1reproducao15 Dia histórico contra a corrupção no futebol. Sandro Rosell, Agnelo Queiroz e Arruda presos. E Ricardo Teixeira, desesperado, tenta delação premiada. Chegou a conta da farra dos amistosos da Seleção e dos estádios superfaturados da Copa...

Dia 23 de maio de 2017.

Parecia que este dia jamais chegaria. O ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell, os ex-governadores de Brasília, José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz e ainda o ex-vice-governador Tadeu Filippelli. Todos atrás das grades, presos. E o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, desesperado, seguindo o caminho de seu parceiro, Jota Hawilla. E finalizando um acordo de delação premiada para também não ir para a cadeia.

A justiça está expurgando os corruptos do futebol.

Ricardo Teixeira já pode estar por trás da prisão de Rosel. Repórteres esportivos têm informações, ouvem inúmeras denúncias. Mas não têm recursos para investigações profundas. Quebra de sigilos telefônicos, acessos a contas bancárias, investimentos em paraísos fiscais. Nos 27 anos que cubro a Seleção Brasileira, fiz inúmeras matérias, entrevistas, acompanhei a CPI da Nike, recebi inúmeras confidências. Mas sem provas concretas, os vilões seguiam e seguem comandando o futebol não só deste país, como do mundo.

Esta situação parecia que jamais seria alterada.

O suicídio dos corruptos aconteceu em dezembro de 2010. Quando a Fifa recusou a candidatura dos Estados Unidos e escolheu o Catar como sede do Mundial de 2022. A partir daí, o Departamento de Justiça e o FBI resolveram investigar a fundo os dirigentes do futebol. Os desonestos foram caindo como peças de dominó. A começar pelo próprio presidente da Fifa, Joseph Blatter. Foi obrigado a renunciar.

Esses criminosos tinham tanta certeza da impunidade que viviam como reis. Exigiam e tinham tratamento de chefes de estado. Os esquemas eram muito bem feitos e envolviam especialistas em fazer o dinheiro 'sumir'. Advogados internacionais e contadores com larga experiência mandavam propinas que recebiam de empresas de mídias esportivas, que negociavam com televisões, os grandes eventos. Ou vendas de amistosos de grandes seleções. Ou simplesmente embolsavam dinheiro de países interessados em sediar competições.

Como as Copas do Mundo.

8 1024x614 Dia histórico contra a corrupção no futebol. Sandro Rosell, Agnelo Queiroz e Arruda presos. E Ricardo Teixeira, desesperado, tenta delação premiada. Chegou a conta da farra dos amistosos da Seleção e dos estádios superfaturados da Copa...

E estiveram por trás de muita lavagem de dinheiro.

Vale lembrar os nomes dos presos ou sob custódia.

Corruptos.

Não há outra palavra para defini-los.

O ex-presidente da CBF, José Maria Marin. O uruguaio Eugenio Figueredo, ex-presidente da Federação Uruguaia de Futebol, ex-vice da Fifa e ex-presidente da Conmebol. Jeffey Webb, ex-presidente da Concacaf e das Ilhas Cayman e vice-presidente da Fifa; Eduardo Li, ex-presidente da Federação da Costa Rica, Julio Costa, ex-presidente da Federação da Nicarágua; Rafael Esquivel, ex-presidente da Federação Colombiana de Futebol; Costas Takkas, ex-secretário-geral da Federação das Ilhas Cayman.

 Dia histórico contra a corrupção no futebol. Sandro Rosell, Agnelo Queiroz e Arruda presos. E Ricardo Teixeira, desesperado, tenta delação premiada. Chegou a conta da farra dos amistosos da Seleção e dos estádios superfaturados da Copa...

O norte-americano Charles Blazer, ex-secretário-geral da Concacaf; Daryan Warner, de Trinidad e Tobago, ex-vice-presidente da Concacaf; Darryl Warner, irmão de Daryan, ex-vice presidente da Fifa.

Jack Warner, ex-presidente da Concacaf; Nicolaz Leoz, ex-presidente da Conmebol; José Lázaro Margulies, empresário, presidente da Valent Corp; Aaron Davidson, ex-presidente da Traffic norte-americana; Alejandro Burzaco, dono da empresa Torneos y Competencias, Hugo Jinkis, dono da empresa de marketing Full Play; Mariano Jinkis, filho de Hugo, funcionário da empresa Full Play.

Grande parte desses corruptos foram presos, processados ou esperam julgamento graças ao brasileiro Jota Hawilla. Ele fez um acordo de delação premiada junto ao FBI. Forneceu provas que acabaram com inúmeros esquemas criminosos. Para escapar da cadeia, ainda pagou multa de 151 milhões de dólares, cerca de R$ 492 milhões.

Finalmente hoje, chegou a vez de Rosell. Os policiais espanhóis batizaram a operação com o nome de 'Rimet'. Triste referência à taça Jules Rimet. Troféu que o Brasil teve direito por ser o primeiro país a conquistar três Copas do Mundo. E acabou roubada e derretida, na sede da CBF.

