1reproducao6 Cueva e Pratto. A desilusão com o São Paulo que comemora fuga do rebaixamento
Hernanes é muito esperto.

Sabe o seu poder catalisador diante da imprensa e da torcida do São Paulo. Ele é o grande líder do São Paulo. Apesar de ter sido rejeitado no futebol chinês, ele se mostrou o grande acerto da fraca dupla que comanda o futebol do clube, Leco e Vinicius Pinotti.

Hernanes sabia da frustração que o 0 a 0 de ontem no Pacaembu. O resultado foi ruim porque praticamente matou a chances do clube disputar a Libertadores de 2018. E mais, Cueva deveria ser o maestro do time, o grande responsável por coordenar as jogadas ofensivas. Já que Hernanes estava suspenso. E Maicosuel contundido Só que o peruano faltou porque quis no treino de sábado pela manhã, no qual Dorival Júnior definiu a equipe para o confronto de ontem. O jogador nem se deu ao trabalho de inventar desculpas.

Dorival Júnior se viu obrigado a escalar dois garotos no meio de campo, Shaylon e Lucas Fernandes. Levou o peruano para o banco de reservas. Lá, o jogador assistiu à grande parte do jogo. Riu, brincou, se divertiu com o uruguaio Lugano e o argentino Buffarini, dois jogadores que não seguirão na equipe em 2018. Entrou aos 15 minutos do segundo tempo, teve uma atuação mediana e saiu sem dar entrevistas, satisfação pelo atraso.

Hernane percebeu o problemático quadro.

O São Paulo ficaria outra vez exposto às críticas. Pela falta de pulso da diretoria, pela postura amena de Dorival Júnior diante do descaso de Cueva. E também com o frustrante 0 a 0, que matou o sonho da Libertadores. Ainda restam dois jogos, no Paraná, contra o desesperado Coritiba. E diante do Bahia, no Morumbi, com o time de Paulo César Carpegiani dono de uma reviravolta nas expectativas, em vez do rebaixamento certo de meses atrás, luta a sério pela Libertadores.

Hernanes decidiu comemorar o que sobrou para o São Paulo, em 2017. Não ser rebaixado.

Encarnando o personagem que criou, encarou o celular. "Momento profético. Hoje o momento profético é um pouquinho alegre. (começa a cantar) "Sou tricolor, nunca fui rebaixado...Sou tricolor, nunca fui rebaixado..." E começa a girar, abraçado com um amigo.

Tem mais de 96 mil visualizações e quase três mil curtidas.

O foco pode ter sido desviado.

Muitos se lembraram que não existe mais a ameaça de rebaixamento.

Só que essa compensação é um vexame para o clube tricampeão mundial.

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E que arrecadou R$ 181 milhões no frenético balcão de negócios que virou o Morumbi. Rasgando o planejamento, chegou a nada menos do que o triplo dos R$ 60 milhões, previstos no início da temporada. Leco e Pinotti gastaram R$ 50 milhões em reforços. Tiveram um lucro fabuloso, R$ 131 milhões. Se fosse um banco, os dois ganhariam promoções, bônus. Mas como, infelizmente para eles, comandam um dos maiores clubes de futebol do mundo, a gestão foi um fracasso.

Além de não conquistar um título sequer, o time bateu recorde de permanência na zona do rebaixamento. Foram 12 rodadas de humilhação. Pinotti já que não conseguiu montar um time para ganhar títulos ou sequer chegar à Libertadores de 2018, Pinotti anda orgulhoso. Descobriu como levar torcedores ao estádio. Aviltando o preço dos ingressos, chegou a R$ 10,00. E fazendo de conta que não percebia que o Morumbi estava cheio porque a torcida não queria ver o São Paulo na Segunda Divisão. Compensar no grito, nas palmas, no apoio, a incompetência de Leco e seu milionário braço direito.

Mas Cueva está trazendo todos à realidade. O peruano não quer continuar no São Paulo em 2018. Ele acreditou que estava trocando o futebol mexicano para jogar no brasileiro e conquistar títulos, fazer história em um clube tricampeão mundial. Não comemorar a fuga do rebaixamento. Não precisa disso.

Com a suspensão de Guerrero, Cueva se transformou na maior estrela peruana. E grande responsável pela volta do país à disputa da Copa do Mundo, depois de 36 anos. Em ótima fase, principalmente com a camisa peruana, agentes acreditam que ele tenha espaço no futebol europeu. Ele teve uma passagem relâmpago no Rayo Vallecano por empréstimo. Só entrou em campo duas vezes em 2013. Agora, mais vivido, valorizado, quer voltar ao Velho Continente. Ou ao México, onde era muito respeitado.

Cueva já pediu duas vezes para ser vendido no São Paulo. Os dirigentes o convenceram a ficar. Durante essa temporada ele já foi reserva, acusado de estar acima do peso e questionado publicamente por Rodrigo Caio.

Não foi por acaso que ele nem se deu ao trabalho de explicar a falta ao treinamento importante de sábado. Os dirigentes prometem que vão multá-lo por seu atraso.

"99% das vezes que o dirigente promete que vai multar um atleta importante, essa multa nunca chega. É só uma questão de dar satisfação aos torcedores e à imprensa", já me disse Edmundo.

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Outro que foi prejudicado por ficar no São Paulo em 2017 foi Lucas Pratto. Com a campanha pífia do time, seus gols minguaram. E acabou alijado da Seleção Argentina. Além disso, o jogador confidenciou ontem que estava jogando com dores, no sacrifício.

"Estou insatisfeito com o meu desempenho. Mas, como já aconteceu com Petros e Militão, que jogaram com lesões, estou nesse processo que já dura um mês. Minha perna não está legal. Conversei agora com a comissão técnica e com os médicos e disse que, como atingimos o nosso objetivo, vou parar um pouco. Não vou treinar esta semana. Preciso fazer exames. Não consigo chutar a bola com força. É o momento de parar", ou seja, ele não está disposto a atuar os dois últimos jogos. Quer se recuperar. Acredita que a missão está cumprida, o São Paulo não será rebaixado.

O técnico do River Plate, Marcelo Gallardo, indicou Lucas Pratto como reforço que deseja para 2018. O jogador já deu entrevistas para veículos argentinos, garantindo que um dia voltará ao seu país. Ele é outro que não está exatamente alegre por estar no São Paulo. Acreditou que a diretoria montaria um grande time, buscando títulos importantes. Por isso deixou o Atlético Mineiro.

Rodrigo Caio foi outro que apenas marcou passo na carreira. Ele desprezou ofertas da Europa. Acreditava em uma grande arrancada do São Paulo neste semestre. E a confirmação como parte do grupo que vai disputar a Copa de 2018. Só que, os fracassos da equipe, só deixaram o Mundial do próximo ano cada vez mais longe. Perdeu dinheiro, tempo e espaço na Seleção. Se receber uma boa proposta na janela do final do ano, irá embora. Sem pestanejar.

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Enquanto isso, as organizadas e os torcedores comuns se preparam.

Esperam o jogo contra o Bahia, no Morumbi.

Não, não sonham com nada.

A não ser protestar contra Leco e Pinotti.

Esperaram o time fugir do rebaixamento.

E vão mostrar toda a frustração contra a dupla incompetente.

Que transformou o clube em um balcão de negócios.

E cuja única alegria em 2017 foi fugir da Segunda Divisão.

Porém, ficar 12 rodadas no Z4...

E comemorar não cair são situações de time pequeno.

Não da grandeza do São Paulo Futebol Clube...

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