gazeta2 Corinthians busca aliados poderosos para guerra nos bastidores. Os alvos: a liberação de R$ 820 milhões para o Itaquerão. E o confronto na Justiça, que travou de vez o patrocínio de R$ 31 milhões da Caixa Econômica à camisa do time...
O prestígio de campeão do mundo não tem valido.

Pelo menos para a Justiça brasileira e ao BNDES.

O Corinthians sofreu uma derrota sem precedentes ontem.

A diretoria tinha certeza que a Justiça acataria recurso da Caixa.

E a estatal voltaria a pagar os R$ 31 milhões anuais de patrocínio da camisa.

Sim, são 31 milhões e não R$ 30 milhões como eram divulgados no Parque São Jorge.

O recurso foi travado desde que o advogado Antônio Beiriz entrou com uma ação popular.

Ele pediu o fim do pagamento, já que a Caixa é uma estatal.

E estaria indo até contra a Constituição para ajudar o Corinthians.

O advogado foi além.

A Caixa é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Fazenda.

E estaria gastando com publicidade inócua e destituída de caráter informativo.

A decisão estaria em desacordo com o art. 37 da Constituição Federal.

O artigo determina princípios e regras norteadoras das escolhas do gestor público.

Ou seja, a Caixa Econômica Federal não precisa fazer publicidade.

Muito menos privilegiar um clube.

A tese foi acatada pelo juiz Altair Antonio Gregório.

Ele é da 6ª Vara do Tribunal Regional Federal do Rio Grande do Sul.

Gregório determinou a suspensão do pagamento do patrocínio.

A liminar travou o dinheiro no dia 28 de fevereiro.

Foi um golpe no departamento jurídico da Caixa.

E na diretoria corintiana.

A decisão foi, mesmo sem dinheiro, manter o time jogando com o logotipo da Caixa.

O departamento jurídico da estatal resolveu agir.

E de maneira fulminante entrou com um recurso para liberar o pagamento ao clube.

Ele foi julgado ontem.

Nova derrota da Caixa e do Corinthians.

O desembargador federal Cândido Alfredo Silva Leal Júnior foi firme.

E até irônico na decisão.

Ele entendeu que outros clubes que não têm "tão generoso” patrocínio acabarão prejudicados.

Pelo desequilíbrio que provoca a intervenção da empresa pública federal no mercado de publicidade futebolística.

"Já que os R$ 31 milhões irrigarão apenas os cofres do Corinthians, e não alcançarão os demais times."

Sua análise foi mais profunda.

"Existiam outros meios menos arriscados de patrocínio esportivo pela Caixa que não afrontassem tanto o princípio da impessoalidade, como prometer R$ 31 milhões apenas para o clube de futebol profissional mais rico do Brasil."

Ou seja, ele entendeu que ou a Caixa paga a todos os clubes ou a nenhum.

Principalmente o Corinthians, que no seu entender é o mais rico do Brasil.

A decisão do desembargador confirma a proibição do dinheiro continuar a ser pago ao Corinthians.

Ainda haverá o julgamento do mérito pela 4ª Turma da Corte.

Mas sem previsão quando acontecerá.

É possível que levem semanas ou até meses.

Tanto a Caixa como o Corinthians esperavam derrubar a ação popular ontem.

A decisão do presidente Mario Gobbi é esperar.

E manter o time jogando com o mesmo uniforme.

ae24 Corinthians busca aliados poderosos para guerra nos bastidores. Os alvos: a liberação de R$ 820 milhões para o Itaquerão. E o confronto na Justiça, que travou de vez o patrocínio de R$ 31 milhões da Caixa Econômica à camisa do time...

Como se nada estivesse acontecendo.

Quanto ao problema com o BNDES, também é grave.

A pressão é da Odebrecht.

Ela aceitou construir o Itaquerão para o Corinthians.

Sabia que a Prefeitura de São Paulo ofereceria R$ 420 milhões em incentivos fiscais.

Mais o BNDES emprestaria R$ 400 milhões ao Corinthians.

O custo do estádio chegaria a R$ 820 milhões.

Não contabilizados gastos de acabamento.

Somados, fazem do Itaquerão um estádio de um bilhão de reais.

