Diante da omissão da Fifa, uma atitude digna contra o racismo. Boateng teve a dignidade e coragem que falta a muitos. Que outros façam o mesmo na Champions, na Eurocopa, na Copa do Mundo. Futebol não é refúgio para racistas…

Foi uma reação à altura.

E totalmente compreensível, digna.

Kevin-Prince Boateng fez o que muitos não tiveram coragem.

Se mais agissem da mesma maneira, os racistas pensariam duas vezes.

O alemão de ascendência ganesa se revoltou.

Estava com seu time, o Milan disputando um jogo-treino.

Atuava contra o Busto Arsizio, na região da Lombardia, na Itália.

Quando a torcida local começou a cantar músicas racistas.

E a ofendê-lo assim que a bola caiu nos seus pés.

O xingavam de macaco.

Seu 'pecado' ser negro.

Revoltado, fez o que muitos sonhavam.

Pegou a bola com as mãos e chutou em direção dos torcedores.

Depois tirou a camisa e caminhou em direção ao vestiário.

O time inteiro do Milan foi solidário.

E seguiu Kevi-Prince Boateng.

O jogo-treino acabou encerrado.

A torcida inteira pagou pelos racistas.

Está mais do que na hora dos jogadores tomarem uma posição.

A Fifa é omissa demais em relação ao racismo.

Suas atitudes são amenas, boçais.

Os dirigentes viram as costas.

Permitem a festa dos racistas, preconceituosos.

Foi inesquecível a declaração de Joseph Blatter em 2011.

Ela veio logo depois de dois casos polêmicos.

Suárez e Therry ofenderam Evra e Ferdinand.

Usaram termos racistas para xingá-los durante jogos.

Houve uma revolta generalizada.

A participação do presidente da Fifa foi vergonhosa.

"Não existe racismo no futebol.

Eu acho que o mundo todo está ciente dos esforços que vêm sendo feitos contra o racismo e a discriminação.

No campo de jogo, às vezes você fala algo que não é muito correto.

Mas no final da partida, tudo está acabado.

E você tem o próximo para se comportar melhor.

Nós estamos em um jogo, e no final, nós apertamos as mãos.

É isso que acontece."

Um vexame para o dirigente.

É como se dentro do gramado fosse um mundo à parte.

Onde tudo fosse permitido.

Principalmente o racismo.

Usar a cor da pele para descriminar, humilhar.

Foi o que aconteceu aqui no Brasil.

Danilo do Palmeiras xingou Manoel, do Atlético Paranense.

A ofensa foi vergonhosa.

O chamou de "Macaco do caralho".

Além de lhe dar uma cusparada.

O STJD resolveu puni-lo com 11 partidas.

Quando a sentença foi proferida, deveria servir como exemplo.

Ser um marco contra atos racistas durante os jogos.

Só que tudo acabou de maneira deprimente.

O STJD resolveu depois de cinco partidas liberar o zagueiro.

Pior ainda foi a postura de Luiz Felipe Scolari.

Treinador do Palmeiras e agora da Seleção Brasileira.

"Tudo isso é uma grande bobagem.

É normal os atletas se ofenderem em campo.

Tudo fica no campo e a vida segue."

A mentalidade de Scolari é a mesma de Blatter.

Vale tudo durante uma partida.

Neymar deu uma histórica escorregada em relação ao triste assunto.

Falando ao Estadão foi perguntado se já havia sido vítima de preconceito racial.

Sua resposta foi lamentável.

"Nunca.

Nem dentro, nem fora do campo.

Até porque não sou preto, né?"

Qual o problema de ser preto, nenhum.

Ronaldo, então jogando no Real Madrid, cometeu o mesmo desatino.

"Acho que todos os negros sofrem (com o racismo).

Eu, que sou branco, sofro com tamanha ignorância."

Absurdo.

Porque Neymar e Ronaldo representam a mistura de raças que domina o Brasil.

Para os estúpidos racistas, principalmente os europeus, eles são sim negros.

E podem sim ser chamados de 'macacos'.

Assim como Boateng, que não tem a pele tão escura.

Ronaldo sabe disso, só não assume.

Neymar, infelizmente, descobrirá quando for atuar no seu querido Barcelona.

Mas ele deveria ser mais atento.

Disputando a Libertadores, a torcida do Bolívar tomou uma atitude lamentável contra ele.

"Jogaram banana no Neymar.

A Conmebol deveria tomar uma atitude."

Não tomou, como a Seleção Brasileira também não tomou.

Ainda na Bolívia, com os garotos disputando o Sul-Americano sub-20, outro ato abominável.

Quando a bola caia nos pés de Diego Maurício, os torcedores imitavam macaco.

A delegação não tomou qualquer atitude em 2011.

O então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, se calou.

Roberto Carlos na Rússia viu um torcedor atirar uma banana em sua direção.

O Anzhi venceu o Krylia Sovetov por 3 a 0.

Como vingança e preconceito, o russo jogou a fruta para o brasileiro, como se fosse um macaco.

Nada de mais sério aconteceu, como sempre.

Diante da omissão da Fifa e das federações, chegou a hora dos jogadores reagirem.

Kevin-Prince Boateng tomou uma atitude corajosa.

Digna.

Que ela se repita em jogos da Champions League.

Na Eurocopa.

Na Copa do Mundo.

Chega de hipocrisia.

O futebol não pode ser um refúgio para racistas.

As ofensas dentro do campo não podem ser perdoadas.

Nada de esquecimento ou aperto de mão.

Que Blatter e Scolari pensem melhor antes de falar.

Racismo é racismo.

Nojento, repugnante.

