adriano Adriano e Ronaldo. A diferença é que um joga no clube que ama. E o outro no clube que paga bem...

Enquanto Ronaldo está sendo dissecado pelo vexatória atuação de quarta-feira, Adriano conseguiu alguns momentos de paz.

Ele havia perdido a sua imunidade com a perda do título do campeonato carioca.

A apaixonada torcida flamenguista perdeu a paciência com seu maior ídolo.

E não perdoou o desperdício de um pênalti e a derrota para o Botafogo.

As vaias e os palavrões dominaram o Maracanã.

Foi uma maneira de os torcedores se vingarem do descaso, das faltas aos treinos, da absurda briga com a ex-noiva no Complexo do Alemão.

Dos muitos quilos a mais.

E dos gols a menos.

Adriano engoliu em seco.

Viu a torcida que ele pensou que o amaria acima de tudo ser muito vingativa.

Descobriu da pior maneira que os tempos são outros.

Não existe mais torcida 'Amélia', fiel e apaixonada, que aceita traições, maus tratos.

Adriano se sentiu culpado, e com razão, pela queda do vice Marcos Braz e, do seu querido, técnico Andrade.

Graças ao atacante que o treinador ganhou uma tatuagem: a de técnio permissivo, omisso.

Tudo porque não puniu Adriano pelas seguidas faltas a treinamentos.

Ele tem um acordo com os dirigentes.

Combinou quando assinou seu contratro com o clube.

Quando ele não puder ir ao treinamento, não será punido.

Mas a situação é muito desigual.

Privilégio absurdo, abusivo.

E ele não se fez de rogado, aproveitou.

Pensou que o título brasileiro desse salvo conduto para todos.

Mera ilusão.

Quando viu tudo ruir, resolveu mudar de postura.

Não abre a boca com a imprensa.

Treina sério e de cara fechada.

Age como se quisesse se vingar do mundo.

Como se o mundo tivesse de pagar pelo que ele, Adriano, fez.

Por isso não comemorou o gol de pênalti contra o Corinthians.

Agradeceu aos céus, ao pai falecido e deu.

Ignorou o famoso coro "o imperador voltou, o imperador voltou".

Veículos de comunicação fazem campanha para que volte a comemorar gols.

Faça a paz com a torcida.

Mas Adriano não tem pressa.

Sabe bem aproveitar a ansiedade flamenguista.

Os súditos que voltem a cultuá-lo, a respeitá-lo.

O único motivo de irritação é o pretenso vazamento do seu peso atual: 103 quilos.

Ele continua mais do que confiante que estará na Copa da África.

Confia na relação paternalista que Dunga mantém com ele.

E também no seu retorno para a Europa após a Copa do Mundo.

Mas antes, ele é esperto.

Sabe o quanto significa para a torcida e para o cenário nacional, o Flamengo eliminar o Corinthians da Libertadores.

Na sua casa, no Pacaembu.

O interino Rogério Lourenço está empolgado porque tem a palavra de Adriano de que ele fará tudo direito.

Não irá escorregar a poucos dias dessa decisão.

Este é o momento de Adriano.

Está em paz e com ele em paz, o Flamengo fica em paz.

Tudo pode mudar da noite para o dia, mas Adriano jurou a Rogério Lourenço que não.

Sorte do rubro-negro.

Ao contrário de Ronaldo, que terá de dar explicações à Gaviões amanhã, o calado Adriano sabe bem demais o que significa a Libertadores para o seu clube.

Talvez seja a diferença por jogar no time que ama.

Quantas vezes você viu Ronaldo beijar a camisa do Corinthians?

http://r7.com/nV4w