121 De proveitoso, contra o Japão, Danilo. E Neymar brinca com fogo
"Não tem como marcar. Não tem como marcar."

Tite se empolgava com o gol de Gabriel Jesus e comemorava com os reservas. Ele não se referia ao toque fatal do atacante do Manchester City para as redes. Mas pelo cruzamento, no ponto futuro, de Danilo. A sua arrancada pela direita desmontou a defesa oriental. E a Seleção Brasileira chegava ao terceiro gol. No jogo de apresentação do time de Tite à Europa, bastaram apenas 45 minutos jogados com intensidade para a vitória por 3 a 1 diante do Japão. Neymar ainda perdeu um pênalti. Nitidamente, todos se pouparam para a partida que realmente interessa. Terça-feira, em Wembley, contra a tradicional Inglaterra.

O jogo foi importante para deixar Tite convicto. Danilo será o reserva de Daniel Alves. Há tempos que o treinador brasileiro não estava mais confiando no futebol irregular de Fagner. O jogador do Manchester City fez tudo o que o técnico desejava. E até mais um pouco. O amistoso na França acabou tendo esse o fator mais interessante. Ele aproveitou sua oportunidade de maneira marcante. O que não fizeram Giuliano e,
principalmente, Jemerson. Os dois não tiveram destaque como titulares. O zagueiro foi além, falhando infantilmente no gol japonês.

Ainda há um abismo técnico entre os brasileiros e japoneses. Tirando partidas de Copa do Mundo, esse desequilíbrio pesa nos amistosos. A concentração é outra. A vitória já é garantida antes de os times entrarem em campo. A motivação neste confronto na França estava no fato de a Seleção estar na reta final de sua preparação para a Rússia. Sem hipocrisia, Tite tem cerca de 90% de seu grupo definido. Precisa buscar reservas, alternativas para seus titulares.

E daí a chance para Danilo, Giuliano, Jemerson começarem o confronto. E ainda Cássio, Alex Sandro, Taison, Douglas Costa e Diego Souza entrarem no segundo tempo. É certo que a lógica exigiria tempo para entrosamento do time. Só que no calendário insano do futebol mundial, onde as competições se encavalam por causa da televisão, não há datas para treinamento. Daí, a força, a confiança, o talento e a personalidade de cada jogador testado precisa prevalecer. Isso se quiser ter o privilégio de disputar uma Copa do Mundo.

Tite abriu mão de Daniel Alves, Marquinhos, Miranda, Paulinho, Philippe Coutinho para começar o jogo de hoje. Sabia que eles não seriam necessários. E viu o que Danilo, Thiago Silva, Jemerson, Fernandinho, Giuliano e Willian podem fazer. Na verdade, Fernandinho, Thiago Silva e Willian estão mais do que garantidos para o Mundial. Como reservas. Só precisavam mostrar que a ausência dos titulares não seria tão prejudicial ao time. Agora, para Danilo, Jemerson e Giuliano o teste valia e muito.

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O Japão, do Bósnio, Vahid Halilhodzic, apesar de estar classificado para a Copa, é um time muito fraco tecnicamente. Obediente, se movimenta como o treinador deseja. E Vahid tratou de buscar o óbvio. Todo o time atrás da linha da bola, quando o Brasil atacava. Em duas linhas de cinco, buscava superpovoar as intermediárias. Não permitir o toque de bola. Sua maior preocupação era o setor esquerdo, onde Neymar e Marcelo costumam desequilibrar os jogos da Seleção.

Em 1958, Vicente Feola aproveitava o desconhecimento dos adversários por parte de Garrincha. E fazia questão de aumentar o verdadeiro potencial dos adversários. Principalmente os mais fracos. Tudo para que o maravilhoso atacante mantivesse sua concentração. Jogasse a sério.

