75 Começo espetacular do Corinthians no Brasileiro. Clube arrecada 40% a mais do que esperava. Carille e seus pupilos surpreendem a própria diretoria. Dirigentes podem barrar desmanche. E segurar Fagner, Rodriguinho e Balbuena. E brigar de verdade pelo hepta brasileiro...

1 a 1, Chapecoense, em São Paulo; 1 a 0, Vitória, em Salvador; 1 a 0, Atlético Goianiense, em Goiás; 2 a 0 Santos, em Itaquera; 5 a 2, Vasco, no Rio; 3 a 2, São Paulo, em Itaquera; 1 a 0 Cruzeiro, em Itaquera.

Líder absoluto do Brasileiro.

Único invicto.

Nunca, desde que o Campeonato Nacional passou a ser disputado em pontos corridos, em 2003, time algum acumulou, 19 pontos. Um empate e seis vitórias nas sete primeiras rodadas.

Aproveitamento absurdo de 90,5%.

O primeiro o primeiro embasbacado é Roberto de Andrade. Ele já havia avisado seus companheiros de diretoria que precisaria de todo o apoio durante o Brasileiro. Com o clube endividado por causa do estádio, não haveria como fazer grandes contratações. E que todos deveriam estar unidos para a pressão da imprensa e dos torcedores. O elenco seria limitado e recheado de jogadores da base.

E pensar em promoções para que o Itaquerão tivesse bom público. É a arrecadação que garantiria o pagamento dos jogadores em dia. Isso porque o clube não está pagando o estádio desde março de 2016. O clube reivindica na justiça a renegociação do acordo com a Caixa Econômica Federal. O que o banco não aceita. Tudo segue emperrado. O que serve de desculpa para as rendas em Itaquera irem direto para os cofres do clube, como não deveriam. E sim para o pagamento dos juros do estádio, que podem fazer seu custo bater nos R$ 2 bilhões.

Mas acontece que a melhor surpresa deste ano está sendo o desempenho de Fábio Carille e seus pupilos no Brasileiro. A campanha arrasadora já derrubou não só times fáceis. Equipes consagradas como o Santos, São Paulo e Cruzeiro caíram pelo caminho.

Na partida de ontem, Carille derrubou seu antigo mestre, Mano Menezes.

Mostrou que o ultrapassou.

Enquanto, Mano faz pose em Minas Gerais, estagnado, o ex-auxiliar cresce.

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E o superou ontem sem contar com jogadores que considera fundamentais: Fagner e Rodriguinho.

Qual é o segredo deste Corinthians?

"Meu trabalho leva em consideração anos e anos de observação de grandes treinadores. Cheguei ao Corinthians em 2009. Trabalhei como auxiliar de Mano Menezes, Adilson Batista, Cristóvão, Oswaldo de Oliveira. Procurei aprender com cada um deles. Mas foi o desempenho de Tite que mais me marcou. E é o que procuro aplicar no dia-a-dia. Sabia que este ano seria difícil para o clube. E o foco é fechar o grupo dos problemas exteriores. E priorizar o trabalho, se dedicar de corpo e alma, que as coisas boas iriam acontecer. Apesar das críticas, nunca duvidei do potencial do elenco", destaca o treinador.

Carille é esperto. Como no Corinthians, desde que o Itaquerão começou a ser construído, os atrasos salariais do time são recorrentes. Como Tite, o técnico repetiu o pacto com o elenco. Só dependiam dos resultados para a valorização, o dinheiro na conta corrente todos os dias. E os holofotes que poderiam garantir convocações. E negociações com o Exterior.

Os jogadores não tinha escolha. Ou se adequavam ou ficariam à deriva, como salário atrasado, sem premiações, sem convocações, desvalorizados. A sinceridade seca de Carille atingiu até as 'estrelas' do time. Marquinhos Gabriel e Giovanni Augusto. Atletas com grandes salários e desmotivados por não terem tratamento diferenciado. Que viraram reservas de luxo. O treinador teve conversas particulares e duras com os dois. Perguntou se ambos queriam seguir no clube. Se quisessem, teriam de dar a alma em campo e deixar de frescura. Que teriam sua confiança. Ou, se preferissem, poderiam ir embora.

