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Diante da omissão da Fifa, uma atitude digna contra o racismo. Boateng teve a dignidade e coragem que falta a muitos. Que outros façam o mesmo na Champions, na Eurocopa, na Copa do Mundo. Futebol não é refúgio para racistas…

Postado por Cosme Rímoli em 3 de janeiro de 2013 às 14:09 em Sem categoria | 54 Comments

Foi uma reação à altura.

E totalmente compreensível, digna.

Kevin-Prince Boateng fez o que muitos não tiveram coragem.

Se mais agissem da mesma maneira, os racistas pensariam duas vezes.

O alemão de ascendência ganesa se revoltou.

Estava com seu time, o Milan disputando um jogo-treino.

Atuava contra o Busto Arsizio, na região da Lombardia, na Itália.

Quando a torcida local começou a cantar músicas [1] racistas.

E a ofendê-lo assim que a bola caiu nos seus pés.

O xingavam de macaco.

Seu 'pecado' ser negro.

Revoltado, fez o que muitos sonhavam.

Pegou a bola com as mãos e chutou em direção dos torcedores.

Depois tirou a camisa e caminhou em direção ao vestiário.

O time inteiro do Milan foi solidário.

E seguiu Kevi-Prince Boateng.

O jogo-treino acabou encerrado.

A torcida inteira pagou pelos racistas.

Está mais do que na hora dos jogadores tomarem uma posição.

A Fifa é omissa demais em relação ao racismo.

Suas atitudes são amenas, boçais.

Os dirigentes viram as costas.

Permitem a festa dos racistas, preconceituosos.

Foi inesquecível a declaração de Joseph Blatter em 2011.

Ela veio logo depois de dois casos polêmicos.

Suárez e Therry ofenderam Evra e Ferdinand.

Usaram termos racistas para xingá-los durante jogos.

Houve uma revolta generalizada.

A participação do presidente da Fifa foi vergonhosa.

"Não existe racismo no futebol [2].

Eu acho que o mundo todo está ciente dos esforços que vêm sendo feitos contra o racismo e a discriminação.

No campo de jogo, às vezes você fala algo que não é muito correto.

Mas no final da partida, tudo está acabado.

E você tem o próximo para se comportar melhor.

Nós estamos em um jogo, e no final, nós apertamos as mãos.

É isso que acontece."

Um vexame para o dirigente.

É como se dentro do gramado fosse um mundo à parte.

Onde tudo fosse permitido.

Principalmente o racismo.

Usar a cor da pele para descriminar, humilhar.

Foi o que aconteceu aqui no Brasil.

Danilo do Palmeiras xingou Manoel, do Atlético Paranense.

A ofensa foi vergonhosa.

O chamou de "Macaco do caralho".

Além de lhe dar uma cusparada.

O STJD resolveu puni-lo com 11 partidas.

Quando a sentença foi proferida, deveria servir como exemplo.

Ser um marco contra atos racistas durante os jogos.

Só que tudo acabou de maneira deprimente.

O STJD resolveu depois de cinco partidas liberar o zagueiro.

Pior ainda foi a postura de Luiz Felipe Scolari.

Treinador do Palmeiras e agora da Seleção Brasileira.

"Tudo isso é uma grande bobagem.

É normal os atletas se ofenderem em campo.

Tudo fica no campo e a vida segue."

A mentalidade de Scolari é a mesma de Blatter.

Vale tudo durante uma partida.

Neymar deu uma histórica escorregada em relação ao triste assunto.

Falando ao Estadão foi perguntado se já havia sido vítima de preconceito racial.

Sua resposta foi lamentável.

"Nunca.

Nem dentro, nem fora do campo.

Até porque não sou preto, né?"

Qual o problema de ser preto, nenhum.

Ronaldo, então jogando no Real Madrid, cometeu o mesmo desatino.

"Acho que todos os negros sofrem (com o racismo).

Eu, que sou branco, sofro com tamanha ignorância."

Absurdo.

Porque Neymar e Ronaldo representam a mistura de raças que domina o Brasil.

Para os estúpidos racistas, principalmente os europeus, eles são sim negros.

E podem sim ser chamados de 'macacos'.

Assim como Boateng, que não tem a pele tão escura.

Ronaldo sabe disso, só não assume.

Neymar, infelizmente, descobrirá quando for atuar no seu querido Barcelona.

Mas ele deveria ser mais atento.

Disputando a Libertadores, a torcida do Bolívar tomou uma atitude lamentável contra ele.

"Jogaram banana no Neymar.

A Conmebol deveria tomar uma atitude."

Não tomou, como a Seleção Brasileira também não tomou.

Ainda na Bolívia, com os garotos disputando o Sul-Americano sub-20, outro ato abominável.

Quando a bola caia nos pés de Diego Maurício, os torcedores imitavam macaco.

A delegação não tomou qualquer atitude em 2011.

O então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, se calou.

Roberto Carlos na Rússia viu um torcedor atirar uma banana em sua direção.

O Anzhi venceu o Krylia Sovetov por 3 a 0.

Como vingança e preconceito, o russo jogou a fruta para o brasileiro, como se fosse um macaco.

Nada de mais sério aconteceu, como sempre.

Diante da omissão da Fifa e das federações, chegou a hora dos jogadores reagirem.

Kevin-Prince Boateng tomou uma atitude corajosa.

Digna.

Que ela se repita em jogos da Champions League.

Na Eurocopa.

Na Copa do Mundo.

Chega de hipocrisia.

O futebol não pode ser um refúgio para racistas.

As ofensas dentro do campo não podem ser perdoadas.

Nada de esquecimento ou aperto de mão.

Que Blatter e Scolari pensem melhor antes de falar.

Racismo é racismo.

Nojento, repugnante.

Dentro ou fora do campo...


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