A volta de Cuca ao Palmeiras foi um fracasso. Mano Menezes ganha força para 2018
O desânimo de Cuca contagia e assusta o Palmeiras.

Dirigentes e conselheiros importantes estão cansados de desculpas. O time campeão brasileiro de 2016 foi reforçado, teve o aporte financeiro de R$ 115 milhões da Crefisa, em 2017. Os apaixonados torcedores levaram R$ 54,1 milhões ao clube. Pagando o ingresso mais caro do país. Em média, R$ 61,00. E chegando à média de R$ 1,9 milhão nos jogos em casa.

Ou seja, não faltaram apoio e nem dinheiro.

O primeiro treinador de 2017, Eduardo Baptista, falou abertamente que a meta era ganhar todos os títulos que o Palmeiras disputasse. Não falou lutar pelas conquistas. Mas vencer. Principalmente a Libertadores.

Baptista era virgem. Nunca havia disputado uma Libertadores como treinador. A escolha foi um óbvio erro. E acabou demitido depois de alguns vexames. Derrota por 3 a 0 para a Ponte Preta e eliminação do Brasileiro. Socar a mesa e garantir ser 'muito homem'. Ser desrespeitado por Borja, que chutou uma garrafa d'água, diante dos fotógrafos e câmeras de tevê, ao ser substituído. E derrota para o Jorge Wilstermann na Bolívia, pela Libertadores.

O executivo de futebol, Alexandre Mattos, a mando do presidente Mauricio Galiotte e da torcida fervorosa da dona da Crefisa, Leila Pereira, foi buscar Cuca. O treinador que havia vencido o Brasileiro. E que se afastou do clube, mesmo com o título, desgastado com o ex-presidente Paulo Nobre. E também para cuidar de dois parentes seriamente adoentados.

Cuca relutou. Venceu o Brasileiro mas se sentiu muito tolhido, desgastado. O seu comportamento foi vigiado. Não pôde exercer sua fervorosa religiosidade, suas superstições. E se cansou da pressão de fazer o time mostrar um futebol mais bonito, de toque de bola, que respeitasse a tradição palmeirense. E não o que acabou batizado de 'Cucabol', um esquema agudo, baseado na velocidade, na força física, nos chutões, nos laterais para a área. Com o meio de campo desprezado, sem articulação, neurônio. Um time que tinha ritmo de showbol.

A sua proposta foi campeã pela característica dos jogadores e também pela fragilidade dos rivais. Cuca havia fracassado também na Libertadores de 2016, mas como pegou o time já mergulhado na crise, herança de Marcelo Oliveira, foi perdoado.

Mas o encanto acabou.

Vivemos a metade de outubro. Cuca reassumiu seu lugar no dia 9 de maio. Com a esticada na Libertadores, teve tempo para trabalhar, formar seu time e seu esquema. Afinal, havia trabalhado com 85% dos jogadores, há apenas cinco meses. Mesmo sem a sombra de Paulo Nobre exigindo que se comportasse 'politicamente correto', o técnico retornou com uma estranha insegurança. Demonstrou não saber qual seria o esquema, a filosofia de jogo do Palmeiras vitaminado de 2016.

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Lógico, que agonizava de saudade de Gabriel Jesus, sua grande e emblemática perda. Pouco falou abertamente, mas também quase sentou e chorou ao saber que Vitor Hugo iria para a Fiorentina. Acreditava o parceiro ideal para Mina. Tanto defendendo, quanto no ataque.

Mas teve como compensação os dois maiores destaques do time campeão da Libertadores. O talentoso meia Guerra. E o oportunista, mas lento, Borja. Recebeu também um jogador que nunca pediria a contratação, o personalista Felipe Melo. Mandou buscar Deyverson, para compensar a falta de gols de Borja. Lastimou o fracasso na contratação de Diego Souza.

Mas mesmo assim, Cuca não fez sua parte. Sua insegurança quanto à montagem do time, apesar de todos os treinos fechados, extrapolou. Contagiou os jogadores, chegou aos dirigentes. E até mesmo na empolgada torcida palmeirense.

E os objetivos de 2017 foram murchando. O time caiu diante do Cruzeiro na Copa do Brasil, com direito a Felipe Melo desabafar contra a frágil estrutura tática do time e dizer que com Cuca o Palmeiras não iria ganhar 'porra' nenhuma. Acabou afastado pelo técnico. Mas acertou o vaticínio.

