1divulgacaoflamengo Covardia sabotou o Flamengo. Zé Ricardo foi o responsável pela bipolaridade do time. Na Gávea,  2017 acabou em maio. Para alívio dos grandes rivais na Libertadores: Palmeiras e Atlético Mineiro...
"Cheirinho no ar".

A frase invadiu os potentes alto-falantes da arena do Palmeiras, logo após a vitória diante do Internacional. Deveria ser irônica. A maioria dos 32 mil torcedores presentes no estádio sabia a que se referia. À eliminação precoce do Flamengo da Libertadores.

A ironia, na verdade, era respeito. Na avaliação feita pela Comissão Técnica palmeirense, os flamenguistas tinham tudo para serem os rivais mais poderosos na Libertadores. Pela qualidade do elenco; a torcida mais vibrante do Brasil, capaz de fazer tremer o Maracanã; o revigorado poder financeiro, a força nos bastidores, com o eterno apoio da TV Globo.

Mas para alívio de Cuca e Mauricio Galiotte, pela terceira vez consecutiva, o Flamengo caiu. Não estará no sorteio das oitavas-de-final. Parou no início da Libertadores, ainda na fase de grupo.

Não será apenas o Palmeiras que se alegrou com a queda do time da Gávea. Eduardo Bandeira de Mello, depois de conseguir tornar o clube viável economicamente. O clube ainda deve muito. R$ 390 milhões. Mas a conta já batia nos R$ 750 milhões, em 2013. Fora o fato de não ter sequer um Centro de Treinamento decente. Nem sonhar em administrar o Maracanã. Ou reformar o estádio da Portuguesa, na Ilha do Governador, para usar como seu, em partidas menores.

Tudo isso foi feito, mas o time caiu na Libertadores.

"Não haverá caça às bruxas", bradava nesta madrugada, Bandeira de Mello. O recado do dirigente não poderia ser mais transparente. Não demitirá Zé Ricardo, apesar das substituições equivocadas. Nem vai buscar novo goleiro, depois das falhas de Muralha nas saídas do gol. O dirigente acredita na manutenção da base, do trabalho, no futebol.

"Se pensam que cabeças rolarão, podem tirar o cavalo da chuva", avisava o presidente. Ele sabe que enfrenta oposição no Flamengo. E esta eliminação deverá ser aproveitada por grupos que tentam voltar ao clube.

É uma postura equilibrada.

Sensata.

Mas artificial.

É lógico que o Flamengo sentirá o golpe. Não montou uma equipe milionária à toa, com jogadores caros como Guerrero, Diego, Berrio, Trauco, Juan. E Conca que, contundido, sequer estreou. Estava sendo preparado para as fases agudas da Libertadores.

O sonho era a reconquista da competição, depois de 1981.

E a disputa do Mundial de Clubes, nos Emirados Árabes.

Só que tudo acabou ontem à noite.

Restam Brasileiro, Sul-Americana e Copa do Brasil.

Mas a sensação é que, embora em maio, 2017 já acabou.

A reação dos torcedores foi ainda na madrugada.

Inúmeros deles usaram as redes sociais não só para protestar contra o time, contra o treinador, contra os dirigentes. Mas reclamar de algo inacreditável. Estavam tentando se desligar do plano de sócios-torcedores. Mas só que, de forma muito estranha, o site estava fora do ar. Flamenguistas acusavam ser algo proposital. Evitar a debandada por impulso, raiva.

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Torcedores alegavam estar desempregados e mantinham por amor ao Flamengo e pela fé na Libertadores, o pagamento. Com a eliminação, desejavam parar de pagar. Depois de horas fora do ar, o site já estava restabelecido nesta manhã, pronto para quem desejasse fazer o cancelamento. De qualquer maneira, é uma situação digna de verificação por parte do Procon.

É evidente que a situação na Gávea não ficará tranquila.

Quem de direito será cobrado, apesar de Bandeira de Mello.

O nome inicial será Zé Ricardo.

O treinador fracassou na primeira Libertadores que disputou na vida. Assim como acontecia com Eduardo Baptista, no Palmeiras, ele disputava a competição com uma cobrança enorme. A pressão para vencer era transparente.

Os três maiores públicos de 2017 no Brasil foram no Maracanã. Nos três jogos que o Flamengo fez na primeira fase da Libertadores. Flamengo 3 x 1 Universidad Católica, 54.555 pagantes; Flamengo 4 x 0 San Lorenzo, 54.052 pagantes; 3º Flamengo 2 x 1 Atlético Paranaense, 53.389 pagantes.

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Foram arrecadados R$ 10,5 milhões nestes jogos.

Nas oitavas de final, os ingressos seriam aumentados.

A previsão era que a arrecadação deveria subir muito.

Chegar a pelo menos R$ 5 milhões por jogo no Maracanã.

Fora as premiações milionárias da Conmebol.

Quem chegar ao título embolsará R$ 16,6 milhões.

O que mais irrita os torcedores e imprensa carioca é a campanha do Flamengo. O time, montado para ganhar a Libertadores, teve um comportamento bipolar. Inadmissível para quem deseja conquista.

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Foram três vitórias em casa.

E três derrotas fora.

No Maracanã, o time de Zé Ricardo se comportou com toda coragem, vibração, firmeza. Equipe convicta de sua força, acreditando que estava na competição para ser campeã.

Fora do Rio de Janeiro, o Flamengo caiu na fácil tentação de se acovardar. Virou uma equipe acanhada, medrosa. Dando toda a iniciativa do jogo para o Atlético Paranaense, para a Universidad Católica e ao San Lorenzo. Pagou pelo medo.

O desfalque do grande jogador de Diego tem sim de ser levado em consideração. É um dos únicos talentos a atuar neste país. Mas só a sua ausência não serva como escudo, como desculpa para Zé Ricardo.

Assim como Eduardo Baptista fazia com o Palmeiras, o jovem treinador flamenguista se deixou levar pela tensão, pela tentação dos contragolpes, pela preguiça tática. Instalou insegurança, tensão e falta de confiança em um elenco ainda em formação.

A eliminação precoce do Flamengo é algo pesado demais.

O restante do ano terá como missão apenas voltar para a competição em 2018. Se vierem os títulos do Brasileiro, da Sul-Americana e da Copa do Brasil, todos juntos, não compensarão a desclassificação de ontem.

O Flamengo, ao lado do Palmeiras e do Atlético Mineiro, tem um dos melhores e mais caros elencos da América Latina. Conseguiu um milagre financeiro. Se modernizou como clube. Passou a se respeitar.

Mas o planejamento para conquistas importantes como a Libertadores está falho. Como o Palmeiras estava fazendo, treinador que nunca disputou uma Libertadores e, tem a obrigação de ganhá-la, é algo pesado demais. Aconteceu. Até na própria história do Flamengo.

Com Paulo César Carpegiani em 1981.

Só que seu time era Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Adílio, Andrade, Lico e Zico, Tita e Nunes. Essa equipe não precisava nem de treinador.

O que não é o caso do Flamengo de 2017.

Zé Ricardo teve um começo brilhante.

Mas falhou na competição que realmente importava.

A eliminação precoce causou enorme prejuízo na Gávea.

E alívio para os rivais Palmeiras e Atlético Mineiro...
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