66 Denúncias da Lava Jato, falta de pagamento do Itaquerão, queda da influência do PT. Todos esses fatores fizeram com que a Caixa desistisse de seguir patrocinando o Corinthians. R$ 30 milhões a menos no Parque São Jorge...

A diretoria do Corinthians insistiu, negociou, pediu, mas não teve força. A Caixa Econômica Federal não quis saber de manter os R$ 30 milhões para manter o seu logotipo no peito da camisa do clube paulista. Era o maior patrocínio que o banco pagava para clubes brasileiros. Era um privilégio.

Mas os tempos mudaram.

A instituição financeira queria uma drástica redução no que pagava. Estava dispostas a bancar, no máximo, R$ 20 milhões.

O motivo desta postura foi o fato de o Corinthians só estar fazendo metade do que os demais clubes. Estampava o logotipo apenas no peito. Nas costas estava livre para outro patrocinador. E o clube também poderia vender a manga da camisa para ganhar mais dinheiro. O acordo foi fechado no ano passado, depois de longa negociação.

Além disso, pesaram aspectos importantes nos bastidores. O Corinthians está profundamente enrolado no pagamento do Itaquerão. A Caixa Econômica Federal aceitou ser o banco repassador do empréstimo de R$ 420 milhões feitos pelo BNDES ao fundo de investimento imobiliário criado por Corinthians e Odebrecht. O clube começou a pagar as parcelas do financiamento em julho de 2015. As mensalidades de cerca de R$ 5 milhões deixaram de ser quitadas em março de 2016.

Neste momento, o clube está inadimplente, com a permissão do banco público.

O Corinthians tenta ampliar a carência acertada de 17 meses que venceu em 2015. O clube argumenta que outras arenas da Copa do Mundo de 2014 tiveram um período maior, de 36 meses.

A Caixa pede mais garantias para conceder tempo ampliado para o pagamento das parcelas.

O Corinthians perdeu muita força que tinha na Caixa com a saída do ex-presidente da Caixa, o baiano Jorge Hereda. Ele era amigo íntimo do ex-presidente Lula. O atual presidente do banco público é o mineiro Gilberto Occhi.

E ele está descontente com a inadimplência dos correntistas.

O Corinthians não tem a menor proximidade de Occhi.

Desde que Lula e Dilma deixaram a presidência, a relação com a Caixa mudou. O PT já não tem mais força na instituição. As facilidades na renovação do patrocínio master acabaram. A influência do deputado federal, Andrés Sanchez, diminuiu vertiginosamente. Muita coisa mudou, desde 2012.

Mesmo assim, o banco público colocou R$ 120 milhões no Parque São Jorge, só de patrocínio.

Foram três renovações.

O Corinthians, que esperava ter a camisa mais valiosa do Brasil, sofreu um grande baque.

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A saída da Caixa é deixa apenas três patrocinadores: Minds, Alcatel e Foxlux.

São R$ 2 milhões, R$ 3,5 milhões e R$ 3 milhões por temporada.

Ou seja, 'apenas' R$ 8,5 milhões.

Pouco para o orçamento do clube.

Além da perda de padrinhos políticos, o enrosco com o Itaquerão, há as delações da Lava Jato. Marcelo Odebrecht assumiu o favor que fez a Lula e complicou o governo estadual e federal na construção do estádio. A presidência da Caixa achou por bem se afastar do clube.

Mas segue bancando outras equipes.

Em fevereiro, fechou com o Botafogo por R$ 10 milhões.

Fechou com o Santos, no mês passado, por R$ 16 milhões por ano.

Ainda ontem acertou com o Vasco, por R$ 11 milhões, mesma quantia pela qual renovou com o Atlético Paranaense. O Atlético Mineiro receberá R$ 16 milhões. O Cruzeiro, que não disputa a Libertadores, ficará com R$ 12,5 milhões. O Ceará ganhará R$ 3,4 milhões.

Esses são os principais contratos da Caixa.

Flamengo, R$ 25 milhões.

Atlético Mineiro, R$ 16 milhões.

Santos, R$ 16 milhões.

Cruzeiro, R$ 12,5 milhões.

Sport Recife, R$ 6 milhões.

Bahia, R$ 6 milhões.

Vitória, R$ 6 milhões.

Coritiba, R$ 6 milhões.

Avaí, R$ 4 milhões.

Atlético Goianiense, R$ 3,6 milhões.

Figueirense, R$ 3,4 milhões.

Ceará, R$ 3,4 milhões.

América Mineiro, R$ 3 milhões.

Náutico, R$ 2,7 milhões.

Paysandu, R$ 2 milhões.

CRB, R$ 1,5 milhão.

Além desse patrocínio, há bônus por conquistas de títulos.

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Os clubes que aproveitem bem esse dinheiro.

Cresce a pressão para que o banco pare de usar o futebol.

E, em plena recessão, evite essa publicidade tão cara.

Ainda mais porque grande parte do dinheiro da Caixa é público.

Tudo está mudando.

Principalmente para o Corinthians...
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