112 1024x689 Desculpas públicas de Leco. A única chance de Muricy voltar, de graça, ao São Paulo
Um pedido de perdão público de Leco.

Essa seria a arma mais forte e que deixaria Muricy Ramalho sem saída.

Ele declarou que trabalharia no clube de graça.

O único empecilho são as desculpas de Leco.

Só com o perdão haveria a possibilidade de o presidente fazer o que a grande maioria dos conselheiros do São Paulo deseja. Que o ex-treinador tetracampeão brasileiro assuma o cargo de coordenador. Se transforme no elo entre Dorival Júnior e o time. Seja o escudo do pressionado executivo de futebol Vinicius Pinotti e Leco, na luta pelo rebaixamento.

Leco e Pinotti sabem que precisam, desesperadamente, criar algo novo que traga confiança ao time, penúltimo colocado no Brasileiro. Os dois, junto com Dorival Júnior, decidiram criar a lei do silêncio. Os jogadores estão proibidos de falar até a partida contra o Vitória. E mais. Todos os treinamentos estarão fechados à imprensa para esta partida. A mordaça e o treinos secretos talvez possam durar até o final do campeonato.

Dorival Júnior não gostou do noticiário generalizado questionando seu 'grupo rachado'. A desconfiança já havia de quem cobria o dia a dia do clube. A começar pelo isolamento até natural dos estrangeiros. Lugano, Cueva, Buffarini, Lucas Pratto, Arboleda e Jonatan Gómez costumam ficar conversando em espanhol e brincando entre eles. Se ajudam dentro e fora do campo, com os que estão há mais tempo em São Paulo recomendando desde escolas para as crianças até restaurantes. A proximidade é natural.

Com o time fazendo uma campanha vergonhosa, o clima é tenso há muito tempo. E a divisão veio à tona com o desentendimento de Rodrigo Caio e Cueva. O zagueiro, que passa péssima fase, cobrou mais dedicação do meia. O peruano, que também não consegue jogar bem no São Paulo há tempos, não gostou da cobrança pública. E ao ser confrontando por jornalistas sobre sua atuação contra a Ponte Preta, entrou aos 43 minutos do segundo tempo, mandou que perguntassem ao zagueiro.

Leco e Pinotti obrigaram que os dois conversassem diante do grupo. E ambos se desculparam. Eles atribuíram o desentendimento à imprensa. Reclamaram que muitos conselheiros têm acesso aos treinos e locais de concentração. E esses conselheiros seriam as fontes dos jornalistas. Os atletas pediram que fossem blindados.

5spfcnet 1024x681 Desculpas públicas de Leco. A única chance de Muricy voltar, de graça, ao São Paulo

Dorival Júnior também foi favorável à medida. Assim como também que os atletas parassem de dar entrevistas. O presidente e o executivo de futebol foram firmes no apoio imediato à 'lei da mordaça'. O treinador, a direção e a assessoria de imprensa estão orientados a dizer que a decisão foi apenas dos atletas.

Só que a decisão trouxe ainda mais insegurança. Há medo de represália dos jornalistas. Greves de silêncio invariavelmente não dão certo. E há o efeito rebote. A cobrança ainda mais forte, quando o grupo fracassa.

Pinotti tinha o controle das organizadas do São Paulo. Gozava de ótimo relacionamento com as presidentes da torcidas. O executivo, com seu poder de persuasão, conseguia deixar os torcedores longe do time. Só que, faltando 15 rodadas para o Brasileiro acabar, e o time em penúltimo lugar, os dirigentes destas torcidas se cansaram. Exigem publicamente um encontro com Dorival Júnior e os líderes da equipe.

Leco já avisou a Pinotti que não. Seria desmoralizante. E traria ainda mais tensão aos jogadores. Mostraria fraqueza da direção para os demais conselheiros e à imprensa. Acabaria de vez com o aspecto de modernidade do clube, que tanto orgulha o presidente.

