113 Com Lucas Lima, Palmeiras busca independência da Crefisa. E insiste com Ricardo Goulart
Mais do que mostrar força econômica, o presidente do Palmeiras, Mauricio Galiotte resolveu firmar sua independência da Crefisa. Este foi o motivo principal que fez com que o dirigente contratasse Lucas Lima e Diogo Barbosa, sem o auxílio da patrocinadora. O clube bancou duas contrações caríssimas. Envolveu R$ 50 milhões pelo meia e mais R$ 17,5 milhões com o lateral esquerdo.

Galiotte surpreendeu a todos no Palmeiras e até mesmo a conselheira e dona da Crefisa, Leila Pereira. Apesar de ambos se darem muito bem, o dirigente entendeu que o Palmeiras tem recursos para não ficar atrelado à patrocinadora bilionária em toda contratação. Politicamente esse cordão umbilical precisava ser cortado. O clube vive um momento de divisão interna. Com Leila se afastando de Mustafá, depois da denúncia de vendas dos ingressos que ela doava ao ex-presidente palmeirense.

Conselheiros ligados a Paulo Nobre tentam reaproximá-lo de qualquer maneira de Mustafá. E também de Galiotte. Foi Nobre quem o colocou no cargo. Mustafá tem mostrado sua revolta em relação à postura condenatória de Leila. Ele garante que não tinha ideia que os ingressos eram vendidos por membros das organizadas. Desde 2011, com a eleição de Arnaldo Tirone, Contursi, com seu grupo conservador, tem sido o responsável pela eleição dos presidentes palmeirenses. Foi assim com Tirone, Nobre e Galiotte.

Mustafá já articulava há tempos para colocar Leila no cargo, em 2022. Só que o escândalo dos ingressos, os afastou. Leila segue muito próxima a Galiotte. Só que o atual presidente não é inimigo de Nobre, como a dona da Crefisa. Tenta manter uma postura neutra na guerra silenciosa entre os bilionários. A novidade está sendo sua postura independente financeiramente.

O executivo de futebol, Alexandre Mattos, se sente em dívida com o clube. Principalmente pela decepção que foi 2016. Ele coordenou o maior investimento em jogadores da América Latina. Foram R$ 116 milhões só em jogadores. E nenhum mísero título. Ele errou feio com Eduardo Baptista. E também na avaliação da confusa volta de Cuca.

Apesar de líderes do Conselho Deliberativo, como seu presidente Seraphim del Grande, defender abertamente a contratação de Abel Braga, Mattos decidiu que Roger seria o melhor nome. Ele apostou na juventude, na vontade de se impor no mercado como treinador. Até porque, é sempre bom lembrar, ele fracassou na contratação de Mano Menezes.

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Mattos aproveitou o titubeio de Abel Braga em dar a resposta ao Palmeiras e fechou com Roger Machado. Os dois são contemporâneos, da mesma geração. O executivo tem 41 anos e o técnico, 42. Abel, 65. Falando de igual para igual, Mattos deixou claro para Roger o quanto precisa fazer o Palmeiras forte em 2018. Principalmente na Libertadores.

Deixou claro que não contratará jogadores 'em baciada', como critica Seraphim del Grande. Serão grandes jogadores e reforços pontuais. Que cheguem para jogar. Por isso a insistência silenciosa em Ricardo Goulart. Desde o início do ano passado, Mattos tenta seduzir o meia do Guangzhou Evergrande. A ligação entre os dois é profunda. Assim, como a amizade. Foi Mattos quem o contratou do Goiás para o Cruzeiro, em 2013. Foram bicampeões brasileiros juntos.

Ricardo Goulart está desde 2015 na China. Ele é tricampeão chinês. Ganhou a Liga Asiática. A Copa da China. E é bicampeão da Supercopa da China. Foi o grande destaque do time nestas conquistas. Ele sonhava repetir Paulinho e deixar o futebol oriental e ir para um grande time europeu. Só que não surgiram propostas.

Ricardo já estava indeciso em relação ao futuro. Mas ficou muito mais. Ao saber que Felipão deixou o clube, o meia atacante decidiu viver novos ares. Ainda em setembro, Mattos procurou oficialmente o jogador para tentar um empréstimo. O jogador ainda sonhava com a Europa. E também se lembrou da promessa que fez ao presidente Gilvan Tavares, que o vendeu. Se quisesse voltar ao futebol brasileiro, avisaria ao Cruzeiro.

Mas muita coisa mudou desde então. As propostas europeias não vieram. Gilvan está deixando a presidência cruzeirense e o acordo era entre os dois. Goulart não se vê obrigado a dar satisfações a Wagner Pires de Sá, presidente eleito no clube de Belo Horizonte. Flamengo e São Paulo se mostram interessados.

Mas Mattos segue na sua campanha para tentar o meia.

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O grande obstáculo está no dinheiro que o jogador recebe. Entre luvas e salários, ganha nada menos do que 1 milhão de euros por mês. São incríveis R$ 3,8 milhões a cada 30 dias. Na fórmula de Mattos, o Palmeiras teria o meia por empréstimo de um ano. Desde que o clube chinês arcasse com grande parte do salário. E Goulart aceitasse uma bela redução, com o clube paulista bancando R$ 900 mil mensais. Mattos poderia incluir na negociação o empréstimo de Roger Guedes ou até mesmo meia Guerra.

É uma negociação complicada, difícil. E que precisa da participação efetiva de Ricardo Goulart. Ele precisa deixar claro aos chineses que não seguirá mais atuando por lá.

A princípio, Galiotte sonha em fazer a transação sem a participação da Crefisa.

O zagueiro Emerson Santos, que atuou no Botafogo, já está certo para a próxima temporada. Weverton está apalavrado. Só que o Atlético Paranaense segue exigindo R$ 3 milhões para a liberação imediata. O lateral Rafinha, do Bayern de Munique, também tem uma proposta palmeirense, caso convença a direção do clube alemão a liberá-lo sem custo. Seu contrato vai até junho de 2018 e o jogador não é mais fundamental no elenco e quer sair.

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Há também a possibilidade do acerto com Zeca, que está brigando na justiça com o Santos. Só que Galiotte já deu sua palavra a Modesto Roma, que não negociará o atleta enquanto houver conflito na justiça. Os dirigentes dos dois clubes têm ótima relação. Modesto permitiu que Lucas Lima acertasse com o Palmeiras, mesmo tendo contrato vigente com o Santos.

Enquanto isso, o clube quer definir de vez com o Barcelona se Mina irá ou não em janeiro para a Espanha. Se não der certo com a China, Roger Guedes será negociado. Jean, Michel Bastos, Fabiano, Edu Dracena, Erik também deixaram de ser importantes no elenco. Arouca já tem tudo acertado com o Atlético Mineiro. Egídio foi para o Cruzeiro.

A princípio, Borja deve ficar.

Apesar da grande decepção nesta temporada.

A Crefisa investiu R$ 35 milhões só na sua contratação.

Politicamente, o caminho está aberto para uma reaproximação importante.

A de Paulo Nobre e Mauricio Galiotte.

Queira Leila Pereira ou não...
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