1 Bola na trave. Walter defende pênalti. Gol de Giovanni Augusto. Sorte de heptacampeão
Sorte de campeão.

Ou melhor, de hepta.

Assim pode ser resumida a noite corintiana em Curitiba. O time tomou bola na trave. Walter, na sua primeira partida do ano, defendeu pênalti. Não jogou bem. Teve apenas 37% de posse de bola. O adversário, 63%. Mas conseguiu vencer o Atlético Paranaense por 1 a 0, gol de Giovanni Augusto, em falha de Weverton.

Depois de sete jogos sem vitória fora de casa, o time ganhou na hora certa. Foi a primeira vez que venceu duas vezes seguidas neste segundo turno. E abriu oito pontos de diferença do Grêmio, segundo colocado, faltando apenas cinco rodadas. Vantagem mais do que importante nesta reta final.

Matematicamente, o título pode ser consolidado contra o Avaí e Fluminense, na sua arena, em Itaquera.

Não dá para disfarçar.

O clima entre os corintianos é de conquista de campeonato.

Um grito conhecido já ecoava na Arena da Baixada.

"É campeão...É campeão...É campeão...É campeão..."

Deu tudo certo para o Corinthians, na Baixada da Arena. Fabio Carille estava preocupado com a pressão que seu time sofreria. Ele sabia que o elenco estava ainda desgastado, depois da 'decisão' contra o Palmeiras, em Itaquera. Os jogadores haviam se esforçado ao máximo para vencer o clássico. Depois tiveram de viajar. E ainda enfrentar uma equipe que estava jogando suas últimas chances de conseguir chegar à Libertadores de 2018.

Tinha tudo para ser um sufoco. E foi. Principalmente no primeiro tempo. Fabiano Soares colocou sua equipe marcando forte a saída de bola corintiana. Mesmo sem grandes talentos individuais, ele queria a compactação na frente. Os ataques em bloco. A vitória do conjunto.

O Corinthians começou o jogo com suas linhas recuadas demais. Sem compactação. Sem força. Sem iniciativa para buscar os contragolpes, as triangulações pelas laterais. Era nítido que entrou para segurar o ritmo da partida, sonhando com um empate. O que já seria ótimo.

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Os paranaenses perceberam que o líder do Brasileiro estava em uma noite de pouca inspiração e confusão tática. Foram ganhando confiança. Trocando passes sem serem incomodados. Mas pecavam na penetração, na infiltração. A melhor saída quem descobriu foi Gedoz. Ele é 'homem' das bolas paradas do Atlético. Bate muito bem na bola. E cobrou falta da entrada da área com força e direção. A bola, caprichosa, beijou a trave esquerda do assustado Walter, aos 19 minutos. Walter fazia sua primeira partida de 2017, graças à convocação de Cássio para os amistosos da Seleção contra Japão e Inglaterra.

O lance incendiou o estádio. Os torcedores percebiam que o Corinthians poderia ser batido. E aos 31 minutos, veio o lance capital do jogo. NiKão recebe a bola e cruza. Ela bate na mão de Fagner, que o marcava de braços abertos. Pênalti, aos 31 minutos.

Nikão foi para a cobrança. Parecia confiante. Conseguiu deslocar o goleiro corintiano, que saltava para o canto direito. Só que o atleticano colocou pouca força na bola. E ela foi no meio do gol. Walter conseguiu defender com o pé esquerdo.

O Atlético sentiu o golpe. E diminuiu o ritmo. Os corintianos ficaram ainda mais compactos na defesa. Destaque para outra péssima atuação de Rodriguinho. Incapaz de organizar um contragolpe. E alguém precisa comprar mais uma bola, além da que está em jogo, e doá-la para Clayson. Ele tem partidas de puro egoísmo. E com seu excessos de dribles e incapacidade de passar ou cruzar bem, consegue matar inúmeros contragolpes. Maycon só precisa aprender a dar passes de dois metros. É irritante como consegue errar jogadas fáceis. Fagner e Arana estiveram muito pior do que costumam atuar.

O primeiro tempo caminhava para o seu final, quando Wagner do Nascimento Magalhães mostrou toda sua omissão. O árbitro teve duas atitudes vexatórias para quem enverga o emblema da Fifa. Ele fez questão de não ver Pablo pisar no peito de Lucas Fernandes. Não contente, quatro minutos depois, compensou. Não enxergando maldade em uma tesoura violentíssima, por trás, de Thiago Heleno em Romero. Lance claríssimo de expulsão. Ele teve a coragem de dar apenas cartão amarelo. Inexplicável erro.

"É triste, complicado, mas nosso time se impôs do começo ao fim, criamos as melhores oportunidades. Errei. A partir de hoje não bato mais pênalti pelo Atlético enquanto estiver aqui", prometeu Nikão, muito xingado pela própria torcida pelo péssima cobrança.

Veio o segundo tempo.

E o Atlético voltou melhor. Só se ressentia na hora do passe final para o arremate. Seu ataque é muito fraco. O Corinthians, pressionado, dava chutão. Se livrava da bola. Carille perdeu a paciência com o egoísmo de Clayson. Jadson estava suspenso. Marquinhos Gabriel, machucado. Ele não tinha muitas opções. E chamou Giovanni Augusto. Jogador completamente desacreditado no elenco corintiano. E que deverá sair do clube para 2018.

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No gramado sintéticos, seguia o domínio estéril paranaense. Até que, aos 31 minutos, veio o improvável. E injusto. Giovanni Augusto recebe na esquerda. Corta para o meio e chuta para o gol. Bola defensável. Mas Rodriguinho atrapalhou. E Weverton falhou. Gol do Corinthians. 1 a 0. Giovanni Augusto não sabia se chorava ou ria, de tanta felicidade.

O Atlético Paranaense foi ainda mais para a frente. Mas faltava talento para superar o grande bloqueio que o Corinthians montou para segurar o resultado. E ainda teve de enfrentar os dez minutos finais de jogo com o jovem Caíque no gol. Walter se contundiu.

Mas a bem postada defesa corintiana suportou a pressão.

E conseguiu um resultado excepcional.

Oito pontos de vantagem diante do Grêmio.

Faltando cinco rodadas.

Os 4.700 corintianos no estádio tiveram coragem.

Gritavam aquilo que estava nas gargantas dos jogadores.

"É campeão, é campeão, é campeão..."
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