624 1024x553 Com foco na Libertadores e na Copa, Jô decidiu ficar no Corinthians. O time que salvou sua carreira
O título brasileiro foi apenas um dado importante da reviravolta na carreira de Jô. Ele não sairá do Corinthians no final deste ano, como havia planejado de janeiro até outubro, com seus empresários Giuliano Bertolucci e Kia Joorabchian. Não vai buscar o 'último grande contrato na carreira.' Seguirá em 2018 para disputar 'com a alma' a Libertadores. E tentar arrancar com unhas e dentes, a vaga de reserva de Gabriel Jesus e disputar a Copa da Rússia.

"Havia este pensamento, de voltar a um clube no Exterior. Mas mesmo antes da conquista do título, recebi tanto carinho, tanto amor. Me senti tão bem no Corinthians, em São Paulo, no Brasil. E percebi que a minha família também está feliz aqui. Então, vou seguir no Corinthians, onde me sinto em casa. Vou me desdobrar para ajudar na Libertadores e ainda seguir sonhando com uma vaga na Seleção. É o sonho que carrego dentro de mim: disputar mais uma Copa", diz, Jô.

 Com foco na Libertadores e na Copa, Jô decidiu ficar no Corinthians. O time que salvou sua carreira

A decisão é emocional. Mas também profissional. Jô sabe. Conversou com Bertolucci e Kia. Quaisquer representantes de clubes europeus, chineses, do Leste Europeu e árabes, espalhados pelo país, sabem. Jô desperdiçou dois anos na sua carreira. Farras e mais farras no final de sua passagem pelo Atlético Mineiro. Falta de dedicação no Al-Shabab, nos Emirados Árabes, e principalmente, no chinês Jiangsu Suning. Acabou dispensado. Ficou seis meses sem jogar, até que acertou seu retorno ao Corinthians.

"Eu errei, como já assumi. Mas houve muita maldade. Pessoas apostavam que eu não voltaria a jogar futebol. Que a minha carreira havia terminado. Não teria mais volta. Mas me apeguei à minha família, à religião. Me tornei evangélico. Abandonei para sempre o álcool e Deus me premiou. E sou muito grato ao Corinthians, onde as pessoas estenderam suas mãos. Acreditaram em mim. Eu havia prometido que não decepcionaria ninguém. E está a resposta. Vieram o Paulista e o Brasileiro.

"Não sou só o artilheiro do Brasileiro. Como estou dormindo bem, me alimentando de maneira saudável, respeitando o meu corpo, não bebendo álcool, estou melhor do que no passado. Nunca tive tanta força física. Tanta velocidade. Os testes que tenho feito no Corinthians apontam. Estou no melhor da minha forma como jogador. Graças a Deus", repete, Jô.

Foi emblemática a cena depois da conquista do título, ontem em Itaquera. Os jogadores e funcionários do clube ofereceram cerveja, sem álcool, para o atacante. O Corinthians é patrocinado pela cerveja Estrella Galicia. A bebida não tinha álcool, mas Jô não aceitou. "Nem sem álcool. Não quis lembrar o passado. Quero todo tipo de bebida longe de mim. Só água, suco e refrigerante. Daqui para sempre."

4agenciacorinthians1 Com foco na Libertadores e na Copa, Jô decidiu ficar no Corinthians. O time que salvou sua carreira

Por mais que Jô venha dando demonstrações de recuperação, o mercado é cruel. Os dirigentes de futebol estão cada vez mais detalhistas. Como as contratações estão cada vez mais caras, há um estudo profundo da vida pregressa do atleta. E equipes grandes e médias da Europa vetariam sem pestanejar um jogador que desperdiçou dois anos da carreira em farras. Ele já foi mal na Arábia e China. Só restariam equipes médias do Leste Europeu e outros clubes menos importantes espalhados pelo mundo.

Ou seja, não valeria a pena sair agora.

Por isso, Jô seguirá no Corinthians.

A medida profissionalmente é muito acertada. Se Jô conseguir seguir jogando bem, marcando gols. se impondo nos primeiros meses de 2018, poderá convencer Tite de sua utilidade. O treinador da Seleção havia ficado muito contrariado pelo gol que Jô marcou com o braço contra o Vasco. E que não se acusou, como fez Rodrigo Caio, na semifinal do Paulista e permitiu que o atacante corintiano estivesse em campo no jogo decisivo contra o São Paulo.

Mas Roberto Firmino segue não agradando Tite. Diego Souza também segue abaixo do que esperava. O treinador da Seleção só tem recebido boas notícias em relação a Jô. A esperança se justifica.

Jô já teve uma conversa com Fábio Carille. Se passava na cabeça do treinador poupar o atacante, nestes três jogos finais, ele pode esquecer. Ele tem 18 gols e quer terminar 2017 sendo o primeiro artilheiro do Brasileiro na história do Corinthians.

3reproducao1 Com foco na Libertadores e na Copa, Jô decidiu ficar no Corinthians. O time que salvou sua carreira

"Não quero folga, não. Quero jogar. Depois vem as férias. Eu quero muito ajudar o time marcando mais gols. Com a ajuda dos meus companheiros, lógico. Porque sem eles, não conseguiria fazer nada. Eu quero dizer uma coisa: estou muito orgulhoso deste grupo. Acredito que seja o melhor, em termos de amizade, companheirismo, no qual eu já joguei. Fomos muito cobrados no início. Ninguém acreditava no Corinthians. A história da quarta força, disputar o Brasileiro para não cair, doía na gente. Fomos dando as respostas. Houve muita gente maldosa que deve estar arrependida hoje. Por isso quero estar nestes três últimos jogos de 2017 e seguir fazendo o melhor para esse clube e para esse grupo."

Depois de muito tempo, Jô passou uma noite em claro. De ontem para hoje. Mas não foi um recaída. Não foi para nenhuma balada ensandecida. Muito pelo contrário. "Comemorei com a minha família. Mas acontece que a alegria que sentia no peito não me deixou dormir. Foi muita coisa boa que aconteceu este ano. E a conquista do Brasileiro, diante da nossa torcida, foi maravilhosa. Ainda podendo comemorar dois gols. Estou muito feliz e grato a Deus pelo que aconteceu na minha vida."

"Quanto a 2018, o torcedor corintiano pode ter certeza. Voltaremos ainda mais fortes. Mas, antes, quero agradecer de coração por todo o apoio que nos deram. Só o nosso time, nosso treinador, a diretoria e a torcida acreditam no nosso sucesso. Onde fomos jogar, estava o torcedor corintiano.

"Foi o que nos deu força para enfrentar os obstáculos que surgiram. E acabamos com o sétimo título brasileiro. Nada mal para a quarta força do futebol de São Paulo. Para o time que iria lutar para não cair..."

 Com foco na Libertadores e na Copa, Jô decidiu ficar no Corinthians. O time que salvou sua carreira

http://r7.com/_IyX