Dentro ou fora do campo...

54 Comentários

"Diante da omissão da Fifa, uma atitude digna contra o racismo. Boateng teve a dignidade e coragem que falta a muitos. Que outros façam o mesmo na Champions, na Eurocopa, na Copa do Mundo. Futebol não é refúgio para racistas…"

3 de January de 2013 às 14:09 - Postado por Cosme Rímoli

* preenchimento obrigatório



Digite o texto da imagem ao lado: *

Política de moderação de comentários:
A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro pelo conteúdo do blog, inclusive quanto a comentários; portanto, o autor deste blog reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal / familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.
Comentários
  • Bruno de Americana
    - 5 de janeiro de 2013 - 23:11

    Em um amistoso contra um time totalmente desconhecido... ohh que grande herói... Porque ele não faz isso em uma Liga dos Campeões??

    Responder
  • peixoto-pres.prudente/sp
    - 4 de janeiro de 2013 - 18:39

    Este Boateng foi HOMEM....se todo jogador fizesse isso, seria maravilhoso....E pode até ser em jogos da Champions.....queria ver o Hulk ter coragem de fazer isso com aqueles russos racistas e idiotas... No Brasil tem racismo????

    Responder
  • martins
    - 4 de janeiro de 2013 - 13:57

    E ainda tem gente que quer justificar,aqueles que não sabem conviver com as diferenças,é pior que um animal,esta caminhando para o inferno.

    Responder
  • Paulo Teta
    - 4 de janeiro de 2013 - 11:16

    Recomendo a quem se sente injuriado por racismo a parar de sentir auto-piedade e se espelhar na opinião do Seedorf sobre esse episódio do Milan. Auot-piedade é para os fracos de espírito.

    Responder
  • Larissa
    - 4 de janeiro de 2013 - 10:57

    Cosme,já imaginou vc dando seu sangue, fazendo o possivel e o impossivel por uma instituição e vendo o restante de sua equipe dando migalhas e os "chefes" nem aí para nada? E NO fim tudo desmorona... Nenhum amor por maior que seja aguenta tanta deslealdade. Duvido que se Barcos visse uma equipe unida, uma diretoria empenhada e o conjunto em harmonia ele abandonaria o Barco. Não há Amor que suporte tanta falta de comprometimento, um novo Amor cura o outro Cosme afinal o Amor é Ambiguo

    Responder
  • Rafael Gomes Xavier
    - 4 de janeiro de 2013 - 10:52

    Salve, Cosme! Gostaria de agradecer pelo seu post relatando e solicitando ações contra o racismo no futebol! É fundamental que as pessoas entendam que este é um problema ainda existente diariamente na realidade de todos nós negros! Sim eu sou negro, e cada vez que uma pessoa diz que é bobagem atos reais de preconceito racial eu penso: "Como assim!" E qual a importância de sua opinião? Bem uma coisa é o Boateng sair revoltado de campo, as pessoas com uma atitude politicamente correta podem expressar opiniões de apoio sem envolvimento. Outra coisa é você um repórter branco expressar sua opinião de repudio ao ato e repassando informações importantes de pessoas envolvidas no futebol com posturas distantes aos acontecimentos. Aí certamente a sociedade de forma geral irá pensar: "Bem,de fato deve ser algo de fato repugnante!" Talvez boa parte das pessoas não gostem do que acabei de dizer, mais não mi importo pois diariamente convivo com o racismo então neste tema já deixei de mi afetar por visões contrárias. Então mesmo sabendo que este não é o seu objetivo, receber agradecimentos! Valeu Cosme, pois o fato é: uma coisa é um negro falar ou agir de uma forma, outra é um branco atuar e informar quando o assunto é racismo! Abraços!

    Responder
  • Larissa
    - 4 de janeiro de 2013 - 10:30

    O pior é que essas figurinhas repetidas continuam... NOjento e Repugnante.Falou tudo! Tem que parar o jogo, sair, efrentar, Isso mesmo! Alguém tem que fazer algo

    Responder
  • fabinho
    - 4 de janeiro de 2013 - 09:17

    o Boateng tomou essa atitude por que era um amistoso contra um timinho de 4ª divisao, duvido q faria isso num mata mata da champions contra o barça...... e posso estar sendo contraditorio mas acho q isso vindo da torcida é abominavel mas dentro de campo faz parte, o Manoel tbm cuspiu no Danilo e nao foi punido, quer dizer, cuspir no rosto do outro pode mas ofensas q no meu ver faz parte pra desestruturar o adversario nao pode ???

    Responder
  • Roberto
    - 4 de janeiro de 2013 - 07:08

    Queriam o quê? Que o Ronaldo falasse que era negão??

    Responder
  • Bruno Costa
    - 4 de janeiro de 2013 - 01:30

    Concordo com o Felipao. Só quem já jogou bola sabe o quanto é pesado o ambiente no campo. A questão é a agressividade e não o veículo. Se for para punir um, que punam todos. Homofobia, preconceito étnico, religioso e etc... Mas eu concordo com o Felipao, até pq entendo que injúria não deve ter tratamento de racismo. É crime, tem pena prevista, e muitas vezes o autor não é racista, apenas quer agredir verbalmente a outra pessoa. Racismo é segregação, não xingamento. Se toda vez que alguém falasse "que judiaria" eu rotulasse a pessoa de racista, eu estaria sendo louco... Acho inclusive uma incitação propor que as questões vinculadas ao preconceito com os negros sejam elevadas ao nível de paranóia, pois nos USA essa estratégia não resolveu o ódio racial.

    Responder
1 2 3 4 5