1ae20 As lágrimas de Guerrero e Vagner Love. Os dois sentem na pele. São os atacantes mais pressionados do futebol brasileiro. Será sempre assim até o final de seus dias no Flamengo e no Corinthians...
Dois jogadores choraram muito após voltarem a marcar. Um ainda dentro do campo, no Maracanã. E outro nos vestiários do Itaquerão. Ambos tão diferentes mas ligados profundamente pelo destino. Guerrero e Vagner Love.

"Vinha com chances claras de gol, mas infelizmente a bola não entrava. Hoje também tive oportunidades antes de marcar e a bola não queria entrar. A bola quica muito aqui no Maracanã, e não consigo finalizar do jeito que gosto. E não estava conseguindo dormir direito. O motivo? Era o jejum", confirmava Guerrero.

"Tenho minha bagagem e meu currículo, por onde passei fiz gols e ganhei títulos. Quero ganhar aqui também. Sei que muitos zagueiros ainda me respeitam, e vou procurar aumentar ainda mais esse respeito. Não só os zagueiros, mas alguns colegas de vocês (jornalistas) têm de me respeitar. Eu tenho uma história, não caí de paraquedas no futebol. A cada dia vou mostrar mais isso", desabafava Vagner Love.

A ligação entre eles é umbilical. Eles sabem. Guerrero só está no Flamengo por causa de Vagner Love. E Vagner Love só está no Corinthians porque Guerrero estava no Parque São Jorge.

Por trás dessa estranha relação está o ex-presidente Mario Gobbi. Cansado da longa e difícil negociação para o peruano continuar no Corinthians, o dirigente começou a ser ríspido com os empresários de Guerrero. A reação? Os agentes disseram que não negociaram mais com ele. Só com o novo presidente, Roberto de Andrade.

Gobbi sabia da terrível situação financeira do Corinthians. Só haveria condições financeiras para um só atacante caro. E inviabilizou a permanência de Guerrero contratando Vagner Love da China. Ofereceu contrato de 19 meses. Com salário de R$ 500 mil. Golpe de mestre para quem não aceita desaforo. E lá se foi Guerrero para a Gávea.

A atitude de Gobbi teve reflexos pesados nos dois jogadores. A sombra do peruano ainda continua forte, incômoda para Vagner Love. O atacante teve de admitir que o seu antecessor está patamares acima dele mesmo.

 As lágrimas de Guerrero e Vagner Love. Os dois sentem na pele. São os atacantes mais pressionados do futebol brasileiro. Será sempre assim até o final de seus dias no Flamengo e no Corinthians...

"Se o Guerrero fosse brasileiro seria titular da Seleção Brasileira. Mostrou isso na Copa América. Mesmo atuando pelo Peru, uma seleção que tem fama de não ter grandes jogadores. Foi terceiro lugar na competição. E acabou como um dos artilheiros. Representaria bem o futebol brasileiro." O jogador fez essa análise de forma exclusiva ao R7.

Love teve de suportar a injusta comparação. Ele tem menos recursos técnicos do que o peruano. E ainda mais estava vindo da China, onde o treinamento é muito menor do que nos grandes centros do mundo. O futebol por lá é primário. Falta intensidade, técnica. E Vagner precisa estar muito bem treinado para render.

Foi o diagnóstico de Tite. Por isso, o jogador ficou afastado do grupo buscando se recondicionar fisicamente. Mesmo assim, quando seu rendimento seguia baixo. Ele havia perdido a confiança, estava tenso, correndo errado. Prejudicando o time.

O jovem Luciano finalmente mostrava estar dominando o ego. Sua passagem no Panamericano do Canadá deu mais confiança. E seria firmado como titular do Corinthians. Love teria de se conformar com a reserva. Até que, contra o Santos, Luciano rompeu os ligamentos cruzados do seu joelho direito. Ficará entre seis e oito meses sem jogar. A volta será apenas em 2016.

Daí a oportunidade voltar para Love. Mas por um motivo médico. Não técnico. E ele sabia disso. O choro, o pedido de respeito são justos. Se for analisado o passado. O presente do jogador ainda é instável. Não rendeu bom futebol e nem marcou os gols necessários para despertar confiança na torcida ou na imprensa.

