ae29 Andrés quer reconhecimento internacional; Gobbi, lucro; Tite deseja o jogador dos seus sonhos no ataque do Corinthians. A aposta de todos: a apaixonada torcida transformará o fashion Alexandre Pato em um maloqueiro, sofredor, graças a Deus. E, claro, também graças a R$ 40 milhões...
Mario Gobbi, Tite e Andrés Sanches.

Os três são responsáveis pela negociação com Alexandre Pato.

O Corinthians foi campeão do mundo sem uma estrela internacional.

Não houve necessidade.

A merecida festa no Brasil acabou sendo doméstica.

Não teve a repercussão pelo planeta.

Os grandes clubes da Europa não mandaram emissários ao Parque São Jorge.

A direção esperava que empresários fizessem fila.

Quisessem Guerrero, Cássio, Paulinho, Ralf, Emerson.

Nada disso.

O raciocínio dos dirigentes é que se houvesse uma estrela, o título repercutiria muito mais.

Uniria o útil ao agradável.

Depois do estádio, da Libertadores, do Mundial...

Dos CTs profissional e amador, do faturamento de R$ 300 milhões.

O Corinthians quer a sua internacionalização.

Fazer com que o campeão do mundo seja conhecido.

Comece a disputar espaço com Barcelona, Manchester United, Milan.

E ganhar admiradores pelo mundo.

A única maneira, além de ganhar títulos, é ter estrelas.

Pelo menos uma.

Esta filosofia Andrés Sanchez aprendeu tendo Tevez.

Foi um susto no início.

Ele e Dualib tratavam como mimo os jornais da Europa trazidos por Kia Joorabchian.

O Corinthians era falado na Europa.

O auge deste sentimento em Andrés foi com Ronaldo.

O calendário brasileiro não permitiu que o clube fizesse amistosos no Exterior.

A CBF costuma travar as viagens, para que não prejudique seus torneios.

Principalmente o Brasileiro.

Os períodos de amistosos e torneios relâmpagos na Europa são julho e agosto.

Com o torneio nacional em andamento.

Mas Mario Gobbi já tem a promessa de Marin de que o Corinthians será liberado.

Há a expectativa de convites, agora que o time é campeão do mundo.

Para ter a garantia do convite, um ídolo conhecido.

"E novo para que possa ser vendido no futuro", repete Gobbi.

Não é por acaso que sua frase predileta é 'futebol é business'.

Indo por esse caminho, Alexandre Pato se tornou uma grande oportunidade.

Aos 23 anos, a cúpula corintiana sabe que ele pode ser comprado 'em baixa'.

Ou seja, desvalorizado.

O Paris Saint Germain no início do ano queria o jogador a qualquer custo.

Ou melhor, ofereceu R$ 80 milhões.

O time italiano não vendeu, acreditava na sua recuperação.

Só que a aposta foi um fracasso.

O atleta das 15 contusões musculares, não conseguiu se firmar.

Como na Seleção Brasileira.

Inseguro, inconstante, sem vibração.

Não é por acaso que o atacante pode fechar com o Corinthians.

E por R$ 40,6 milhões.

O clube italiano está disposto a vender o brasileiro.

A incrível desvalorização combina com o fraco rendimento de Pato.

Ela tem tudo a ver com as suas visitas ao Milan-Lab.

Pomposo nome para o departamento médico do clube, que não é conhecido por sua competência.

Pirlo era apontado quase como um ex-jogador.

Hoje é o melhor italiano em atividade na Juventus.

Os departamentos físico e médico corintiano estudaram Pato.

Sabe do seu desequilíbrio muscular nas duas pernas.

E garantem ter condições de colocá-lo para jogar como os tempos do Internacional.

Aí é que surge Tite.

Gaúcho, ele acompanhou todo o processo envolvendo o atacante no Beira-Rio.

E é simplesmente encantado com o seu potencial.

Nas suas retinas estão as jogadas maravilhosas do início de carreira.

Ele acredita que o potencial está lá, o que é preciso fazer é dar condições físicas.

E fazer com que Pato redescubra a confiança.

Tite assegurou à diretoria que isso ele resolve.

Ficam assim esclarecidas as dúvidas.

Andrés Sanchez quer um ídolo para a internacionalização de vez do Corinthians.

E, lógico, atrair ainda mais patrocinadores milionários.

Ter o jogador como garoto propaganda, seguir o exemplo de Neymar no Santos.

Se estiver ainda namorando Barbara Berlusconi, melhor ainda.

Mais capas de revista.

Para o pragmático Mario Gobbi, Pato significa retorno financeiro.

Recuperar o garoto de 23 anos, colocá-lo na Seleção Brasileira.

E vendê-lo com grande lucro depois da Copa do Mundo.

Já Tite quer um diferencial no ataque.

Um companheiro perfeito para as arrancadas de Emerson.

Nem se lembra que o peruano Guerreno marcou o gol do título mundial.

A vaga de titular, se recuperado, é do jovem brasileiro.

O tapete vermelho está estendido para que se torne o artilheiro do time.

A briga por Pato se torna fácil de traduzir.

Publicidade, investimento e injeção de talento no ataque corintiano.

Quanto à sua personalidade distante, blasé, contido, fashion.

E que combinaria muito mais, com o São Paulo, por exemplo...

Os dirigentes e Tite têm certeza.

A torcida corintiana o transformará em mais um do bando de loucos.

Em mais 'maloqueiro, favelado, graças a Deus'.

Essa talvez seja a missão mais difícil.

Mais até do que comprar Alexandre Pato...

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