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Daqueles que tive a sorte de ver jogar nos estádios e entrevistei. Pelé o melhor de todos os tempos. Maradona o mais talentoso, espetacular. E Messi o mais completo e o mais generoso. Só falta mesmo a Copa a Lionel…

Postado por Cosme Rímoli em 8 de janeiro de 2013 às 12:59 em Sem categoria | 110 Comments


Tive e tenho vários privilégios na carreira.

Assisti Pelé, Maradona e Messi em campo.

Entrevistei os três.

O brasileiro estava no final de sua brilhante carreira.

Mas fui premiado com um gol maravilhoso contra a Portuguesa, no Pacaembu.

A bola foi cruzada na sua direção.

Só com a matada de bola no peito tirou os zagueiros.

E fuzilou o pobre goleiro.

Foi no final da sua trajetória no Santos.

Pouco antes de ir para os Estados Unidos jogar no Cosmos.

Falei com quem jogou, conviveu e até com quem o marcou.

"Nunca houve, não há e não haverá jogador como ele."

Me disse Beckenbauer no Mundial de 2006.

O alemão respondia a um francês sobre Zidane, quando indaguei sobre Pelé.

O que fez em campo foi absurdo.

Recomendo como obrigatório o DVD "Isto é Pelé".

É possível entender porque é o melhor jogador de todos os tempos.

Não é ufanismo brasileiro.

Ele foi um jogador extraordinário, digno de todos os adjetivos.

Insuperável.

Fiz algumas entrevistas com ele.

A mais marcante foi quando era ministro extrordinário dos Esportes [1].

Fernando Henrique o colocou no cargo.

Mas seu ministério não tinha força alguma, esvaziado, boicotado.

Pelé desabafou sobre a classe política, mostrou sua indignação.

E se afastou para nunca mais voltar.

Conseguiu pelo menos ter sua passagem marcada pela Lei Pelé.

Lei que mudou a relação entre os jogadores e os clubes.

Acabou a escravidão.

Na verdade, Zico tem muito mais participação nesta lei.

Mas essa é outra e longa história.

Pelé tem seus pecados na vida como todos nós.

A complicada relação com a falecida filha Sandra e os netos, por exemplo.

Mas dentro do campo foi fabuloso.

Dos três, quem pude acompanhar mais de perto foi Maradona.

O JT me incumbiu de cobrir a Seleção Argentina na Copa de 1994.

Os tempos eram outros.

O acesso era muito mais fácil.

Falar com um gênio como Maradona depois do treino era fácil.

Acompanhei de perto o treinamento do time de Alfio Basile.

Vi o quanto um treinador ruim, medroso, pode matar uma boa equipe.

Maradona estava querendo provar ao mundo que ainda era o maior do mundo.

Eu mal sabia que acompanharia o mais sensacional caso de doping de uma Copa.

Antes disso vi todos os treinamentos.

A habilidade extraordinária com o pé esquerdo.

Ele adorava se mostrar.

Não para a imprensa, mas para os companheiros.

Após todos os treinos era um show.

Parecia um malabarista fugido do Circo de Soleil.

Quando estava de bom humor falava, provocava, prometia.

Jurava que iria ganhar a Copa.

Nos coletivos, desequilibrava com seus dribles, chutes, lançamentos.

Foi o jogador mais talentoso que vi treinar neste 28 anos de carreira.

E tive a sorte de acompanhar Zidane, Ronaldo, Zico, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Neymar.

Maradona, ao contrário de Pelé, sempre sofreu com os times nos quais jogou.

Nunca teve companheiros que se aproximassem de sua genialidade.

Por isso ganhou tão pouco.

E foi tão individualista.

Falei com Diego sobre isso, mas ele sempre os defendeu.

Em Dallas acompanhei o fim da sua credibilidade.

Ele estava gordo antes da Copa e poucos acreditavam que jogaria.

A cocaína e obesidade o perseguiam.

Mas surpreendentemente se apresentou esguio, pronto para jogar.

O exame antidoping depois da vitória contra a Grécia foi cruel.

Efedrina na sua urina.

Substância primária até que acelera o metabolismo.

E absolutamente proibida.

Estava em Dallas e tive acesso às entrevistas dos médicos.

Dos membros da delegação argentina.

Ao choro do jogador que jurou sabotado, traído.

A versão fantasiosa para esconder o doping.

A FIFA havia prometido que Maradona jogaria a Copa e não se submeteria a exames.

Ou seja: teria a liberdade de se dopar.

Até para garantir maior atenção dos Estados Unidos à disputa.

Mas João Havelange teria traído o pacto.

