216 Internacional decide não recorrer da multa pela falsificação dos e mails. Por medo de disputar a Terceira Divisão e ficar proibido de contratar. Del Nero comemora. Fica o aviso para quem tentar buscar o tapetão...

Depois do escândalo envolvendo a Portuguesa e seu estranho rebaixamento, em 2013, Marco Polo del Nero ficou revoltado. Ele era vice-presidente da CBF. Foi direto com o então mandatário, José Maria Marin. Se quisessem manter o poder no futebol brasileiro, era hora de acabar com o tapetão. Clube algum poderia ser salvo por advogados, caso fosse para a Segunda Divisão no gramado.

A questão envolvia muito mais do que honestidade. Mas a própria sobrevivência dos dois dirigentes. Mesmo envolvendo um clube de menor representatividade, a Portuguesa, a credibilidade do futebol brasileiro sofreu um golpe imenso. E que irritou a grande parceira TV Globo e os patrocinadores que bancam o futebol na emissora e também os que associam sua imagem com a CBF.

Marin acabou se tornando presidiário na Suíça e aguarda julgamento nos Estados Unidos por corrupção. Tem uma tornozeleira eletrônica na sua canela esquerda e tem câmeras espalhadas por seu apartamento, ligadas à polícia norte-americana, que o acompanha por 24 horas. E, para pagar seus advogados que o mantém em prisão domiciliar em Nova York, há dois dias, ele vendeu uma mansão em pleno coração do Jardim Europa, área nobre da capital paulista. A área possui 2.600 metros, 818 metros de área útil, dois andares, 12 salas, 10 banheiros e estacionamento para 30 carros. Conseguiu R$ 11,5 milhões.

O ex-governador biônico de São Paulo e ex-presidente da CBF está abrindo mão dos seu patrimônio. Por um motivo muito simples. Seus amigos, inclusive Marco Polo del Nero, não o estão ajudando financeiramente. Seus gastos passam dos R$ 200 mil mensais.

Embora também seja investigado pelo Departamento de Justiça Norte-Americano e pelo FBI, Marco Polo segue comandando a CBF sem problemas. Apenas, por aconselhamento de seus advogados, não sai do Brasil. Há o medo de que surja sentença pedindo sua deportação quando estiver fora do território nacional. Aqui, ele está tranquilo, não há tratado de extradição entre o Brasil e os Estados Unidos.

Mas há a questão interna. Sabe que ele e Marin foram salvos pela Bancada da Bola em Brasília, que dissuadiu Dilma Rousseff de uma intervenção na CBF, logo após o vexame da Copa do Mundo de 2014. Em março de 2015, Del Nero assumiu a presidência. Dois meses depois, Marin foi preso na Suíça.

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E Del Nero sabia que para se manter no cargo, a credibilidade do futebol brasileiro precisaria se manter. E o primeiro passo seria avisar que, com ele, clube algum escaparia do rebaixamento nos tribunais.

O Internacional não levou a sério o aviso.

E os gaúchos caíram em 2016. E decidiram recorrer ao tapetão. Usaram o recurso que o Bahia já houvera tentado ao perder o Estadual do ano passado. Alegar que Victor Ramos foi inscrito ilegalmente. A alegação é que a transferência do zagueiro para o Vitória teria sido considerada nacional, quando na verdade deveria ter sido feito um processo internacional, pois os direitos pertenciam ao Monterrey.

O STJD negou o recurso do Internacional. O clube foi até o CAS (Comitê Arbitral de Esporte) na Suíça, último recurso na área esportiva. E também não conseguiu. O CAS alegou não ter jurisdição para julgar a questão. Ou seja, o que o STJD havia decidido seria colocado em prática. Pela primeira vez na sua história, o Internacional disputaria a Segunda Divisão.

Só que Marco Polo del Nero foi avisado que a defesa do Internacional teria cometido algo muito grave. Falsificado trechos de e-mails trocados entre funcionários da CBF e do Vitória. A manipulação, comprovada por peritos, dava a entender que haveria a tentativa da CBF acobertar a irregularidade.

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Del Nero fez questão que tudo fosse levado às 'últimas consequências'.

E o Internacional foi julgado por haver infringido os artigos 61 e 136 do Código Disciplinar da Fifa. Confira os artigos 61 e 136 do Código Disciplinar da Fifa:

Artigo 61
1. Quem, no âmbito de qualquer atividade própria do futebol, crer em um documento falso, falsificar um documento ou utilizar um documento falsificado com o fim de enganar em atuações judiciais será punido com multa.

4. Pode-se responsabilizar uma associação por uma infração, tal como se define no inciso 1 deste presente artigo, cometida por um de seus dirigentes e/ou jogadores. Neste caso, além da imposição de uma multa, poderá se punir com a exclusão da associação de uma competição.

Artigo 136
Aplicação
1. Quando a infração cometida se qualificar como grave, particularmente, ainda que não exclusivamente em casos de doping, tentativas de influir ilegalmente nos resultados de jogos, conduta incorreta frente a oficiais de partidas, falsificação de títulos ou violação das disposições relativas a limites de idade, as associações, confederações e outras entidades desportivas organizadoras devem solicitar à Fifa a extensão do âmbito mundial das punições que forem impostas.

Ou seja, o Internacional poderia ser rebaixado da Segunda Divisão para a Terceira. Além de ficar proibido de contratar jogadores. Além de multa.

A 5ª Comissão Disciplinar do STJD decidiu 'apenas' por multar o clube. R$ 810 mil, a ser doado para instituições de caridade. Mas além do clube, o alvo foi o ex-presidente do Internacional, Vitório Piffero, que foi o responsável pela busca do tapetão. Ele foi suspenso por 555 dias do futebol e terá de pagar uma multa de R$ 90 mil. Caberia recurso tanto ao clube quanto ao ex-dirigente.

O atual presidente do Internacional, Marcelo Feijó de Medeiros, decidiu ontem. Não vai recorrer da punição. Politicamente, ele já percebeu que tudo poderia piorar. Vai pagar a multa e seu time seguir na Segunda Divisão.

Empatou hoje com o Santa Cruz em 0 a 0.

E segue em quinto na Segunda Divisão.

1reproducao22 Internacional decide não recorrer da multa pela falsificação dos e mails. Por medo de disputar a Terceira Divisão e ficar proibido de contratar. Del Nero comemora. Fica o aviso para quem tentar buscar o tapetão...i dado.

Será esse o tratamento dado a quem procurar o tapetão.

Seja o clube rebaixado o clube que for.

Não quer mais a opinião pública contra a CBF.

E principalmente a Globo e os patrocinadores.

"Comigo não tem essa história de virada de mesa", garante Del Nero.

Pena que seja com três anos de atraso.

O rebaixamento de 2013 custou caro demais à Portuguesa.

Ela padece.

Abandonada pelos patrocinadores, sem dinheiro.

Depois de duas quedas seguidas, padece na Quarta Divisão...

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