Publicado em 14/02/2013 às 14h17
As câmeras revelam. Tudo não passou de uma perfeita armação do Atlético Mineiro. Não teve nada de casual no primeiro gol contra o São Paulo. Ronaldinho Gaúcho é que se mostrou um grande malandro. Ator de mão cheia…

As imagens da tevê derrubaram a tese da malícia.
Não houve acaso.
O Atlético Mineiro combinou o lance do primeiro gol de ontem.
Foi uma combinação de cinema.
Cada um dos jogadores seguiu o seu papel.
Fez o que determinava o roteiro.
Enganaram muita gente.
Inclusive este jornalista.
Não acreditei que a engenhosidade chegasse a tanto.
E tudo dentro da legalidade.
Tudo foi perfeito.
De uma sincronia assustadora.
Exigiu malícia, esperteza e muito treino.
Nada foi por acaso.
Ronaldinho Gaúcho faria Paulo Autran sorrir satisfeito.
Foi um ator de mão cheia.
O start foi dado quando Júnior César estava sendo atendido.
Do outro lado do campo, na esquerda.
A jogada estava parada, era lateral para o Atlético.
Na direita.
Ronaldinho se dirigiu a Rogério Ceni.
Pediu sua garrafa de água para lavar a boca e tomar uns goles.
Diego Tardelli correu e conversou com Marcos Rocha.
Enquanto isso, Ronaldinho devolvia a garrafa para Ceni.
O experiente goleiro de 40 anos chegou a virar as costas para o jogador.
Não imaginaria o que as câmeras de alta potencia flagraram.
A troca de olhares discreta.
Entre Ronaldinho e o lateral.
Marcos Rocha só balançou a cabeça sutilmente.
Ronaldinho Gaúcho continuava se fingindo de morto.
Tardelli mais próximo da cobrança de lateral, virou de costas.
Sabia que não receberia a bola.
Porque estava tudo combinado.
Mal o lateral a pegou, Ronaldinho disparou para a ponta direita.
Bem perto da linha de fundo do time paulista.
Sem impedimento, sem marcação.
E lá recebeu o lateral cobrado com perfeição.
Invadiu a área e cruzou para Jô, que também sabia do combinado.
Ele entrou como um trator, dividiu com o tanque chamado Lúcio.
E a bola foi para a rede.
Gol do Atlético Mineiro.
Gol da inteligência, da malandragem.
Uma combinação diabólica.
Dentro da legalidade, sem ir além do fair play.
Apenas trabalho de Cuca e seus atores.
Talvez inspirado em lances da NBA é adorada na concentração atleticana.
Como no basquete, o gol dependeu tanto das mãos quanto dos pés.
Ronaldinho desmentiu falando em sorte.
Dizendo brincando que nunca foi malandro.
Na verdade, a farsa foi desmontada pelas câmeras de tevês.
O Atlético Mineiro inovou.
Não há culpados para serem crucificados no São Paulo.
O único jogador de frente para a tramoia foi Rogério Ceni.
Mas ele nunca iria acreditar na traição a quem havia acabado de dar água.
Ronaldinho apenas o distraiu e sumiu da vista de Wellington, seu marcador.
E de toda zaga são paulina.
Tudo foi brilhante, inédito.
Não foi coisa de malandro.
Foi trabalho bem executado, saber explorar a regra do jogo.
Fica a lição para o São Paulo, para o futebol brasileiro.
Trabalho bem feito é sempre recompensado.
Ainda mais em um jogo tão equilibrado, difícil, na Libertadores.
Cuca, Ronaldinho, Tardelli, Marcos Rocha, Jô enganaram a todos.
Menos as câmeras.
Elas desvendaram o criativo primeiro gol atleticano.
Fruto de correria, esperteza e arte dramática.
O Oscar vai para o 'sedento' e malandro Ronaldinho Gaúcho.
Ele já havia avisado na Índia que era um grande ator.
Ninguém acreditou...
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