Mas para a Odebrecht interessam os R$ 820 milhões.

Com a certeza que o dinheiro viria, a construtora fez empréstimos para começar a obra.

Pegou R$ 150 milhões do Banco do Brasil.

E mais R$ 100 milhões do Santander.

As obras foram iniciadas a todo vapor.

Com três turnos de trabalho.

A Fifa foi avisada que não poderia contar com São Paulo para a Copa das Confederações.

O Itaquerão ficaria só para a Copa do Mundo, em 2014.

O estádio já está cerca de 60% concluído.

Só que o dinheiro do BNDES e da prefeitura não chegou.

ae53 Corinthians busca aliados poderosos para guerra nos bastidores. Os alvos: a liberação de R$ 820 milhões para o Itaquerão. E o confronto na Justiça, que travou de vez o patrocínio de R$ 31 milhões da Caixa Econômica à camisa do time...

O Corinthians com problemas fiscais e dívidas não conseguiu os R$ 400 milhões do BNDES.

O banco não aceitou as garantias de pagamento oferecidas pelo clube.

Há um impasse que dura cerca de um ano.

A situação está mesmo complicada.

A Odebrecht não quer tomar mais esses R$ 400 milhões emprestados em seu nome.

Não foi o combinado.

O ex-presidente Andrés Sanches foi à TV Gazeta avisar que as obras podem parar.

Deu um prazo de um mês para o BNDES liberar o dinheiro ao Corinthians.

Foi uma maneira de pressionar, jogar a opinião pública contra o banco.

Se as obras realmente pararem, podem comprometer a entrega do estádio no prazo.

Seria um vexame gigantesco a sede da abertura da Copa ser transferida para o Rio.

Um desgaste para o governo estadual e a prefeitura.

É esta a aposta de Andrés.

Que Geraldo Alckmin e Fernando Haddad se juntem.

PSDB e PT pressionando o BNDES em nome do Itaquerão.

O Corinthians já está perdendo.

Os juros dos empréstimos da Odebrecht para o Itaquerão serão pagos pelo clube.

Esse é o acordo.

Os R$ 420 milhões de CIDs (Comprovante de Incentivo ao Desenvolvimento) da Prefeitura também estão travados.

A nova administração da prefeitura de São Paulo vai parcelá-los.

Não irá liberá-los de uma vez, como queria a Odebrecht.

Primeiro chegarão R$ 100 milhões, provavelmente, neste mês.

Mas não há certeza.

O restante será dado em parcelas, mas sem prazo determinado.

A cúpula corintiana está tensa.

Logo após divulgar com orgulho a receita de R$ 330 milhões no balanço de 2012...

Não esperava esses golpes.

A Justiça travar o patrocínio da Caixa Econômica Federal.

E a exigência de garantias do BNDES persistir até agora, março de 2013.

Por isso começou a reagir.

Vai usar tudo o que tiver nas mãos.

Principalmente seus aliados mais poderosos.

E a pressão da opinião pública.

Ou seja, toda a sua força política nos bastidores.

Que não é pouca.

A guerra por dinheiro já começou...

Por falar em dinheiro, um leitor foi solícito.

Acaba de me passar trecho de entrevista de Andrés Sanchez.

Em agosto de 2010.

Falava animado sobre o Itaquerão.

Não vou nem comentar.

"No plano que eu tenho, não vai ter dinheiro público.

Apesar da hipocrisia neste País.

Tem muita gente em Itaquera que não frequenta o Parque do Ibirapuera ou da Aclimação.

E quem coloca dinheiro (nesses parques) é o poder público.

Tem de acabar com essa história.

De que estádio não pode ser feito assim, se a maioria da população pode usá-lo.

Se puder evitar o uso de dinheiro público, melhor.

E o do Corinthians não vai ter."

Garantiu ao Estado de S. Paulo.

Três anos depois...)

ae91 Corinthians busca aliados poderosos para guerra nos bastidores. Os alvos: a liberação de R$ 820 milhões para o Itaquerão. E o confronto na Justiça, que travou de vez o patrocínio de R$ 31 milhões da Caixa Econômica à camisa do time...

http://r7.com/ZAhQ