2reproducao3 Desculpas públicas de Leco. A única chance de Muricy voltar, de graça, ao São Paulo

Só que o Conselho de Administração, notáveis que deveriam ajudar o clube no seu processo de modernização, terá uma reunião importante hoje, como o bloga já destacou no domingo. O assunto deveria ser profissionalização total do futebol, com direito à vida própria, longe da parte social do clube. Mas o foco será salvar o time do rebaixamento.

Raí, um dos membros do conselho, já foi pressionado a aceitar o cargo de coordenador de futebol. Ele não quer agora, faltando apenas 15 rodadas. Acredita que pode queimar o seu futuro como dirigente, porque faz parte dos seus planos seguir na vida política do clube. Sonhando até com a presidência.

Por isso, o nome de Muricy Ramalho acaba sendo o de consenso. Se José Eduardo Mesquita Pimenta tivesse vencido a eleição, e não Leco, Muricy seria seu coordenador de futebol. O ex-treinador que trabalha como comentarista do Sportv estaria disposto a voltar ao futebol, na coordenação. Mas não com Leco.

Muricy sabe que o presidente atual foi quem o perseguiu e o derrubou do cargo em 2009, quando era tricampeão brasileiro, e o time acabou eliminado da Libertadores, nas quartas de final, pelo Cruzeiro. Leco nunca perdoou o técnico por ele ter proibido suas visitas com conselheiros à concentração, o embarque do ônibus do time, às idas ao vestiário antes e após os jogos.

O trocou, com prazer, pelo poliglota Ricardo Gomes.

Muricy já salvou o São Paulo do caminho do rebaixamento do Brasileiro, em 2013. O falecido Juvenal Juvêncio era o presidente. Trabalhou como treinador, mas estava à beira de uma estafa. Com arritmia cardíaca e diverticulite. Operou, a pedido da família e dos médicos, abandonou a carreira de técnica. Descansou. E aceitou ser comentarista do Sportv, como foi revelado pelo blog.

Saudável e com saudade do futebol, ele está disposto a trabalhar como coordenador de futebol. De preferência no clube que ama, o São Paulo. Só que o obstáculo é Leco. Muricy ainda guarda muita mágoa do dirigente.

E conselheiros importantes só enxergam uma maneira de tudo ficar resolvido. Leco pedir desculpas publicamente a Muricy. E pedir que aceite ser o coordenador. Ajudar o já questionado Dorival Júnior.

44 Desculpas públicas de Leco. A única chance de Muricy voltar, de graça, ao São Paulo

Esta é uma questão difícil.

O orgulho sempre foi a maior característica de Leco.

E ele sabe que se vingou de Muricy.

Voltar atrás e pedir desculpas não combina com sua personalidade.

Mas a pressão está enorme.

E deve aumentar, depois da reunião do Conselho de Administração.

Mais a pressão das organizadas.

O medo de rebaixamento já domina a todos.

A necessidade é de um fato novo.

Muricy Ramalho na coordenação seria perfeito.

Mas a reviravolta depende do orgulho de Leco...

(No treinamento de hoje, à última hora, com vários jornalistas já longe do CCT, Pinotti resolveu falar. Incoerente, quebrou a própria lei da mordaça,
que instituiu. Garantiu Dorival Júnior, com a mesma falta de firmeza que garantiu o demitido Rogério Ceni. "Nossa situação é horrível. É claro que a gente está temeroso (com o rebaixamento), temos trabalhado bastante para reverter isso, não é agora. Estamos preocupados há um tempo. Quanto ao Dorival, estamos satisfeitos com o trabalho dele. Ele é o nosso treinador, acreditamos em continuidade.

Quanto a Muricy, Pinotti não se mostrou entusiasmado. Avisou que não quer criar o cardo de coordenador. Influência de Leco?
"O Muricy não pode assumir nenhuma função oficial no São Paulo, o que não impede de ele trabalhar informalmente, ele já fez isso com outros presidentes. Oficialmente esse cargo não tem intenção de ser criado. Toda vez que se fala de coordenador técnico, você precisa falar com o seu técnico. Zagallo e Parreira, Felipão e Murtosa, era bom pra todo mundo. Não podemos impor um coordenador ao Dorival."

7 Desculpas públicas de Leco. A única chance de Muricy voltar, de graça, ao São Paulo

http://r7.com/vBJW