Corinthians e Flamengo. Ronaldo e Adriano. O inferno espera por quem cair no Pacaembu...

Diz o ditado popular: "a água bateu no pescoço".

De Ronaldo.

De Adriano.

De Andrés Sanchez.

De Patricia Amorim.

Esses quatro personagens estão tensos.

Mudados.

Assustados com a proporção, as consequências do jogo de logo mais no Pacaembu.

Eles sabem que seus destinos mudarão de acordo com o resultado.

O mais ameaçado é Ronaldo.

De Lula ao comando da Gaviões da Fiel, ele sentiu o quanto perdeu de prestígio e de confiança.

É como se tivesse acordado e percebido a importância da Libertadores da América para o Corinthians.

Ainda mais no ano do seu centenário.

Enquanto seus funcionários lustravam os três troféus de melhor do mundo, as réplicas das Copas de 1994 e 2002 e as dezenas de outras taças e medalhas, o atacante deve ter olhado para o espelho.

Cada quilo que tem a mais é como se fosse uma traição à torcida que mais o venerou.

Nunca ele foi tão amado quanto no ano passado no Corinthians.

O amor paulista da torcida preta e branca conseguiu encobrir o vexatório episódio com os travestis no Rio.

Tanto afago a um flamenguista declarado tinha como sonho a conquista da Libertadores.

E colocar um fim nas provocações de palmeirenses, santistas e são-paulinos, que já ganharam o torneio.

Mas Ronaldo virou as costas aos sonhos dos torcedores.

E decidiu dar vazão ao seu enfado, ao cansaço com as obrigações de jogador de futebol.

Se descuidou.

Comeu, bebeu, fumou.

Engordou.

E faltou coragem no Corinthians para cobrar profissionalismo.

Como?

Reclamar com o homem que possibilitou o clube ter o maior patrocínio da história do futebol brasileiro?

Que colocou o Corinthians no noticiário internacional?

Arrumou amistoso com o Real Madrid?

E se ele resolvesse simplesmente arrumar suas coisas e ir embora?

Mas os torcedores não são tão interesseiros quanto os dirigentes.

São pura paixão.

E mostraram que não têm medo do nome Ronaldo.

Que não podem ser controlados por chefes de torcidas uniformizadas amigos de Andrés.

O atacante é muito inteligente e acordou.

Percebeu o que o espera hoje no Pacaembu.

Sabe o que tem de fazer.

Mano Menezes indica que lhe dará o apoio que precisa.

E que terá mais atacantes ao seu lado, para compensar o excesso de peso, a dificuldade de movimentos.

Ninguém vai negar a técnica privilegiada que ele possui, mas a bola precisa chegar a ele.

Porque ele não tem forças de chegar até ela.

Ronaldo percebeu que se o Corinthians eliminar o seu Flamengo, voltará a ter o crédito perdido com os torcedores.

Vão perdoar sua inconsequente traição: seus quilos a mais, que eliminaram qualquer possibilidade de Copa da África.

Mas se o Corinthians for eliminado e ele tiver outra atuação deprimente, como a da semana passada...

Ronaldo vai conhecer a ira, a raiva de quem foi traído publicamente.

Não agressões físicas, que não teria cabimento, nem necessidade.

Mas verbais, que estão na ponta da língua de qualquer corintiano ao vê-lo tão gordo.

E a pressão para que saia do Parque São Jorge.

Não vista mais a camisa que lhe aperta no estômago dilatado.

Não foi preciso encostar um dedo em Rivellino para, até hoje, ele sentir o rancor corintiano por perder o título paulista de 1974.

1974!!!

Já para Adriano também o jogo é de céu ou inferno.

A torcida e o clube que ama o resgataram do alcoolismo.

Foi a única saída para quem estava mergulhado no vício.

A direção da Inter de Milão o poupou.

Não divulgou o seu inferno particular.

Em entrevista exclusiva ao blog, Adriano confessou que chegava bêbado nos treinamentos em Milão.

E dormia nos vestiários.

A séria direção da Inter dizia que ele estava contundido, se tratando.

Enquanto dormia, embriagado.

Adriano estava profundamente deprimido.

Seu empresário Gilmar Rinaldi queria interná-lo em uma clínica.

Mas o Flamengo o salvou.

Foi tratado como Imperador.

E deu o retorno no Campeonato Brasileiro.

Mas teve suas recaídas.

Faltou a 12 treinamentos.

Se separou e reatou com a noiva Joana diante de todos.

A torcida flamenguista perdeu a paciência com o título carioca jogado no lixo.

Com melhor equipe do que a do Botafogo, o time naufragou.

Muito por causa da irresponsabilidade de Adriano.

Andrade e Marcos Braz pagaram sua conta sendo despejados da Gávea.

Jorginho foi conversar com ele no Flamengo e não o encontrou.

O auxiliar de Dunga ficou passado.

Não acreditou que ele pudesse faltar ao treinamento de sábado, com o time envolvido em tão difícil disputa com o Corinthians.

Dunga ficou sabendo.

Sua convocação está por um fio.

Adriano tem muito a ganhar ou perder hoje no Pacaembu.

Precisa garantir a sua convocação, sua volta para um clube da elite na Europa.

E reconquistar o amor da torcida flamenguista de vez.

Retribuir tudo que recebeu.

Não esquecer que, se não fosse o Flamengo, ele poderia estar no Complexo do Alemão bebendo até cair.

Quanto a Andrés Sanchez, ele sente que está perdendo o controle dos torcedores corintianos.

Toda a modernização, a transparência que realmente fez no Parque São Jorge podem ser esquecidas.

O seu departamento de marketing praticamente prometeu a Libertadores.

E ele será cobrado se o clube for eliminado hoje no Pacaembu.

A decepção será tremenda.

Agora que acabou de ser confirmado como chefe da delegação brasileira na Copa da África.

Ele quer se firmar como um dirigente esportivo poderoso.

Sonhando até com a presidência da CBF.

Perder a Libertadores em casa seria um caos em todos os sentidos para o presidente corintiano.

E mais do que ninguém ele sabe que haverão consequências da eliminação hoje.

Já Patricia Amorim está por seu risco e conta.

Enfrentou Ricardo Teixeira na eleição do Clube dos 13.

Demitiu Andrade e Marcos Braz.

Apostou tudo, passando o comando do futebol para Hélio Ferraz.

Colocou claro para Rogério Lourenço: o Flamengo precisa passar pelo Corinthians e ir adiante na Libertadores.

Tem de valorizar seus jogadores para tentar boas vendas na janela no meio do ano.

Até para tentar segurar Vagner Love, já que Adriano vai embora.

E Patricia precisa justificar a sua presença até como mulher.

Mostrar que uma mulher pode comandar de verdade o clube mais popular do Brasil.

E não ser fantoche como várias esposas de dirigentes foram no passado.

Como Marlene Matheus no Corinthians.

Ela se elegeu, mas quem mandava e todos sabiam era o seu marido, Vicente.

Nunca na história Corinthians e Flamengo valeu tanto.

Sorte de quem sobreviver a essa batalha no Pacaembu.

E quem for derrotado já tem uma ideia do que terá pela frente: tristeza e uma cobrança que beirará o insuportável...

+ Tudo sobre futebol no R7

http://r7.com/Fpaa