forma gratuita pelo Facebook e pelo youtube. A Federação Paranaense de Futebol de forma absurda não quer que o jogo enquanto a transmissão não parar. Mas nós não vamos parar. O Coritiba e o Atlético.

"Os dois clubes não venderam os seus direitos. A Federação de forma arbitrária quer que nós tiremos a nossa transmissão, não é ligada a nenhuma tevê, é uma produtora que nós contratamos. Então não vai ter jogo. Peço desculpas as duas torcidas. Os técnicos estão de acordo. Eu já recebi o telefonema do presidente [Mário Celso] Petraglia e do presidente [Rogério] Bacellar que concordam com essa decisão", escancarou o diretor de marketing do Atlético, Mauro Holzmann.

"A Federação mandou uma ordem para a arbitragem de que não pode ser feita a transmissão de dentro do campo porque existe o contrato com a Rede Globo e a Federação não permite que o jogo aconteça enquanto não for tirada do campo. Mas nós, como não temos o contrato com a Globo, fizéssemos a transmissão via Youtube. Eu dei a alternativa de fazer a transmissão de fora do campo, com os repórteres na torcida”, avisou o vice-presidente do Coritiba, José Fernando Macedo.

Nem assim.

A Federação impediu o clássico para ajudar a Globo.

Mas tudo que conseguiu foi unir os dois rivais.

Eles prometem que haverá o credenciamento dos repórteres.

E o jogo acontecerá em outra data, mostrado pelo Youtube.

Não pela Globo.

Para a emissora carioca, só há uma saída.

Aumentar e muito a proposta aos dois clubes.

De qualquer maneira, a Arena da Baixada já mostrou.

Há um caminho para se livrar do jugo da Globo.

É o youtube.

Que promete ser até mais lucrativo

Lastimável é a postura da Federação Paranaense de Futebol.

Ninguém mais é trouxa.

Ela não defendeu os principais clubes de seu estado.

E sim a emissora dona do futebol deste pais.

Parceira, sócia da CBF.

Mas a máscara caiu.

A Globo não é dona do futebol neste país.

Chega de submissão.

O Brasil aplaude a coragem de Atlético e Coritiba.

E lastima a existência da Federação Paranaense de Futebol.

O último coro das duas torcidas unidas ainda ecoa na Arena.

"Vergonha, vergonha, vergonha...
5 Domingo tão histórico quanto vergonhoso em Curitiba. Federação Paranaense impede clássico entre Atlético e Coritiba que seria transmitido pelo Youtube. Agiu para defender a parceira Globo. Um vexame. Mas o monopólio está ruindo...

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