Não há limites para a crueldade do ser humano.

O tragédia da Chapecoense foi manchete no mundo todo.

O maior acidente da história envolvendo um time de futebol. 71 mortos. A delegação toda do time que decidiria a Copa Sul-Americana na Colômbia. Mais jornalistas e tripulantes. Tudo pela economia miserável de R$ 10 mil. A falta de combustível fez o avião se despedaçar a poucos quilômetros do aeroporto de Medellin.

O resgate dos corpos. O drama das famílias. O velório. A belíssima homenagem da torcida do Atlético Nacional. A dor na Arena Condá. Os enterros. Tudo transmitido à exaustão pela tevê. A dor foi palpável.

As lágrimas derramadas secaram.

A dor parecia eterna.

Parecia.

Porque bastaram cinco meses da tragédia e o pior do ser humano, a crueldade, veio à tona em Criciúma.

O time local venceu a Chapecoense por 1 a 0.

Foi uma vitória inútil porque Avaí, campeão do primeiro turno, e a Chapecoense, campeã do segundo, vão decidir o Campeonato Catarinense. Ao fim da partida veio a postura vergonhosa.

Torcedores do Criciúma passaram a entoar um lastimável coro.

"Âo, ão, ão.

Abastece o avião."

Jovens, adolescentes, adultos gritavam com raiva.

Olhavam para o campo, para os incrédulos jogadores da Chapecoense.

A atitude foi gravada e distribuída nas redes sociais.

Em seguida, a diretoria do Criciúma divulgou uma nota.

Repudiou os próprios torcedores.

"O Criciúma Esporte Clube não compactua e repudia a manifestação de torcedores ocorrida na noite deste domingo (24/04), no estádio Heriberto Hülse, durante a partida contra a Associação Chapecoense de Futebol, válida pela última rodada do returno do Campeonato Catarinense. Esse tipo de manifestação de um grupo de torcedores não expressa os princípios do Criciúma Esporte Clube e sua grande massa torcedora, que tem maior respeito não só em relação a Chapecoense, como todos os clubes catarinenses, brasileiros e do futebol mundial."

Atitude perfeita.

Mas caberia ao Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina se impor. Aplicar uma punição ao clube, apesar das desculpas. Como acontece em qualquer lugar civilizado do planeta. Equipes são punidas por cânticos racistas, por exemplo.

Se queira ou não, os torcedores do Criciúma celebravam a morte de 71 pessoas.

Mas o que o TJD catarinense decidiu fazer?

Nada.

"Analisamos as imagens e chegamos à conclusão de que não há artigo que preveja o que aconteceu no jogo. Cogitamos a denúncia baseada no Art. 213, que trata de desordem em praça de desporto. Mas, como se tratou de uma mínima parcela da torcida, e o como o Criciúma logo repudiou o ato em nota oficial, não vimos necessidade de abrir um processo. Foi uma atitude infeliz, mas de uma pequena parcela da torcida

"O clube (Criciúma) fez o que devia. Se manifestou prontamente contra a torcida e deve tomar suas medidas. Foi, claro, uma atitude impensada. Não seria o caso nem de ser campanha de conscientização, porque é obvio que o assunto não é motivo para comentários desse gênero. Todos têm a consciência."

Essas foram as palavras do procurador geral do TJD-SC, Mario Bertoncini.

É inacreditável a postura omissa do Tribunal.

Até porque há o artigo 243 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva.

Ele é claro.

"Art. 243-D. Incitar publicamente o ódio ou a violência. (Incluído
pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

PENA: multa, de R$ 100,00 (cem reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais), e suspensão pelo prazo de trezentos e sessenta a setecentos e vinte
dias. (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009).

Parágrafo único. Quando a manifestação for feita por meio da imprensa, rádio, televisão, Internet ou qualquer meio eletrônico, ou for
praticada dentro ou nas proximidades da praça desportiva em que for realizada a partida, prova ou equivalente, o infrator poderá sofrer, além
da suspensão pelo prazo de trezentos e sessenta a setecentos e vinte dias, pena de multa entre R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) e R$ 100.000,00
(cem mil reais). (Incluído pela Resolução CNE nº 29 de 2009)."

Há maior incitação ao ódio do que recomendar que o avião que matou 71 pessoas seja abastecido? Incrível a postura do procurador. Levou em conta o pedido de desculpas e não a crueldade de parte da torcida do Criciúma.

3reproducao6 Ão, ão, ão. Abastece o avião. O cruel coro de imbecis infiltrados na torcida do Criciúma ironiza tragédia da Chapecoense. O tribunal desportivo de Santa Catarina não dá qualquer punição. E estimula a falta de humanidade...

Foi uma oportunidade desperdiçada da Justiça Desportiva.

De demonstrar sua autoridade moral.

E cumprir o que prevê a legislação.

A acomodação pelo pedido de desculpas do Criciúma é repulsiva.

A omissão da justiça desportiva catarinense chega em péssima hora.

Em Portugal, a torcida organizada do Porto, Super Dragões, resolveu provocar o Benfica. Em um jogo de handebol, o coro, bem ensaiado, não poderia ser mais vil.

"Quem me dera, se o avião da Chapecoense fosse do Benfica."

Aqui como lá, não houve punição.

Só desculpas, lamentações.

A polícia também não faz o mínimo esforço para identificar os torcedores. Mesmo com toda tecnologia à mão. Falta o mínimo de vontade para punir esses imbecis.

Ou seja, a tragédia, 71 mortos, virou motivo de chacota.

Provocação.

Com direito à demonstração do pior do ser humano.

A complacência das autoridades é cúmplice desses cruéis imbecis...
520 Ão, ão, ão. Abastece o avião. O cruel coro de imbecis infiltrados na torcida do Criciúma ironiza tragédia da Chapecoense. O tribunal desportivo de Santa Catarina não dá qualquer punição. E estimula a falta de humanidade...

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