1reproducao2 Belo Horizonte era a capital do futebol em 2014. A ganância e falta de visão dos dirigentes de Cruzeiro e Atlético entraram em ação. Transformaram BH na capital da decepção deste país...
"O entrosamento é fundamental quando se pega equipes fechadas. O espaço é pequeno, são segundos para tomar uma decisão e às vezes não se sabe onde está o companheiro. Quando o time está entrosado, todos já sabem a passada do lateral. O Cruzeiro não tem um time absolutamente entrosado e faz falta quando é Libertadores e o adversário joga fechado, porque tem que decidir rapidamente a jogada. Um time entrosado faz isso de forma muito natural."

"Faltou coordenação tática e técnica. Empenho teve, eles se esforçaram e correram o que puderam. Sem falar que foi um confronto com um time que se posicionou bem atrás e saiu com qualidade. Com isso, a pressão pela vitória deixou nosso time com uma produtividade menor ainda. Ainda estamos buscando o entrosamento."

As declarações são de Marcelo Oliveira e Levir Culpi. Ambos sintetizavam toda a frustração de dois treinadores que tinham equipes montadas, azeitadas, vencedoras. E que entrariam para disputar a Libertadores da América como favoritas aos título.

Mas a ganância de dirigentes do Cruzeiro e do Atlético Mineiro acabaram com a certeza que os técnicos nutriam em 2014. Gilvan Tavares e Daniel Nepomuceno, diante de propostas milionárias, usaram a desculpa fácil. "Quando o jogador quer ir embora, não tem jeito de segurar." E só faltou levarem lenços brancos no aeroporto para se despedirem de atletas com nível técnico de Everton Ribeiro, Diego Tardelli, Ricardo Goulart, Lucas Silva. Todos com potencial e idade para disputar a próxima Copa do Mundo, em 2018, na Rússia.

Pessoas próximas aos dois treinadores, em Belo Horizonte, sabe que ambos tinham a convicção que as negociações deveriam ser feitas. E cultivavam, calados, com os dedos cruzados, a esperança. Acreditavam que Gilvan e Daniel seriam ótimos negociadores. Conseguiriam convencer chineses, árabes e espanhóis a só liberarem os jogadores depois da Libertadores da América. Mas, infelizmente, os dirigentes nem tentaram. Foram pelo caminho mais simples: 'vendeu, entrega'.

 Belo Horizonte era a capital do futebol em 2014. A ganância e falta de visão dos dirigentes de Cruzeiro e Atlético entraram em ação. Transformaram BH na capital da decepção deste país...

Tavares e Nepomuceno não têm obrigação de entender de futebol profundamente. Para isso acreditam bastar os treinadores que pagam regiamente. Fizeram contratações para tentar compensar as perdas. Os atletas que partiram a troco de milhões de reais. E desprezaram o princípio óbvio: entrosamento.

Não é por acaso que Cruzeiro e Atlético Mineiro já estão correndo o sério risco de serem eliminados na primeira fase da Libertadores. De quatro partidas que fizeram, com 12 pontos possíveis, obtiveram apenas dois. Ou melhor, obteve. Só o time de Marcelo conseguiu a façanha de dois empates: contra o Universitário Sucre na Bolívia e, ontem, contra o Huracán da Argentina, no Mineirão. Dois 0 a 0 frustrantes.

Desempenho muito pior teve a equipe de Levir Culpi. Derrotas para o Colo Colo no Chile , por 2 a 0; e contra o Atlas mexicano. 1 a 0 no Independência, quando no passado, quem caísse no Horto estava morto. A equipe é a lanterna do grupo. Com a Comissão Técnica já fazendo cálculos e mais cálculos para tentar fugir do vexame da eliminação precoce.

O atual bicampeão brasileiro e o campeão da Copa do Brasil penam. Seus técnicos perderam peças fundamentais dos seus times. Agora são obrigados a reformular suas equipes em plena competição mais desejada por seus torcedores. A mais difícil do ano. Sob a pressão da própria imagem que ficou guardada nas retinas dos seus fãs. Cruzeiro e Atlético orgulhavam Minas Gerais pelo que faziam em campo há três meses.

1fotoarena1 Belo Horizonte era a capital do futebol em 2014. A ganância e falta de visão dos dirigentes de Cruzeiro e Atlético entraram em ação. Transformaram BH na capital da decepção deste país...

O clima de desilusão não é restrito a Belo Horizonte. O país e mesmo os adversários estrangeiros esperam equipes muito mais fortes nesta Libertadores. Gilvan Tavares adorou a história de contratar vários jogadores e os entregar com um laço na cabeça para Marcelo Oliveira. E exigir uma equipe competitiva, vencedora. Isso não se faz da noite para o dia. E nem sempre o resultado é garantido. O encaixe dos jogadores não é uma ciência simples. Quantos atletas talentosos nada renderam atuando ao lado de outros com excelente potencial?

O atual bicampeão brasileiro perdeu peças que tornavam o time fortíssimo. Equipe competitiva, moderna, intensa. Lucas Silva se multiplicava em campo. Everton Ribeiro e Ricardo Goulart tinham entrosamento a ponto de, se preciso for, atuariam de olhos fechados. Ditavam o ritmo frenético que o Cruzeiro impunha do meio para a frente. Foram trocados de maneira precoce por dinheiro.

Marcelo Oliveira é fiel e não desabafará publicamente. Mas sabe que levou meses para conseguir dar liga ao campeão brasileiro de 2013. Não foi esta loucura organizar a equipe durante a Libertadores. Os reforços são muitos e de característica diferentes dos que saíram: De Arrascaeta, Joel, Riascos, Leandro Damião, Henrique, Felipe Seymor, Mena, Fabiano, Judivan, Gilson... Estão abaixo tecnicamente.

Aparentemente, Levir não teria perdido tanto assim. Mas só quem o conhece profundamente sabe a dor de estômago que sentiu quando Diego Tardelli foi para a China. A saída foi um desastre. Porque o meia atacante vivia o seu melhor momento em toda a carreira. Aprendeu como organizar o time do meio para a frente. Com toda a liberdade, estava atuando como excelente meia, com o faro de um artilheiro técnico, oportunista. Não virou titular absoluto da Seleção Brasileira de Dunga por acaso. Sozinho compensava muitos defeitos atleticanos.

Levir tentou avisar, mas não houve como a diretoria atleticana entender. Perder Tardelli desestruturou toda a parte ofensiva atleticana. O time teve de mudar radicalmente sua postura. Cárdenas e Pratto juntos não compensam. Nem a fixação de Carlos. Muito menos o instável e irritante Maicosuel. O treinador ainda teve desfalques que deixaram a equipe ainda mais insegura. As derrotas custaram a lanterna no difícil grupo que ainda conta com o Colo Colo chileno.

Belo Horizonte foi a capital do futebol brasileiro em 2014. Todos os demais estados não tiveram outra saída a não ser admitir a superioridade mineira. Terra da atual bicampeão do país e do dono da Copa do Brasil. Mas a ganância fez com que trocassem seus principais jogadores por dinheiro. Seus dirigentes não tiveram competência para segurá-los até o final da Libertadores, torneio mais desejado.

Como não há milagre no futebol, agora frustram suas torcidas. Nada é por acaso. Tanto na vida como no futebol. Marcelo Oliveira e Levir deram o alerta. Avisaram os dirigentes. Tudo seria muito diferente em 2015. Tinham razão...
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