A versão mais bizarra veio de um dos dirigentes da AFA.

Inesquecível.

Havelange, com medo do sucesso da Argentina, resolveu tomar providência.

Enviou um padre à concentração para celebrar uma missa.

E ele teria dado uma hóstia com efedrina para o jogador.

Lógico que era desespero puro misturado com excesso de fantasia.

Maradona foi suspenso e a Copa de 1994 acabou para a Argentina.

Vi o último seu último jogo em um Mundial.

A vida pessoal de Diego foi desde então uma sucessão de excessos.

É uma sombra patética do que representou dentro de campo.

E seu talento, inesquecível.

O que fez na Copa de 1986 é absurdo.

Não faltam dvds sobre Maradona e precisam serem vistos.

Depois desses dois gênios, Messi.

O argentino tem a sorte da atuar na era digital.

Todo sua genialidade está sendo registrada para a posteridade.

O acompanhei na Copa da África.

Perdido entre companheiros fracos.

Time mal montado.

Sucumbiu.

Voltaria a vê-lo no gramado, no estádio, no Japão.

Na final contra o Santos.

Foi inacreditável acompanhar da tribuna de imprensa a sua movimentação.

Entre os inúmeros adjetivos que o persegue, um é pouco repetido.

Lionel é generoso.

Contra o Santos de Muricy ele teve todo espaço.

Tabelou, fez gol, driblou, lançou.

Flutuou no ataque, veio pegar a bola na defesa.

Foi ponta direita, esquerda, centroavante.

Técnica espetacular e usada a favor dos companheiros.

Vi, ninguém me falou, Messi acalmando o próprio time.

Segurando o ímpeto catalão depois dos 4 a 0 contra o Santos.

Ele não quis humilhar ainda mais o time de Neymar.

Naquele friorento domingo em Yokohama, o Barcelona poderia ter vencido por 7 a 0.

Foi o argentino e mais Pep Guardiola que fizeram a equipe se contentar.

E tocar a bola, deixar o tempo passar.

4 a 0 estava bom demais.

Não bastasse o grande futebol [2] de Iniesta e Xavi, Messi faz bem demais ao Barcelona.

E à Seleção Argentina.

Ele eleva o nível de quem joga com ele.

Consegue tirar o melhor, areja, faz fluir a equipe onde joga.

Sua visão de jogo é raríssima.

E consegue mesclar individualismo com jogo coletivo.

Estava em New Jersey, no ano passado.

Assisti à vitória dele contra a Seleção Olímpica do Brasil.

Ele fez dois gols.

O que decidiu a partida, maravilhoso.

Invadiu a intermediária brasileira driblando.

E da entrada da área chutou forte demais, no ângulo.

Na vitória por 4 a 3 percebi que sua felicidade era diferente.

Estava muito orgulhoso, ao contrário de quando foi campeão do mundo.

Está cada vez mais confiante com a camisa da seleção de seu país.

Aceito pelos companheiros.

Sabella é inteligente e está conseguindo seguir pelo caminho do futebol solidário.

Fazer de Messi a peça fundamental da engrenagem, não a única. Perfeito.

Ele venceu ontem a sua quarta bola de ouro consecutiva.

Quatro vezes seguidas.

Para tristeza do egocêntrico e sensacional Cristiano Ronaldo.

Ele está mesmo um degrau abaixo do argentino.

Não tem a mesma onipresença do argentino.

Nos tempos atuais, vi pouquíssimo do treinamento de Messi.

A Argentina e o Barcelona escondem suas equipes como tesouros.

Mas percebi que ele coloca a genialidade em favor do time.

Não para show individual.

Ele é o mais completo jogador do mundo.

Não o mais espetaculoso, que é o vaidoso português.

Messi falar para jornalistas que não conhece é raro.

Mas perguntei rápido, após a vitória diante do Santos.

Quis saber como via a sua importância no Barça e na Argentina.

A resposta foi direta.

"Gosto de ser mais um.

O importante é o time em que estou jogar bem."

Não falou nem ganhar, conquistar campeonatos.

Ele tem prazer em jogar e fazer sua equipe atuar bem.

Messi é disparado o melhor do mundo.

E tem apenas 25 anos.

Como ele mesmo disse.

Agora só falta a Copa do Mundo.

Pelé e Maradona já tiveram o privilégio de vencer.

Segurar, beijar a taça mais desejada do futebol.

Procure o Lexotan, Felipão.

Diante da pergunta óbvia diante daqueles que vi no estádio.

Para mim, Pelé foi o melhor.

Maradona o mais talentoso.

Messi, o completo.

E generoso...


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