Seria muito bom que Tite relembrasse esse detalhe. E conversasse para valer com Neymar. Em partidas contra times fracos, como o Japão, o melhor jogador brasileiro desta geração, exagera. Ainda mais em amistosos. A partida foi na França, onde ele divide opiniões. Todos reconhecem seu estupendo talento com a bola nos pés. Mas seu comportamento está longe de ser admirado. E, outra vez, ele titubeou.

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Jogou bem. Quando quis. Ele fez tabelas, infiltrações, dribles importantes, desconsertantes. Mas também matou vários ataques ao querer enfeitar a jogada. E também segue com a perigosa mania de provocar seus marcadores. E ficar diversas vezes de costas para eles, com a bola dominada. Oferecendo os tornozelos para pontapés. Um certeiro ainda pode machucá-lo para valer. É uma infantilidade que Tite precisa ter a coragem de enfrentar. É muito clara a diferença entre driblar para o bem do conjunto, do time. Ou tentar apenas se exibir, humilhar.

Apesar de ser o jogador mais caro do mundo, Neymar não precisa justificar os R$ 845 milhões que o PSG pagou por ele. Não, a cada vez que a bola chegue aos seus pés. Esta irritante postura pode sabotar o Brasil na Rússia. Fora não conseguir controlar seu gênio. Ele já tem 25 anos, não é um garoto. Ele tomou um justo cartão amarelo. O juiz de vídeo mostrou ao árbitro francês Benoît Bastien um tapa que o camisa 10 deu no rosto do seu marcador japonês. Será que precisava? Tite precisa agir.

O jogo foi decidido no primeiro tempo. Em 35 minutos já estava 3 a 0. Aos nove, Yoshida pensou que estivesse em um octógono do UFC e derrubou Fernandinho na cobrança de escanteio. O juiz de vídeo avisou Bastien, que não viu. E o pênalti foi assinalado. Neymar cobrou e marcou. Aos 15 minutos, Yamaguchi deu um pontapé em Gabriel Jesus. Outro pênalti. O goleiro Kawashima defendeu, sem muito esforço. Mas não conseguiu nem chegar perto, no golaço de Marcelo, de pé direito, aos 17 minutos. 2 a 0.

Aos 35 minutos, a jogada que fez Tite vibrar. Danilo estava com a bola no meio da intermediária. Tocou para Willian. E disparou para a ponta. Era o 'ponto futuro', que o falecido técnico Cláudio Coutinho consagrou. O lateral do Manchester City cruzou forte, um toque só, e Gabriel Jesus, seu parceiro de clube, entrou como um raio marcando 3 a 0. Danilo não só marcou muito bem, como teve excelente participação no ataque. Muito mais constante que Fagner. A briga mais do que encaminhada para a reserva de Daniel Alves.

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Com a vitória garantida, o Brasil diminuiu o ritmo. Com os jogadores espertamente se poupando para terça-feira. Neymar passou a exagerar nos dribles. O Japão aproveitou a chance e passou a atacar em bloco. Seu time queria ao menos diminuir o placar. E conseguiu seu gol em um presente de Jemerson. Em um escanteio, ele não acompanhou a movimentação de Makino. Ele ganhou a dividida pelo alto. E segurou na sua camisa, sim. Mas depois que havia testado a bola para as redes de Cássio. 3 a 1, aos 17 minutos do segundo tempo. Por um lance idêntico, contra a Argentina, Gil deixou de ser chamado por Tite. Ele não perdoou a desatenção.

O treinador fez várias mudanças. Douglas Costa, Diego Souza, Taison, Renato Augusto, Alex Sandro, Cássio. Mas nenhum ganhou pontos no jogo de hoje.

O grande vencedor foi Danilo.

Quanto a Neymar, fica outra vez o alerta.

O Brasil precisa demais de seu futebol.

Está mais do que na hora dele parar de se exibir.

Provocar.

E brincar com a sorte.

Ou ele se esqueceu de Zúñiga?

Tite precisa agir.

Basta um chute maldoso no tornozelo de Neymar.

Ou um cartão vermelho tolo, bobo.

E a Copa do Mundo pode ser perdida...
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