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As boas-vindas que Lula daria a Alexandre Pato, o genro de Berlusconi, ao Corinthians, à Itaquera, à amada Zona Leste. Por R$ 40 milhões. Com o empenho da capitalista Nike. A classe operária chegou ao Paraíso…

Postado por Cosme Rímoli em 4 de janeiro de 2013 às 10:23 em Sem categoria | 84 Comments

a2 As boas vindas que Lula daria a Alexandre Pato, o genro de Berlusconi, ao Corinthians, à Itaquera, à amada Zona Leste. Por R$ 40 milhões. Com o empenho da capitalista Nike. A classe operária chegou ao Paraíso... [1]
"Companheiras e companheiros.

Nunca na história desse país houve algo parecido.

Um clube, que por sinal é meu, resgatou o orgulho nacional.

Está certo que com o apoio de uma multinacional gringa.

Mas isso não vem ao caso.

Meu Corinthians trouxe um astro de volta para o Brasil.

Esse menino Pato foi resgatado aos 23 anos.

Na plenitude de sua forma.

Talentoso, e muito sofrido.

Mesmo com suas 16 lesões musculares trilha a nossa sina.

Segue o seu destino.

Que já disse a Fidel, a Hugo, ao Evo.

Só os privilegiados nasceram por aqui.

Com um dom.

O de não não desistir nunca.

Ele poderia ficar por lá encostado, namorando a filha do Berlusconi.

Quer coisa melhor?

Mas não, veio para cá.

E trouxe calor para o meu velho coração.

Eu estava um tanto triste é verdade.

Ainda mais depois de um PIBinho e não um PIBão.

Ver companheiros como o Zé e Genoíno massacrados por acusações infundadas.

Ouvir críticas por compreensíveis apagões.

Quem nunca ficou sem ar condicionado em um aeroporto em Paris, Londres?

Tem muita gente ingrata.

Antes de reclamar do calor e da barra de cereais, deveria reparar que está viajando de avião.

Nem sabe o que é pau de arara.

É só reclamação.

Em vez de comemoração por dez anos do PT no poder.

Quanta injustiça.

Ainda bem que eu e Dilma não somos como a Cristina.

E deixamos os caras falarem, escreverem, cobrarem.

Poderíamos fechar tudo, mas aqui impera a democracia.

Mas ainda bem que não é só política.

Existe o futebol [2].

E sem aquela conversinha da elite que é o ópio das massas.

É pura alegria, um dos nossos dons.

Futebol para mim só o Corinthians.

Já que tenho de aguentar até o Marin na CBF.

Se suportei o Maluf original, na campanha do Haddd.

Posamos até para foto nos dando as mãos...

Estou treinado.

Mas gosto é de falar de clube.

O Timão é uma das grandes alegrias da minha vida.

Me apaixonei vendo esse clube quando vim de Garanhuns.

Era vencedor quando cheguei em São Paulo.

Ganhou o IV Centenário em 1954, que, para mim, foi copa do mundo.

Depois penou, apanhou como um cabrito que fugiu da roça.

Enquanto eu crescia como sindicalista via o meu time sofrer.

Sabia que um dia as coisas seriam diferentes.

Meu sonho era um dia ajudar como pudesse.

E esse dia veio.

Marisa sabe que primeiro vem ela, depois o Corinthians.

Os dois misturados, melhor ainda.

O que me deixa orgulhoso foi a reviravolta nesses últimos anos.

Vínhamos de uma administração viciada.

Meu clube parecia prefeituras falidas.

Comandadas aqueles coronéis incompetentes que dominavam o Nordeste.

Mas chegou o Andrés, meu camarada.

Socialista como eu.

Meu irmão, que vocês chamam de Frei Chico, me apresentou à família Sanchez.

Na época do brava do sindicalismo, da repressão.

Meu irmão mesmo ficou 48 dias preso e sendo torturado.

E teve apoio que nunca vamos esquecer dos Sanchez.

Mas vamos deixar isso para lá, falar de futebol.

O menino Andrés endireitou o Corinthians.

Tirou o time da Segunda Divisão.

E depois trouxe o Gordo, quando ninguém acreditava.

O Ronaldo é responsável pela modernização do clube.

Com sua visão de tudo que viveu na Europa.

Ah, que alegria receber o time a cada vitória.

