Publicado em 14/03/2013 às 09h48
Cuca pode começar a se arrepiar. Alexandre Kalil, empolgado, já revela articular para a final da Libertadores ser no Independência. E já avisa que, nas oitavas, o ingresso ficará ainda mais caro. Para o dirigente pagar entre R$ 40,00 e R$ 600,00 é muito barato para o atleticano…
Não faz nada bem no futebol.
É preciso serenidade nas derrotas.
Muitas vezes, ainda mais nas vitórias.
A campanha do Atlético Mineiro na Liberadores é empolgante.
A melhor entre todos os 32 clubes da Libertadores.
São quatro jogos, quatro vitórias.
Elas são representativas.
Tanto fez Belo Horizonte, Argentina, Bolívia.
O time se impôs diante da cobrança de sua torcida.
Envergonhou os torcedores do Arsenal, goleando em Sarandi.
E se superou no ar rarefeito de La Paz, vencendo o The Strongest.
A equipe de Cuca já está sendo cantada em verso e prosa.
O treinador faz o possível para seus jogadores não se empolgarem.
Embora rodados, Ronaldinho, Tardelli, Jô, Victor estão confiantes.
Percebem que o time encaixou e descobriu sua maneira de disputar a Libertadores.
Com um futebol solidário, com os setores agrupados, em bloco.
São pelo menos nove jogadores atrás da linha da bola quando é atacado.
E a velocidade nos contragolpes leva pelo menos três jogadores como opção para quem tem a bola.
As vitórias seguidas vão mostrando que há espaço para o sonho.
O desejo do título inédito na sua história.
Uma coisa bem diferente é ter o sonho.
Acalentá-lo entre os seus.
Outra é expor, avisar como ele será.
Esse costuma ser um erro fatal.
Porque, caso não se concretize, a cobrança virá.
Forte, pesada.
No caso da Libertadores, pior ainda.
É esta falta de visão que atingiu em cheio Alexandre Kalil.
O presidente do Atlético Mineiro está desesperado pelo título.
Tem ao seu lado em Belo Horizonte um vizinho incômodo.
O Cruzeiro com suas duas Libertadores.
E o novo Mineirão remodelado, como palco, com capacidade para 62 mil pessoas.
Kalil mantém um time que vale pelo menos o dobro do que o rival.
A folha salarial já ultrapassa R$ 6,5 milhões.
O dirigente quer fazer matar duas raposas com uma cajadada.
Ganhar a Libertadores e ter um lucro inédito, usando a empolgação de seus torcedores.
Transformar 23 mil lugares em 62 mil.
O truque é uma saída bem desagradável.
E usado pelo Corinthians desde que trocou de vez o Pacaembu pelo Morumbi.
Aumentar ao máximo o preço dos ingressos.
Ou seja, fazer com que cada torcedor pague por três, por quatro atleticanos.
De uma maneira discreta, o clube já cobra caro para quem vai à Libertadores.
Os preços vão de R$ 40,00 a R$ 600,00.
Com a classificação antecipada às oitavas, veio a novidade.
Os ingressos vão aumentar.
O presidente quer muito mais do que arrecadou nos primeiros jogos da competição.
Contra São Paulo e The Strongest, foi em média, pouco mais de R$ 950 mil.
O que já é interessante, porque o público pagante foi de 18 mil torcedores.
A meta é atingir pelo menos R$ 1,2 milhão.
Kalil deixa escapar algo que não deveria.
Que seu departamento jurídico já estuda algo que deveria ser secreto.
Uma maneira de levar a final da Libertadores para o Independência.
Mesmo com a Conmebol avisando que só estádios com mais de 40 mil acolhem a decisão do torneio.
Uma meia verdade.
Já que o Santos decidiu em 2011 no Pacaembu contra o Peñarol.
Foram 37.984 santistas.
E uma renda de R$ 4.266.670,00.
E o Corinthians em 2012, diante do Boca Juniors.
Com 40.186 presentes e 37.959 pagantes.
Arrecadação de R$ 2.580.912,00.
Números que mexem com o coração do dirigente atleticano.
Ele deseja uma façanha.
Virar as costas com gosto para o novo Mineirão.
Principalmente para a nova administração do estádio.
No programa Alterosa no Ataque declarou sem meias palavras.
Sobre a pressão de levar o Atlético para o Mineirão na fase decisiva da Libertadores.
"Eu não ligo para pressão.
Não é Minas Arena, empresa de fora que fará pressão.
Eu não sofro pressão nem do governo, imagina de empresa de fora.
Se ela quiser sentar com bons modos financeiramente, o dobro do que está no contrato, não me interessa.
Eu não vou arcar com 70% de despesas no ar-condicionado de camarote que eu tenho zero.
Não sou retardado mental."
Toda essa conversa antecipada até sobre decisão de Libertadores é prematura.
Ainda mais para Cuca, um treinador traumatizado.
Basta se lembrar de 2011.
Ele fez uma campanha sensacional na primeira fase da competição.
Foi o melhor entre todos os times.
Era o treinador do Cruzeiro.
A empolgação da diretoria e da torcida era enorme.
Chegou logo primeiro mata-mata, contra o Once Caldas.
E o time foi eliminado.
Por isso, é preciso bom senso.
Sangrar os próprios torcedores já virou moda no Brasil.
Mas falar em final de Libertadores depois de quatro jogos é demais.
Até mesmo para Alexandre Kalil.
Pressão desnecessária sobre um time que está empolgante...
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