Rosell foi um dos dirigentes mais importantes do futebol mundial graças ao Brasil. E seu amigo íntimo, o ex-genro do falecido presidente da Fifa, João Havelange. Ricardo Teixeira. O espanhol que, antes de presidir o Barcelona, era o principal executivo da Nike no Brasil. E, facilitado por Teixeira, tinha acesso a tudo que envolvia a CBF. Fechou o contrato de patrocínio da marca com a Seleção, no valor de 160 milhões de dólares, cerca de R$ 521 milhões. Além de frequentar concentrações e ter contatos com jogadores para publicidade ou futuras negociações, até a amistosos da time.

Rusell chegou a abrir a empresa Ailanto Marketing. Só para tratar de tudo envolvendo a Seleção.

A TV Record denunciou, em 2011, o quanto o dirigente espanhol lucrou com essa parceria. Rosell era sócio do consultor financeiro Cláudio Honigman em uma empresa denominada Brasil 100% Marketing, criada em dezembro de 2001 e encarregada de promover amistosos da seleção brasileira. A empresa também foi acusada por um executivo alemão de fazer um leilão para o local da concentração do Brasil na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.

Com a Alianto Marketing, que Rosell se teria se envolvido em um escândalo ainda maior, envolvendo um contrato de R$ 9 milhões com o governo do Distrito Federal para a organização do amistoso entre Brasil e Portugal em 2008. A empresa ficou com toda a verba, e os custos do amistoso ficaram com a federação de Brasília.

Rosell entrou com R$ 12 milhões na empresa, enquanto sua sócia, Vanessa Almeida Preste, com apenas R$ 1. Mas foi Vanessa, em nome da Alianto, quem assinou o contrato com o governo do Distrito Federal para a promoção do amistoso do Brasil. A empresa recebeu todo o dinheiro e não gastou um centavo sequer, diz a reportagem da Record. A sócia de Rosell na Alianto foi a mesma que, três meses após o amistoso da Seleção, arrendou terras de Teixeira por R$ 600 mil.

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Depois de muito investigar, a polícia espanhola conseguiu rastrear 15 milhões de euros, cerca de R$ 55 milhões, que ele e sua mulher, Marta Pineda, receberam por amistosos da Seleção Brasileira. Os direitos foram vendidos a uma empresa de TV do Qatar, que pagou uma comissão ao ex-dirigente do Barcelona.

Segundo os investigadores, a empresa pagou os 15 milhões de euros a Sandro Rosell e Ricardo Teixeira na Suíça, que depois desviaram o dinheiro para Andorra. Ganharam e não declararam esse dinheiro à Receita Federal. Foram presos por corrupção e lavagem de dinheiro. Rusell ainda está sendo investigado pela compra de Neymar pelo Barcelona.

Ricardo Teixeira teve de abandonar a CBF em março de 2012, depois de 23 anos de poder. Justo quando o Brasil trabalhava para organizar a Copa que ele articulou com Lula e Blatter. Saiu às pressas, envolvido em várias denúncias. Conseguiu se manter livre da cadeia, mas nunca deixou de ser investigado. Jornais espanhóis publicam que ele seria uma das outras pessoas com mandato de prisão já expedido.

Teixeira já havia sido avisado que o seu mundo cairia. E estava tratando com o FBI e com o Departamento de Justiça, um esquema de delação premiada. Igual ao feito pelo parceiro de décadas, Jota Hawilla. Nela revelaria que aprendeu o esquema de venda de amistosos da Seleção e desvio de dinheiro, com o falecido presidente da AFA, Julio Grandona.

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Quanto a José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz e o ex-vice-governador Tadeu Filippelli, o esquema é mais tosco. Arruda articulou para que as construtoras Via Engenharia e Andrade Gutierrez fossem as responsáveis pela construção do inútil estádio Mané Garrincha, Brasília não tem um time sequer na Terceira Divisão do futebol brasileiro. Agnelo aceitou o esquema. Filippelli, assessor direto do presidente Temer, teria exigido propinas várias vezes da Andrade Gutierrez. E recebido.

O Mané Garrincha deveria custar R$ 600 milhões.

Acabou superfaturado em R$ 900 milhões.

Saiu por R$ 1,5 bilhão.

O dinheiro público bancou essa corrupção.

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A reforma do Maracanã foi a porta de entrada da cadeia para o corrupto ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

A Polícia Federal e o Ministério Público já estão investigando cada estádio que foi usado na Copa do Mundo. A desconfiança de superfaturamento generalizado. O Itaquerão é um deles.

O presidente da CBF, Marco Polo del Nero, segue investigado pelo FBI.

Parece mentira.

Os corruptos que assolam o futebol estão indo para o lugar onde merecem estar.

Na cadeia...

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Veja a reportagem do Fala Brasil:


http://r7.com/u8xo