Corinthians aposta em efeito suspensivo, liberação de Fagner, apesar de condenado pela agressão a Cueva. É a lógica que fez o STF libertar José Dirceu, Eike Baptista. O Brasil é o país da impunidade...
"Fagner vai jogar a final do Paulista."

Esta é a promessa que o advogado Corinthians, João Zanforlin, fez ao presidente Roberto de Andrade. De acordo com o veterano especialista em conflitos jurídicos esportivos, a questão não será complicada.

Fagner foi flagrado pelas câmeras de tevê dando uma joelhada no são paulino Cueva, na última partida da semifinal, disputada no Itaquerão, dia 23 de abril. O peruano estava de costas quando foi agredido. O árbitro Vinicius Furlan não percebeu. E o lateral nem cartão amarelo levou.

O lance foi tão sutil quanto desleal.

Fagner acabou denunciado no artigo 250 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva – praticar ato desleal ou hostil. O julgamento, para variar, foi teatral. Com os advogados e auditores tentando aparecer ao máximo diante dos jornalistas.

Ao final de um festival de argumentações intermináveis e contraditórias, o veredicto.

Por 3 votos contra 2, o lateral foi suspenso.

Não poderia enfrentar a Ponte Preta, na final de domingo.

"Não poderia. Mas vai", promete João Zanforlin.

Seu argumento é simplista, simplório.

Mas tem fundamento, nestes tristes meandros da Justiça Desportiva deste país. Há inúmeros, intermináveis recursos. Principalmente quando o envolvido é um clube grande, com direito aos melhores advogados. E Zanforlin tem um currículo de vitórias inacreditáveis, muitas delas fugindo da lógica.

O advogado consegue ser convincente usando a estranha lentidão do próprio sistema. Até os parentes de Pottker sabem que ele mereceria ser suspenso por ter dado um soco em Gabriel do Corinthians, na partida do domingo passado. Raphael Claus não percebeu e não o puniu. Mas as imagens que a tevê flagrou são impactantes.

Merece tanta punição quanto Fagner.

1reproducaotv 1024x576 Corinthians aposta em efeito suspensivo, liberação de Fagner, apesar de condenado pela agressão a Cueva. É a lógica que fez o STF libertar José Dirceu, Eike Baptista. O Brasil é o país da impunidade...

Só que a lentidão da justiça desportiva só prevê o julgamento do atleta, já denunciado, para a próxima semana. Quando o Campeonato Paulista já tiver acabado. É um absurdo. Vergonha para quem estuda por anos até se formar advogado e entender a palavra justiça.

Já como jogador do Internacional, no máximo, pagará algumas cestas básicas e a punição será esquecida.

Vida, injusta, que segue.

Aliás, este critério modorrento fez com que Fagner só acabasse sendo julgado ontem. O caso deveria ter sido resolvido na semana passada. Como deveria acontecer. E o lateral não teria atuado no jogo decisivo mais difícil, contra a Ponte Preta, em Campinas.

Zanforlin já tinha plena noção que Fagner seria suspenso ontem.

E o que fez foi lutar para desmerecer as imagens da tevê.

Conseguir a menor pena possível.

Torcendo para haver dúvidas entre os auditores.

A derrota por 3 a 2 foi considerada uma vitória.

No pedido de efeito suspensivo, elaborado ontem, e que será entregue hoje na Federação Paulista, o principal argumento é a dúvida. A divisão no julgamento dos auditores deixaria claro a incerteza se o corintiano mereceria ou não a punição.

E ainda usar a força política do Corinthians.

Alegando que Pottker agrediu Gabriel, mas estará em campo.

Há grande esperança no Parque São Jorge quanto ao efeito suspensivo.

Pé atrás, Fábio Carille prepara Léo Príncipe.

Mas os dirigentes o animam.

Têm quase certeza da liberação de Fagner.

Um dia, a CBF e as Federações perceberão: não há cabimento esse sistema jurídico no futebol. Cada vez mais o descrédito toma conta desses julgamentos. Aliás, os auditores nada recebem para julgar. Mas ganham enorme promoção. Aparecem na tevê. Têm seus nomes divulgados em portais, jornais, rádios.

Além do que advogados ganham fortunas dos clubes.

E também ganham muito em publicidade dos veículos de comunicação. Aliás, são eles os principais interessados para que o Brasil não adote o sistema de tribunal de penas, como acontece na Europa. O jogador comete uma infração no domingo. Auditores decidem a punição ou não. Na terça-feira, 48 horas depois, o resultado é divulgado. Sem recursos, sem julgamentos teatrais.

Enquanto isso não acontecer, o Brasil estará sujeito a essa ópera-bufa. O atleta é suspenso por um tribunal. Há chance para recorrer a um superior. Se ele for condenado duas vezes, ainda há o efeito suspensivo. Os clubes grandes são os grandes vencedores nesta pendengas.

A credibilidade vai sendo ferida de morte.3reproducaotv Corinthians aposta em efeito suspensivo, liberação de Fagner, apesar de condenado pela agressão a Cueva. É a lógica que fez o STF libertar José Dirceu, Eike Baptista. O Brasil é o país da impunidade...

Fagner não deveria ter jogado no domingo.

Pottker não poderia entrar em campo no Itaquerão.

Isso em um país normal, decente.

Que não fosse um antro de impunidades.

Ou o Supremo do STF não está sabotando a Lava Jato?

José Dirceu, condenado a 30 anos, não estará nas ruas?

Assim como seus 'ilustres' companheiros empresário Eike Batista, o ex-assessor do PP João Cláudio Genu e o pecuarista José Carlos Bumlai? O próximo pode ser o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral.

Vergonhoso festival de habeas corpus.

E que provoca indignação no país.

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O exemplo vem de Brasília.

A Justiça Comum ensina à Desportiva.

Pouco importam as provas.

A desalento popular.

O que vale é a pressão, a força do sistema.

O futebol só aplica o que o Supremo ensina.

As pessoas precisam entender que tudo está ligado.

Interesses ocultos prevalecem à justiça.

Que José Dirceu esteja no Itaquerão.

Torcendo, na decisão do Paulista, para o time que ama.

Quem sabe não comemora um gol de Fagner?

Pode ser que lateral batize o tento como 'efeito suspensivo'...

E o dedique ao ex-ministro-chefe da Casa Civil.

Combinaria.

Este é o seu, o meu, o nosso Brasil.

O país do Supremo Tribunal Federal.

De Gilmar Mendes.

Ele merece ou não merece uma camisa da CBF?

Entregue por Ricardo Teixeira?

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