Mostrar a força do proletariado para os esnobes de Brasília.

Havíamos conseguido garantir a Copa do Mundo aqui em 2007.

E a Fifa barrou o Morumbi.

Na África, tentei ajudar.

O Juvenal fala que não, mas fiz o que pude.

Quando vi que não havia jeito, veio a ideia do Itaquerão.

Imagine uma Copa do Mundo sem São Paulo.

De jeito nenhum.

Se Rio tinha a final, São Paulo iria abrir.

O PT não iria ficar contra os paulista por causa da Copa.

Com o Morumbi inviável.

O Parque Antártica pequeno.

O Pacaembu apertado entre as mansões dos poderosos do PSDB.

Tivemos de fazer o Itaquerão.

Por coincidência os meus amigos da Odebrecht disseram que iriam colaborar.

Fazer o estádio.

E a Fifa teve tanta confiança que confirmou o Itaquerão na abertura.

Mesmo quando era apenas um terreno, sem nada em cima.

Depois, meu Corinthians foi ganhando tudo.

Veio o Brasileiro.

E, finalmente, a bendita Libertadores.

Me fez bem para a saúde ganhar esse campeonato.

Todos tinham, menos nós.

Depois, o Mundial.

Ver o Corinthians dominando o planeta...

É algo que me traz água nos olhos.

Nem parece aquele time que me fazia sofrer.

E que o Pelé deitava e rolava.

So que agora quero é dar boas vindas ao menino.

Ao Pato.

O genro do meu amigo Berlusconi de tantas confusões.

E tantas mulheres.

Só o Corinthians para trazer justo o seu genro.

O menino poderia ficar lá que estaria tranquilo.

Mas é brasileiro, não conseguiu virar as costas ao Parque São Jorge.

Mesmo com sua pose de modelo internacional.

Logo vai virar mais um maloqueiro do bando de loucos.

Virar mano...

Ele veio porque sabe que o Timão é atalho para a Seleção.

Se continuasse na Itália poderia ficar namorando com a Barbara.

Viajando para Ibisa, Monte Carlo, Paris.

Mas não, quis vir para cá.

E acabará trazendo a filha do Berlusconi para Itaquera.

Lógico que ela vem.

Se a filha do Onássis veio, como ela não virá?

O Pato é um menino bonito e brasileiro.

A nossa mistura de raças encanta o mundo.

A filha do Berlusconi vai descobrir as delícias da ZL paulistana.

Tem uma butiques ajeitadas por lá.

Umas ótimas churrascarias.

A Marisa conhece tudo e mostra para ela.

São Paulo é a Milão das Américas.

A Praça da Sé é mais bonita do que a Praça Duomo.

Só um tiquinho mais perigosa.

Quero ver é o garoto marcando muitos gols.

Tenho certeza que o departamento físico vai acabar com essas contusões.

Ouvi falar que tudo não passa de um desequilíbrio muscular.

Se os caras fizeram o Gordo jogar, imagine um menino de 23 anos.

Criado à base de iogurte e granola.

Se eu dei certo comendo macaxeira e bolinho de arroz, feijão e farinha...

Falando sério agora.

Estou em estado de graça.

Vendo o meu Timão campeão do mundo, com estádio.

Com patrocínio da Caixa Econômica, que não ajudei, isso é boato maldoso.

E agora importando o genro do Berlusconi.

Com apoio da Nike, multinacional americana, fruto do capitalismo selvagem.

É demais para o meu coração.

Nem sei o que posso desejar mais nesta vida.

Talvez um novo mandato como presidente, para fechar com chave de ouro.

Mas isso eu converso mais tarde, com calma, com a Dilma.

Agora eu quero saber do Pato.

Para quem chorava de alegria com Geraldão Manteiga...

Imagine agora a minha felicidade com o genro do Berlusconi.

Dizem que eu tenho tudo a ver com o que está acontecendo.

Pura maldade.

O imperialismo treme diante do classe operária.

E só.

Vai Corinthians minha vida...

Meu amor..."

(Discurso fictício de Lula saudando Alexandre Pato...)

a11 As boas vindas que Lula daria a Alexandre Pato, o genro de Berlusconi, ao Corinthians, à Itaquera, à amada Zona Leste. Por R$ 40 milhões. Com o empenho da capitalista Nike. A classe operária chegou ao Paraíso... [3]


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