1futurapress Apesar de pressionado para tentar trazer Cuca de volta, Galiotte resiste. Diz que regime é presidencialista. E garante Eduardo Baptista depois da eliminação contra a Ponte. Enfrenta conselheiros e dirigentes do Palmeiras...
Regime presidencialista.

No Brasil, os grandes clubes cooptaram esse jargão mentiroso da política. A abertura política, com direito à nova Constituição de 1988, não chegou às equipes de futebol. Elas seguem reféns de ditadores, com poder ilimitado. E que não ficam nada a dever à Kim Jong-un, presidente da Coréia do Norte ou a qualquer chefe de estado de repúblicas de bananas, espalhadas pelo mundo.

Esta é a situação do que acontece no Palmeiras.

O fracasso no primeiro teste real do milionário elenco montado com o generoso apoio financeiro da Crefisa refletiu. A esmagadora maioria da diretoria e dos conselheiros do clube ficou revoltada. Considerava obrigação chegar à final do Paulista. Ainda mais porque o time não enfrentava um clássico, mas uma equipe assumidamente média do interior de São Paulo.

Eduardo Baptista deixou claro que desejava o título ao colocar todos os seus titulares nos dois jogos. Passou por enorme vexame na derrota por 3 a 0 em Campinas. E ontem seu time, com o apoio maciço da arena verde lotada com quase 40 mil torcedores, que renderam R$ 2,9 milhões aos cofres, não conseguiu mais do que vencer por 1 a 0. Graças a um gol sem querer de Felipe Melo.

Os torcedores souberam separar as coisas. Aplaudiram o esforço dos jogadores. Que realmente se dedicaram. Deram a alma em campo. Mas correram errado. Mal distribuídos. Sem organização. Três zagueiros, mas meio de campo travado. Sem movimentação. Tchê Tchê, fundamental com Cuca, está com espaço limitado. Guerra, longe da área. Dudu e Roger Guedes se revezando pelos lados do campo, mas sem triangulações básicas com Jean e Egídio.

Borja, mais isolado que Sérgio Cabral, não consegue render. O jogador mais caro da história do Palmeiras precisa de um, dois, três jogadores atuando ao seu lado. Fazia muitos gols no Atlético Nacional quando o time de Rueda atacava em bloco. Não estático e indeciso como foi o Palmeiras de ontem, na sua primeira decisão com Eduardo Baptista. Borja também nunca foi exímio cabeceador para viver de chuveirinhos, recurso infantil e desesperado que o time apelou.

O Palmeiras variou entre 80% e 63% de posse de bola. Mas a Ponte de Gilson Kleina deixava o rival tocar a bola na sua intermediária, longe da grande área. Com o tempo passando, bateu o desespero e os jogadores passaram a chutar de qualquer maneira ao gol de Aranha. O que é um exemplo de excelente futebol, como quis demonstrar Eduardo Baptista na sua coletiva.

A diretoria e conselheiros do clube sabem que o Palmeiras perdeu pelo menos R$ 4,6 milhões por não chegar à final do Paulista. R$ 2,9 milhões de arrecadação e R$ 1,6 milhões como prêmio da FPF ao vice. Se fosse campeão, o clube embolsaria cerca de R$ 7,9 milhões. R$ 2,9 milhões de arrecadação e mais bônus de R$ 5 milhões dados pela federação.

Ou seja, a eliminação teve um custo pesado, além do moral.

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A ala conservadora comandada por Mustafá Contursi, que elegeu e mantém Galiotte no poder, está assustada com o fraco futebol palmeirense. Teme que aconteça a mesma coisa de 2016. Mesmo com o time não rendendo o mínimo, Marcelo Oliveira foi mantido por Paulo Nobre. Ele se apegava à velha desculpa que o regime era presidencialista e manteve o técnico campeão da Copa do Brasil de 2015. E perdeu jogos fundamentais na Libertadores.

Quando Oliveira foi finalmente trocado por Cuca, as chances eram remotas de o time seguir na Libertadores. E foi eliminado da desejada competição ainda na fase de grupos. Com o time de Marcelo, Cuca também caiu no Paulista. Na semifinal, como ontem.

Assim como Paulo Nobre, Galiotte empenhou sua palavra a Eduardo Baptista que ele trabalharia até o final de 2017. Com a opção de renovação para o fim de 2018, dependendo dos resultados. O que caracterizou ser uma aposta. Alexandre Mattos não tiveram a coragem de oferecer um contrato de dois anos. Exatamente pela falta de experiência do jovem treinador.

Eduardo Baptista nunca disputou uma Libertadores.

Nem jamais havia chegado à semifinal do Paulista.

Tudo é novo para o técnico.

Após a eliminação de ontem, Eduardo Baptista demorou uma hora para dar sua coletiva. Ele teve uma reunião com os jogadores. Agradeceu o empenho, a dedicação, a entrega. E garantiu que o grupo é forte. O que aconteceu foi uma fatalidade. Buscou um pacto para a conquista da Libertadores, repetindo o que Cuca fez com o Brasileiro que conquistou em 2017.

A começar já contra o Peñarol.

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A reação dos jogadores foi de aceitação.

Até porque não poderiam fazer nada.

Era o comandante do time propondo mais união, mais entrega.

Eduardo Baptista resolveu relevar a revolta de Borja.

O jogador que custou mais de R$ 32 milhões ficou ensandecido ao ser substituído. Chutou uma garrafa de água em frente ao banco de reservas. Não se importou com as câmeras, com os fotógrafos. Muito menos com Eduardo Baptista. Não falou palavrões. Apenas desabafou em voz alta para os repórteres que estavam perto ouvir.

"Sempre eu, sempre eu."

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Galiotte, lógico, soube da demonstração de desrespeito à hierarquia, ao comando de Eduardo Baptista. Mas decidiu não fazer nada para evitar que o clima fique até pior do que já está.

O presidente já passou ontem mesmo a Alexandre Mattos que Eduardo será mantido. O dirigente alega que precisa ser racional e que, no Palmeiras, acabou a história de passionalidade. O discurso chegou aos conselheiros e provocou decepção. A racionalidade está sendo traduzida para alguns, com grande influência, como não querer assumir o erro da escolha. Galiotte e Nobre foram convencidos por Mattos que, jovem, estudioso e ambicioso, Eduardo conduziria o Palmeiras à sonhada reconquista da Libertadores.

A verdade é que, depois de quatro meses de trabalho em 2017, o Palmeiras não tem um padrão de jogo definido. A equipe segue instável. E não rendendo o que se poderia esperar do time de folha de pagamento mais cara do país, R$ 13 milhões.

Fazer a melhor campanha no Paulista e na hora da decisão fraquejar não adianta.

Por isso, tanta pressão para Galiotte rever seus conceitos.

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Cuca é um nome que jamais saiu de cena no Palestra Itália.

Ele saiu campeão brasileiro para tratar de doenças na família.

Amigos do técnico dizem que tudo está resolvido.

Mas ele tem propostas importantes do Exterior.

Uma delas, da China.

Mas Maurício Galiotte não se importa.

E garante.

Eduardo Baptista seguirá como técnico.

Até quando ele quiser.

O regime no Palmeiras é presidencialista...

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