Publicado em 27/12/2012 às 11h18
Andrés quer reconhecimento internacional; Gobbi, lucro; Tite deseja o jogador dos seus sonhos no ataque do Corinthians. A aposta de todos: a apaixonada torcida transformará o fashion Alexandre Pato em um ‘maloqueiro, sofredor, graças a Deus’. E, claro, também graças a R$ 40 milhões…

Mario Gobbi, Tite e Andrés Sanches.
Os três são responsáveis pela negociação com Alexandre Pato.
O Corinthians foi campeão do mundo sem uma estrela internacional.
Não houve necessidade.
A merecida festa no Brasil acabou sendo doméstica.
Não teve a repercussão pelo planeta.
Os grandes clubes da Europa não mandaram emissários ao Parque São Jorge.
A direção esperava que empresários fizessem fila.
Quisessem Guerrero, Cássio, Paulinho, Ralf, Emerson.
Nada disso.
O raciocínio dos dirigentes é que se houvesse uma estrela, o título repercutiria muito mais.
Uniria o útil ao agradável.
Depois do estádio, da Libertadores, do Mundial...
Dos CTs profissional e amador, do faturamento de R$ 300 milhões.
O Corinthians quer a sua internacionalização.
Fazer com que o campeão do mundo seja conhecido.
Comece a disputar espaço com Barcelona, Manchester United, Milan.
E ganhar admiradores pelo mundo.
A única maneira, além de ganhar títulos, é ter estrelas.
Pelo menos uma.
Esta filosofia Andrés Sanchez aprendeu tendo Tevez.
Foi um susto no início.
Ele e Dualib tratavam como mimo os jornais da Europa trazidos por Kia Joorabchian.
O Corinthians era falado na Europa.
O auge deste sentimento em Andrés foi com Ronaldo.
O calendário brasileiro não permitiu que o clube fizesse amistosos no Exterior.
A CBF costuma travar as viagens, para que não prejudique seus torneios.
Principalmente o Brasileiro.
Os períodos de amistosos e torneios relâmpagos na Europa são julho e agosto.
Com o torneio nacional em andamento.
Mas Mario Gobbi já tem a promessa de Marin de que o Corinthians será liberado.
Há a expectativa de convites, agora que o time é campeão do mundo.
Para ter a garantia do convite, um ídolo conhecido.
"E novo para que possa ser vendido no futuro", repete Gobbi.
Não é por acaso que sua frase predileta é 'futebol é business'.
Indo por esse caminho, Alexandre Pato se tornou uma grande oportunidade.
Aos 23 anos, a cúpula corintiana sabe que ele pode ser comprado 'em baixa'.
Ou seja, desvalorizado.
O Paris Saint Germain no início do ano queria o jogador a qualquer custo.
Ou melhor, ofereceu R$ 80 milhões.
O time italiano não vendeu, acreditava na sua recuperação.
Só que a aposta foi um fracasso.
O atleta das 15 contusões musculares, não conseguiu se firmar.
Como na Seleção Brasileira.
Inseguro, inconstante, sem vibração.
Não é por acaso que o atacante pode fechar com o Corinthians.
E por R$ 40,6 milhões.
O clube italiano está disposto a vender o brasileiro.
A incrível desvalorização combina com o fraco rendimento de Pato.
Ela tem tudo a ver com as suas visitas ao Milan-Lab.
Pomposo nome para o departamento médico do clube, que não é conhecido por sua competência.
Pirlo era apontado quase como um ex-jogador.
Hoje é o melhor italiano em atividade na Juventus.
Os departamentos físico e médico corintiano estudaram Pato.
Sabe do seu desequilíbrio muscular nas duas pernas.
E garantem ter condições de colocá-lo para jogar como os tempos do Internacional.
Aí é que surge Tite.
Gaúcho, ele acompanhou todo o processo envolvendo o atacante no Beira-Rio.
E é simplesmente encantado com o seu potencial.
Nas suas retinas estão as jogadas maravilhosas do início de carreira.
Ele acredita que o potencial está lá, o que é preciso fazer é dar condições físicas.
E fazer com que Pato redescubra a confiança.
Tite assegurou à diretoria que isso ele resolve.
Ficam assim esclarecidas as dúvidas.
Andrés Sanchez quer um ídolo para a internacionalização de vez do Corinthians.
E, lógico, atrair ainda mais patrocinadores milionários.
Ter o jogador como garoto propaganda, seguir o exemplo de Neymar no Santos.
Se estiver ainda namorando Barbara Berlusconi, melhor ainda.
Mais capas de revista.
Para o pragmático Mario Gobbi, Pato significa retorno financeiro.
Recuperar o garoto de 23 anos, colocá-lo na Seleção Brasileira.
E vendê-lo com grande lucro depois da Copa do Mundo.
Já Tite quer um diferencial no ataque.
Um companheiro perfeito para as arrancadas de Emerson.
Nem se lembra que o peruano Guerreno marcou o gol do título mundial.
A vaga de titular, se recuperado, é do jovem brasileiro.
O tapete vermelho está estendido para que se torne o artilheiro do time.
A briga por Pato se torna fácil de traduzir.
Publicidade, investimento e injeção de talento no ataque corintiano.
Quanto à sua personalidade distante, blasé, contido, fashion.
E que combinaria muito mais, com o São Paulo, por exemplo...
Os dirigentes e Tite têm certeza.
A torcida corintiana o transformará em mais um do bando de loucos.
Em mais 'maloqueiro, favelado, graças a Deus'.
Essa talvez seja a missão mais difícil.
Mais até do que comprar Alexandre Pato...
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