3sitecorinthians 1024x640 Começo espetacular do Corinthians no Brasileiro. Clube arrecada 40% a mais do que esperava. Carille e seus pupilos surpreendem a própria diretoria. Dirigentes podem barrar desmanche. E segurar Fagner, Rodriguinho e Balbuena. E brigar de verdade pelo hepta brasileiro...

Eles decidiram ficar.

Com Guilherme, a conversa não funcionou. E ele foi para o Atlético Paranaense.

O jogador serviu como exemplo. Quem não se adequasse, a porta da rua estaria aberta.

Outro fator fundamental foi a estratégia. Carille seguiu pelo caminho de Tite. Sem se importar em ser chamado de clone. Adotou o mesmo 4-1-4-1, com intensidade na recomposição, velocidade nos contragolpes pelos lados do campo, as triangulações pelas laterais. O ritmo lento quando está atuando fora do Itaquerão. A marcação alta, sob pressão, quando está nos seus domínios.

Exigir o máximo da preparação física. Compensar a falta de talento diferenciado com esforço físico, vitalidade, explosão e confiança, vindo da vibrante torcida. O Corinthians é um time que vai no seu limite.

"Aprendemos a valorizar cada lance. Dar o máximo em cada dividida. Saber que o espaço precisa ser preenchido. O espírito de solidariedade é pleno. Todos sabem muito bem o que deve ser feito. Ninguém se poupa. Atacante cobre lateral. Volante aparece como centroavante. Lateral vira zagueiro. O Corinthians tem plano de jogo e dedicação integral. Isso é raro no futebol brasileiro", destaca Gabriel, volante que o Palmeiras perdeu de graça e se tornou peça fundamental para Carille.

O pedido de Roberto de Andrade ao treinador corintiano era uma vaga para a Libertadores de 2018. Se houve uma grande decepção com a queda na Copa do Brasil diante do Internacional, veio a festa com a inesperada conquista do Paulista. Há empolgação com o início na Copa Sul-Americana. E entusiasmo neste fulminante início de Brasileiro. A ponto dos dirigentes falarem sério em relação ao título.

4reproducao2 1024x721 Começo espetacular do Corinthians no Brasileiro. Clube arrecada 40% a mais do que esperava. Carille e seus pupilos surpreendem a própria diretoria. Dirigentes podem barrar desmanche. E segurar Fagner, Rodriguinho e Balbuena. E brigar de verdade pelo hepta brasileiro...

Carille é o primeiro a ter consciência e pedir calma..

"É anormal o que está acontecendo em relação a pontuação. Em relação a rendimento, não. Você não vai jogar bem 38 rodadas. A meta é tentar fazer com que o time consiga manter os 70% de aproveitamento até o final do ano. O que é muito difícil", alerta.

Mas é lógico que o treinador está animado e com a perspectiva de brigar de verdade pelo título. Tanto que conversou com Roberto de Andrade. Foi bem franco. Entre contratar novas peças e vender jogadores, ele prefere que o grupo seja mantido. Ninguém saia ou venha.

Rodriguinho, Balbuena, Romero, Fagner e Guilherme Arana são os jogadores mais procurados por empresários que representam clubes do Exterior. No meio de 2016, o Corinthians negociou Elias, Bruno Henrique, André e Luciano. Roberto de Andrade previa vender pelo menos três deste quinteto atual.

A diretoria já fracassou nas tentativas de trazer Cicinho, Anderson Martins e Leandro Castán.

As saídas de Fagner e Balbuena estariam encaminhadas.

Mas a campanha espetacular do Corinthians no início do Brasileiro é poderosa.

O público médio no Brasileiro, no Itaquerão, contra Chapecoense, Santos, São Paulo e Cruzeiro é de 36.136 pagantes. Com 80% do estádio lotado. Arrecadação média de R$ 1,8 milhão. Cerca de 40% acima do que esperava a diretoria.

O sucesso de Carille e de seus jogadores é impactante.

E poderá fazer Roberto de Andrade realizar o maior desejo do técnico.

Barrar o desmanche.

Manter esse surpreendente time.

Aquele que seria a 'quarta força' do futebol de São Paulo.

E que agora surge quebrando recordes no Brasileiro..

Correndo atrás do sonho que ninguém ousava sonhar.

O 'modesto' Corinthians de Carille quer o hepta nacional...
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