4ae15 As lágrimas de Guerrero e Vagner Love. Os dois sentem na pele. São os atacantes mais pressionados do futebol brasileiro. Será sempre assim até o final de seus dias no Flamengo e no Corinthians...

Love continuará muito pressionado, cobrado.

E ele sabe disso.

Paolo Guerrero sabia o que enfrentaria no Rio de Janeiro. A diretoria do Flamengo o quer transformar no maior ídolo do futebol deste país. Só por isso aceitou pagar R$ 12 milhões de luvas e R$ 500 mil mensais. Vale a pena explicar. O jogador aceitou menos do que os R$ 18 milhões de luvas que pedia ao Corinthians. Por um motivo simples, com a chegada de Love, os corintianos não tinham condições de oferecer nem R$ 5 milhões de luvas. E um salário de meio milhão de reais. Gobbi implodiu essa possibilidade.

O presidente Bandeira de Mello fazia, com o peruano, sua grande investida na reeleição. Ele percebeu que sua política de austeridade, para diminuir a espantosa dívida de R$ 850 milhões, garantiria um time fraco, torcida, sócios e conselheiros descontentes. Chance de derrota na eleição do clube no final do ano.

5ae9 As lágrimas de Guerrero e Vagner Love. Os dois sentem na pele. São os atacantes mais pressionados do futebol brasileiro. Será sempre assim até o final de seus dias no Flamengo e no Corinthians...

Daí a aposta em Guerrero. O peruano sentiu a pressão. Sabia que vinha para ser a solução para o clube mais popular do Brasil. A sua apresentação já deixou clara a expectativa da torcida, da imprensa. O peruano nunca falará isso publicamente. Mas ele sabe que o time flamenguista é fraco. O que torna tudo muito mais difícil.

Ele já entra em campo que terá poucas chances de gol, ao contrário que acontecia no Corinthians. Por isso bastaram cinco partidas sem marcar e seu estado emocional ficou abalado. A cobrança veio forte. Principalmente dele mesmo. Por isso o desabafo, as lágrimas ao marcar contra o desarrumado São Paulo de Juan Carlos Osório.

E ambos sabem da importância da quarta-feira. Os dois precisarão ser peças fundamentais nas viradas que Corinthians e Flamengo precisam dar na Copa do Brasil. Os times foram derrotados em clássicos pelos rivais Santos e Vasco. Os clubes que lhes pagam meio milhão de reais a cada trinta dias precisam de seus gols.

Os dois entendem muito bem seus papéis. O que todos esperam da dupla. Até porque, por coincidência, os dois têm 31 anos. Não são mais meninos. Longe disso.

Se fossem, deixariam escapar. A ligação de Guerrero com o Corinthians é para sempre. Foi o artilheiro do Mundial de 2012. Se sentia muito feliz no Parque São Jorge. A ponto de dizer que encerraria sua carreira por lá.

Vagner Love mais ainda. Ele assumidamente ama o Flamengo. Ainda hoje. Um dos maiores presentes seria acabar sua trajetória por lá.

Mas os dois não tiveram como controlar suas carreiras. E estão cada um no clube que o outro desejava estar. Ironia do futebol.

6ae6 As lágrimas de Guerrero e Vagner Love. Os dois sentem na pele. São os atacantes mais pressionados do futebol brasileiro. Será sempre assim até o final de seus dias no Flamengo e no Corinthians...

Só a dupla sabe. O melhor é esquecer o sentimento. E fazer valer o profissionalismo. Por isso, vão dar a alma para que a insônia, a irritação, a boca amarga, a raiva não voltem.

As lágrimas de alívio já estarão secas daqui a dois dias, às 22 horas.

Flamengo e Corinthians precisam de mais uma virada marcante na sua história. Ou não sobreviverão na Copa do Brasil de 2015.

Love e Guerrero disfarçam, mas têm consciência.

A cobrança por gols virá redobrada.

Quem falou que seria fácil?

Os dois são os atacantes mais pressionados do Brasil.

Sentem o peso da camisa 9 do Flamengo e do Corinthians...
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