O modesto Barcelona de Guayaquil eliminou o milionário Palmeiras, ainda nas oitavas de final da Libertadores, com a arena abarrotada. Com 38.10 apaixonados que pagaram R$ 3.343.320,49. A diretoria chorou a eliminação e pelo menos mais R$ 15 milhões que imaginava ganhar até a final da competição. Com a eliminação, acabou o sonho de Mundial. Fica valendo ainda a Copa Rio de 1951 para muitos.

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Todos os olhares se voltaram para Cuca. O treinador já havia colocado seu cargo à disposição na eliminação da Copa do Brasil. Mesma coisa, com a Libertadores. Ele segue esse ritual no Palmeiras em 2017. Após uma queda, Cuca diz a Alexandre Mattos que, se quiser trocar o técnico, não tem problema. Mas o executivo tem sido firme e garantido que o deseja até o final de 2018.

Restou o Brasileiro, com o Corinthians disparado. Cuca sabe que no jornalismo atual, promessas de treinador servem para desviar o foco. E tentou repetir o que fez em 2016. Após a eliminação da Libertadores, no ano passado, garantiu a conquista do título nacional. Acabar com o jejum de 22 anos. Foi o que conseguiu.

Cuca garantiu que ainda havia possibilidade de ser campeão brasileiro, ultrapassar o Corinthians. Ganhou manchetes positivas e os fracassos na Libertadores e na Copa do Brasil foram deixadas de lado. Só que logo ficou claro que não passou de uma promessa vazia. Depois, outra 'meta', mais modesta. Mas que a imprensa engoliu. 'Ser o melhor time do segundo turno." Vieram as rodadas e seu time despencando. Com o péssimo futebol no empate diante do Bahia, ontem no Pacaembu, o Palmeiras chegou a 16 pontos desperdiçados em casa. Faltando ainda 11 rodadas para o fim do Brasileiro. No campeonato de 2016, ele só perdeu 11 pontos.

Está muito longe do Corinthians, distante 14 pontos. E, no segundo turno do Brasileiro, já está oito pontos distante do Cruzeiro, na disputa pelo turno, inventada por Cuca. Daqui a pouco só vai restar o técnico prometer que o Palmeiras terá a camisa mais verde de São Paulo...

Pior que as promessas de Cuca é que o time segue jogando muito mal. Com o técnico ainda fazendo testes no time. Não há equipe ideal, depois de cinco meses de trabalho! Os atletas cada vez mais inseguros. Com um ingrediente ainda mais sabotador. O técnico colocou para jogar Felipe Melo e Borja, sem nenhuma convicção. Deixava claro que fazia o que a torcida e os dirigentes queriam, como deixou claro na coletiva.

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Há muita preocupação dos dirigentes e conselheiros ligados a Mustafá Contursi, que dão a sustentação política a Galiotte. O time está jogando cada vez pior. Depois dos fracos Atlético Goianiense e Ponte Preta em casa, há o Grêmio fora, o Cruzeiro em casa, Corinthians fora, Vitória fora, Flamengo em casa, Sport em casa, Avaí fora, Botafogo em casa e Atlético Paranaense fora.

A tabela não é fácil. Ainda mais com o time cada vez mais tenso, sem rumo.

O medo é o clube não chegar sequer à Libertadores de 2018.

O que seria um caos para as finanças.

As conversas entre conselheiros influentes no Palmeiras são sobre uma troca. Se vale a pena manter, apostar em novas contratações milionárias e colocá-las nas mãos de Cuca em 2018. O nome de Mano Menezes tem sido repetido com cada vez mais frequência.

Alexandre Mattos ainda quer seguir com Cuca. O treinador se mostra mais nervoso, irritado. Sabe que voltou com a aura de vencedor e 2017 foi um grande fracasso para ele pessoalmente. Em Belo Horizonte, candidatos da situação e da oposição nas eleições do Atlético Mineiro acenam com o retorno de Cuca, que fez a equipe campeã da Libertadores.

O desgaste no Palmeiras é evidente.

O cenário não é de continuidade de Cuca para o próximo ano.

Restam 11 partidas para que este clima seja mudado.

Só que Alexandre Mattos é um dos poucos que acreditam.

Há o desejo de profunda reformulação no futebol palmeirense.

Mano, também cogitado pelo São Paulo, ganha força.

As vaias de ontem contra o Bahia repercutem.

Assim como as quedas na Libertadores.

E na Copa do Brasil.

O projeto 2017, sob o comando de Cuca, fracassou...
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