131 Depois do Esporte Interativo rachar o futebol nos canais a cabo, agora surge o G5. Palmeiras, Santos, Atlético Paranaense, Coritiba e Bahia se unem. Vão negociar juntos os direitos da tevê aberta e pay per view. Prontos para a guerra contra a Globo...
"Fechamos o G5, incluindo Palmeiras, Santos, Bahia e Coritiba para negociar a TV aberta e pay-per-view. Há uma grande injustiça no pay-per-view. O Atlético não se conforma com isso e temos certeza de que vamos melhorar muito. A partir de 2019, devemos dobrar o valor que recebemos em 2018."

Dessa maneira direta, Mario Celso Petraglia confirmou os boatos que dominavam os bastidores do futebol brasileiro. Palmeiras, Santos, Coritiba, Bahia e Atlético Paranaense se juntaram. Formaram o que batizaram de G5.

E vão enfrentar o monopólio da TV Globo.

Essas cinco equipes da Série A assinaram com o Esporte Interativo. E terão seus jogos transmitidos pela emissora pertencente à bilionária Turner. Na tevê a cabo acabou o privilégio do Sportv, canal que pertence à Globo. De 2019 a 2024, esse quinteto já fechou com o EE. Além deles, o Internacional, Ponte Preta, Ceará, Sampaio Corrêa, Criciúma, Joinville, Paysandu e Paraná e o Fortaleza.

O mercado esperava que todos estes clubes seguissem negociando a transmissão por canal aberto e pay-per-view de maneira direta com a Globo. Só que não. Esse quinteto resolveu se unir. E atuar como quando existia o clube dos 13. Os maiores clubes brasileiros negociavam irmanados os direitos dos jogos.

A união durou de 1987 a 2011. Neste período, as emissoras interessadas em mostrarem os jogos do Brasileiro participavam de uma concorrência aberta. Quem ganhasse ficava com todo o Brasileiro. Mas o Clube dos 13 acabou em 2011. Quando a Globo passava por uma crise financeira e estava ameaçada de perder o monopólio do futebol no país. A Record tinha condições reais de ganhar a concorrência.

Foi quando a Globo utilizou seus maiores aliados. Andrés Sanchez era o presidente do Corinthians, clube que sempre recebeu a mais da emissora carioca, junto com o Flamengo. Andrés procurou a cúpula flamenguista e implodiram o C13. A tática foi simples. Alegaram que não negociariam mais em conjunto. Apenas separados. Os clubes mais populares do país foram seguidos pelos outras outra equipes nacionais. E o Clube dos 13 deixou de ter motivo para seguir existindo. Foi um golpe genial.

A Globo, tendo a CBF como aliada, seguiu tendo o futebol nas mãos. Até que em 2016, o Esporte Interativo entrou em cena. Enfrentou a Globo. Se aproveitou do descontentamento e do pouco dinheiro reservado pelo Sportv para os clubes brasileiros. A emissora da Turner conseguiu uma insurreição. E tem o direito de mostrar jogos do Brasileiro de 14 equipes a partir de 2019.

Houve muita revolta na emissora carioca, mas não houve o que fazer.

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Mesmo contrariada, executivos globais esperavam que fosse parar por aí.

Mas agora, surge o G5. Juntos, Palmeiras, Santos, Atlético Paranaense, Bahia e Coritiba querem conseguir muito mais dinheiro do que isolados. E será assim que irão negociar tanto a tevê aberta como o pay-per-view.

"O PPV ainda o direito no Brasil é dos dois clubes, do mandante do visitante. Na Europa é só do mandante. Cada jogo do Flamengo lá, conosco, eles ganham R$ 3,2 milhões por jogo, e nós, R$ 150 mil. Quando é na nossa casa, a mesma coisa. Na mesma competição, concorrendo com a gente, é uma injustiça. Os países que cresceram no futebol equalizaram isso. Na Inglaterra quem mais ganhou, ganhou 92 milhões de Libras. O último, que caiu, ganhou 60 milhões. É muito próximo. Hoje não há como concorrer. Tentamos na Primeira Liga, mas não foi possível, trombamos com a Globo e com as Federações.

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"A Primeira Liga mudou os estaduais. A Globo reforçou e priorizou Rio, Minas e Rio Grande do Sul. 'E não sobrou dinheiro pra vocês, se quiserem essa migalha aí, levem'. A Globo, os cariocas, os gaúchos e os mineiros usaram a Primeira Liga para melhorar seus estaduais. Na hora do primeiro bom dinheiro que conseguimos, na hora de decidir, quiseram dizer que o Flamengo valia duas vezes o que nos valíamos. Dentro de uma visão moderna de divisão nós nos retiramos. Felizmente o Coritiba foi parceiro e a Liga virou pó, ninguém fala mais, estão jogando com o terceiro time. Já se fala no ano que vem ter um torneio de verão. Então, acabou."

Esse foi parte do discurso de Petraglia a sócios atleticanos.

Ele revelou o que levou o quinteto à revolta.

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Já está marcada para a semana que vem um novo encontro. Desta vez entre os presidentes dos cinco clubes na Vila Belmiro. Houve o primeiro encontro entre os presidentes na semana passada. E ontem, membros dos departamentos jurídicos se encontraram e chegaram à conclusão que nada impede de enfrentar legalmente a Globo. Querem muito mais dinheiro na aberta e no pay-per-view. E não haverá represália.

É possível, mas improvável que outra emissora aberta queira comprar os direitos de transmissão dessas cinco equipes. Nenhuma outra a não ser a Globo tem a estrutura do pay-per-view. Mas o que aconteceu ontem em Curitiba é histórico.

Os clubes perceberam que também são fortes.

E que podem enfrentar a Globo e seus privilegiados Corinthians e Flamengo.

"Há uma grande injustiça na divisão do PPV. O Atlético não se conforma com isso e vamos melhorar, assim como melhoramos a TV fechada, vamos melhorar aberta e PPV. Acreditamos que em 2019 vamos dobrar o que recebemos", garante Petraglia.

Ele foi o grande articulador de Atlético e Coritiba mostrado apenas pelo youtube e facebook. Os dois não assinaram com a Globo e a emissora não mostra os jogos dos dois clubes mais importantes do Campeonato Paranaense. Cerca de 3,2 milhões de pessoas acompanharam o clássico sem tevê, no dia primeiro deste mês.

Alguns dirigentes que já haviam assinado com a emissora carioca estão acompanhando com muito interesse as ações do G5. E podem se juntar a eles. E fazer renascer um 'novo G13'. Depois de seis anos perceberam que apenas corintianos e flamenguistas lucraram com o fim da união dos times brasileiros.

O monopólio já rachou na tevê a cabo.

Agora, começa a balançar na tevê aberta e no pay-per-view.

E não haverá Andrés Sanchez capaz de salvar a Globo...
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