reproducao1 Direto de Tóquio, André Tal deixa claro. O  Korinchansu não vai jogar só pelo  Korinchansu o Mundial. Entrará em campo para tentar resgatar a desgastada imagem do futebol brasileiro no Japão...

André Tal é um dos mais competentes repórteres da TV.

Acumula prêmios e reconhecimento.

Tem dois Prêmios Esso na bagagem.

Sua visão diferenciada o levou a Tóquio.

É, há anos, o olhar da Record no Japão.

O conheci no ano passado, na cobertura do Santos no Mundial.

Ele me abriu portas.

De novo, juntos nas Olimpíadas.

Acompanhamos juntos as desventuras do time de Mano Menezes.

Agora ele acompanhará de perto o Corinthians.

Pedi a André e, generoso, ele manda de Tóquio um texto para o blog.

Mostra de Tóquio que a missão do time de Tite vai além da simples busca pelo título.

A equipe precisa resgatar uma parcela do prestígio do futebol brasileiro.

Abalado com os fracassos desde 2002.

E até pelo vexame que o time de Muricy e Neymar deu no ano passado.

Quando foi humilhado pelo Barcelona nos inesquecíveis 4 a 0.

Afinal, o futebol brasileiro morreu?

Os japoneses estão perdendo tempo cultuando o país errado?

Precisam se fixar na Espanha e esquecer a terra de Zico, Ruy Ramos?

O texto deixa claro a importância corintiana no Mundial.

Ela transcende.

O 'Korinchansu' joga para recuperar a honra do Brasil.

Os japoneses o receberão ansiosos amanhã.

Obrigado, André...

A imagem do Brasil está mudando.

Nas ruas de Tóquio, o nosso País agora é lembrado como um oásis de prosperidade em tempos de crise mundial.

O primeiro mundo inveja o bom momento econômico que vivemos.

Mas cadê o Brasil do futebol?

Esse já não empolga tanto os japoneses.

A seleção brasileira deixou de ser referência.

A última imagem que eles têm dos clubes brasileiros é constrangedora.

4 a 0 do Barcelona em cima do Santos.

A Espanha, que hoje amarga taxas altíssimas de desemprego, pelo menos na bola é sinônimo de supremacia.

Os asiáticos também já perceberam isso.

Será que o Corinthians pode mudar essa história?

Não é difícil.

Basta o Corinthians ser um time brasileiro de verdade.

Encantar... empolgar... fazer festa.

Os japoneses estão com saudades daquele Brasil, o dos velhos tempos.

O Brasil que tanto inspirou o futebol japonês.

Zico ainda é o maior nome que já passou por aqui.

Em frente ao estádio do Kashima Antlers, tem uma estátua em homenagem ao Galinho.

E ninguém se esquece da final da Copa de 2002, quando o Brasil de Ronaldo e Felipão conquistou o penta, o mundo e, principalmente, a admiração dos japoneses.

Detalhe.

A final do Mundial, dia 16, vai acontecer no mesmo estádio da final da Copa, em Yokohama.

Nas arquibancadas japonesas, os torcedores fazem de tudo para imitar os brasileiros.

Tem batucada, ainda que seja no ritmo nipônico: os torcedores ficam em pé atrás do gol e cantam sem parar.

Bandeiras do Brasil estão espalhadas por todos os estádios.

É uma forma de homenagear os jogadores brasileiros da JLeague, já não tão famosos quanto outros que passaram por aqui.

Ou seja, o Corinthians tem tudo a favor...

Basta ser um time autêntico e não sucumbir frente aos europeus.

A Fiel já está no coração de muitos japoneses.

Na enorme comunidade brasileira que vive no Japão, claro, a nação corintiana faz eco.

Pelo menos cem torcedores se reúnem em dia de grandes jogos, muitas vezes, por conta do fuso, às 4h da manhã de segunda-feira, quando no Brasil ainda são 4h da tarde de um domingo.

Na madrugada japonesa, eles pulam e gritam como se estivessem no Pacaembu.

Os japoneses que já presenciaram essa festa, na hora, descobrem como é legal ser corintiano.

Ao desembarcar no país, os milhares de torcedores do Corinthians vão trazer mais alegria para um povo sério, que pouco conversa, mas que adora quando os "malucos" brasileiros chegam no fim do ano para quebrar a monotonia das ruas.

A gente torce para que não haja confusão.

Os japoneses não estão acostumados e não admitem violência.

Um dos possíveis adversários do Corinthians na semifinal é o inédito campeão japonês, Sanfrecce Hiroshima.

A equipe da cidade que foi devastada pela bomba atômica não conta com a torcida do resto do país.

É um time sem muita tradição e sem qualquer estrela. Nenhum jogador da Hiroshima está na seleção japonesa.

Por outro lado, o Corinthians tem Emerson, ou Emersouun, como ele é chamado por aqui.

Antes de ir para o Oriente Médio e se transformar em Sheik, Emerson fez história no Urawa Reds, o time que tem a torcida mais fanática do país.

E pelo Emerson, os Reds já prometeram apoiar o Corinthians.

Já Paulinho ficou conhecido entre os japoneses depois de marcar um golaço no último amistoso entre Brasil e Japão e, agora, é o nome mais comentado entre os jornalistas daqui.

A partir do próximo dia 12, o time que até o meio do ano era motivo de piada dos adversários por "não ter passaporte" tem a chance de resgatar o respeito pelo futebol brasileiro no Japão.

Os japoneses querem vibrar, torcer, comemorar ao lado dos brasileiros.

Tite terá de mostrar um Corinthians forte, pelo menos, no mesmo nível da Libertadores.

Uma nova derrota para os europeus será um golpe e tanto aos olhos nipônicos.

Mas se tudo der certo, o Corinthians, ou melhor, Korinchansu em bom japonês, vai ser lembrado por um bom tempo no Oriente...

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