517 Corinthians. Para calar a boca de muitos...3 a 1 no Fluminense. Hepta brasileiro
"Quarta força de São Paulo.

Vai lutar para não cair.

Time humilde, formado com um quinto que o rival Palmeiras gastou."

O Corinthians de Fábio Carille superou todas as previsões. Calou inúmeras bocas. Superou qualquer previsão otimista. Venceu o Paulista. E ganhou hoje o heptacampeonato brasileiro. Da maneira mais saborosa ao corintiano. De virada, a sua única no Brasileiro. Saiu perdendo a um minuto, gol de Henrique. Mas Jô marcou dois de cabeça, em três minutos, se isolando como artilheiro do Brasileiro, e o último veio de Jadson, em belíssimo chute cruzado.

3 a 1 no lutador Fluminense de Abel Braga. 71 pontos. Dez de vantagem em relação ao Grêmio. Faltando três rodadas. Inalcançável. O título do Brasileiro de 2017 está nas mãos mais merecidas. O Corinthians superou qualquer expectativa, se superou. Mostrou a força tática. Vibração, coração. Fez um primeiro turno espetacular. Oscilou. Teve força e alma para se recuperar e é um dos campeões nacionais mais surpreendentes. E ostenta o sétimo troféu deste país. "Sem fax", como estava escrito por vários torcedores no Itaquerão. Todos os títulos conquistados em campo, depois de 1971.

"Estou muito feliz. Primeiro, pelo título, agradeço a Deus. Ficar na história do clube como primeiro artilheiro do Brasileiro é maravilhoso. Mas o título é maravilhoso para essa torcida, que merece. Quem tem fé em Deus nunca pode desistir. A equipe oscilou, mas coroamos com o título. Ninguém merecia mais do que nós", dizia, com emoção e toda verdade, Jô.

O atacante de 30 anos representa como ninguém a mudança de expectativa corintiana. Assim como o time, começou janeiro desacreditado. Resultado de uma fase desenfreada na vida. Foi no Parque São Jorge, onde nasceu para o futebol, onde foi buscar forçar e surpreender aqueles que já haviam decretado o final de sua carreira. Foi o atacante eficiente, artilheiro e responsável por desequilibrar o Brasileiro para o time que ama.

"Engolimos muita coisa, ouvimos muita coisa. Mesmo ganhando, tinha gente que não acreditava. Merecemos tudo que fizemos. Pudemos aproveitar e deixar nosso nome, mais uma vez, na história do clube. E agora, vão falar o que?", perguntava, irônico, o artilheiro do Brasileiro.

Jô e o Corinthians calaram a boca de muitos.

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Fábio Carille também. O ex-auxiliar de Tite que foi confirmado como treinador por pura falta de dinheiro. Não pela visão extraordinária do presidente Roberto de Andrade. Muito ao contrário. Carille foi o responsável por fixar o esquema que Tite tanto ama, o 4-1-4-1. E fez seu time usar toda a intensidade, vibração no preenchimento dos espaços, usar como ninguém as triangulações pelas laterais, que terminavam em cruzamentos da linha de fundo, na verdade, passes para seu artilheiro de 1m93 cabecear para as redes.

Com Fagner e Guilherme Arana jogando bem demais, assim como Rodriguinho e Jadson, Pablo e Balbuena, o Corinthians, campeão paulista, teve um primeiro turno de Brasileiro, sensacional. Terminou disparado, invicto. 14 vitórias e cinco empates, algo inédito na história do campeonato.

O time oscilou no segundo turno, mas a vantagem conquistada na arrancada da primeira metade do campeonato era grande demais. Além disso, clubes como Grêmio, Palmeiras e Santos se perderam. Abandonaram o Brasileiro cedo demais, preocupados com a Libertadores. E facilitaram a vida corintiana.

A verdade é que o Corinthians precisava apenas de uma vitória hoje em Itaquera. E o time passou por seu derradeiro teste. Tomou o primeiro gol a um minuto de jogo, em uma falha bizarra de posicionamento em um mero escanteio. O zagueiro Henrique cabeceou como quis para as redes de Caíque. A manutenção do jovem goleiro, apesar de Cássio ter voltado da Seleção a tempo, foi outro acerto em cheio de Carille. Demonstração explícita de confiança no seu grupo.

O gol foi um choque e tanto para a equipe. Nunca, nas 34 partidas que havia disputado no Brasileiro, o time havia conseguido virar um jogo. O limitado, mas esforçado Fluminense de Abel Braga, logo tratou de se fechar. Sabia que o rival era melhor. E precisava desesperadamente de pontos. O time namora a zona do rebaixamento. Faltando três rodadas para o Brasileiro acabar. Abel tratou de montar as tradicionais duas linhas de cinco jogadores, até mesmo o atacante que deveria ser a referência, Henrique Dourado, estava ajudando a fechar a intermediária.

O Corinthians não tinha espaço e estava travado emocionalmente. Os jogadores estavam tensos, pressionados pela arena lotada. Sabiam que o Brasil estava observando. Era a partida para se sagrar heptacampeões, só que não conseguiam ter nervos para tabelar, calma para movimentar a bola, procurar brechas na zaga carioca.

O primeiro tempo acabou sob imensa tensão.

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Carille foi firme no intervalo. Exigiu mais vibração, mais alma, mais luta. Estava em jogo o título do Brasileiro. A atitude mudou. E logo a um minuto, o lance que mudou o jogo. Jô dominou a bola na direita e passou para Clayson. Correu para a área. A bola foi levantada na sua cabeça. 1 a 1. A euforia tomou conta do estádio. Só que ela iria aumentar ainda mais depois de dois minutos.

Clayson tentou cruzar para a área. A sorte ajudou. Ele pegou errado na bola. Ela foi beijar o travessão de Diego Cavalieri. E sobrou para Jô, só empurrar para as redes. 2 a 1, aos três minutos. O time do Fluminense se entregou. E o corintiano ganhou confiança. A entrada de Jadson no lugar de Camacho foi outro acerto de Carille. Com o time mais aberto, o meia rendeu, conseguiu espaço para articular e também bater no gol. Foi assim que acertou a trave, aos 37 minutos.

Foi o ensaio do que viria dois minutos mais tarde. O meia acertou uma belíssimo chute cruzado, enviesado, sem chances para Cavalieri. 3 a 1, aos 39 minutos. Virada e título confirmado. Heptacampeão do país, sem nenhum título confirmado por fax.

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A festa foi linda.

O primeiro título nacional em Itaquera.

Mas a vida vai seguir.

Jô afirma que continuará no Parque São Jorge...

Guilherme Arana confirmou que está acertado com o Sevilla...

Andrés Sanchez aproveitou a data e se lançou candidato à presidência...

Jogadores indo, vindo, dirigentes lutando pela eleição.

Mas agora só há uma certeza.

2017, que nada prometia, foi um ano maravilhoso para o Corinthians.

Campeão paulista e brasileiro, com toda justiça.

Para calar a boca de muitos que tanto duvidavam.

Sobrou atrevimento...

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