132 A vitória que o São Paulo de Rogério Ceni precisava. Seu time se impôs diante do favorito e milionário Palmeiras. 2 a 0. Lucas Pratto desequilibrou o clássico. Fernando Prass assumiu as falhas nos gols...

Foi uma vitória para ganhar moral. O São Paulo de Rogério Ceni se impôs diante do favorito Palmeiras, dono do elenco mais caro do país. Mais competitivo, mais organizado e, principalmente, desejando mais vencer o clássico. Lucas Pratto decidiu. O argentino marcou o seu gol e ainda serviu Luiz Araújo para fazer 2 a 0.

"Espero que tenha significado especial para todos jogadores. A gente viu a felicidade no vestiário. Torcedor que veio volta feliz, o que ficou em casa, acho que todos ficaram felizes com uma vitória importante talvez contra a melhor equipe do Brasil.

"A vitória não é minha, é dos atletas. Se doaram no campo. Fizeram tudo pedido e um pouco mais. E eles têm de comemorar mesmo. Jogar contra o Palmeiras, pelo grau de qualidade que tem, os jogadores, e sair vitorioso, tem de ser algo significativo para eles", dizia, Rogério Ceni, tentando passar tranquilidade. Mas a alegria estava estampada no rosto.

Sabia que, a partir de hoje, terá mais paz para trabalhar.

Além de jogarem mal, os palmeirenses tiveram Fernando Prass em péssima noite. Falhou feio no gol de Pratto e não teve reflexo para defender o chute de Luiz Araújo, que passou debaixo do seu corpo. Jean também foi cúmplice nesta derrota. O lateral/volante cobrou mal demais o pênalti que poderia empatar o jogo, quando estava 1 a 0. Afobado, tenso, cobrou para fora.

"Acabei tirando muito. Parece fácil na televisão, mas não é. A responsabilidade é minha. Não adianta ter a posse de bola e não ser agudo. Faltou ser efetivo, chutar. A grama estava molhada", dizia Jean, tentando desviar o foco do erro primário na sua cobrança de pênalti.

"Acho que não jogamos tão mal. Só que errei em dois lances completamente defensáveis. Se eu não reconhecer isso vou estar depondo contra mim mesmo. Duas bolas que eu poderia ter defendido", confessou, com sinceridade, Fernando Prass.

"O São Paulo tinha a necessidade do resultado, veio com três zagueiros e na estratégia dele foi muito feliz. A gente propôs o jogo, se não fizesse isso, ficava cada um em um canto. Não acho que o Palmeiras jogou mal. Faltou mais a profundidade, agressividade.

"Todo mundo fala: "O Palmeiras gastou milhões, gastou milhões, tem de ganhar". Eu tento tirar esse peso, porque no futebol não existe isso. Tem de ter regularidade maior nas competições, que são muitas. E se o Palmeiras gastou milhões, é porque arrecadou milhões", dizia, irritado, Cuca. Ele já voltou a sentir que nem sempre é confortável comandar o time mais rico do país.

Vitória justa do time que queria vencer.

O resultado trará tranquilidade para o pressionado Ceni.

Continua o tabu. Há 15 anos, o Palmeiras não vence o São Paulo no Morumbi. São 24 jogos. 15 vitórias tricolores e 9 empates.

Foram duas realidades. O time de Rogério Ceni foi montado para defender e depois contragolpear. O treinador sabia que não podia perder. A cobrança estava intensa, cruel. Ele resolveu apostar em três zagueiros: Lucão, Maicon e Rodrigo Caio. O esquema e a dinâmica do São Paulo lembrava demais o time nos tempos de Muricy Ramalho. A grande maioria do jogo atuou no 3-5-2. Alternou, pouca vezes, para o 3-4-2-1. Com muita intensidade nas intermediária. E esmero na recomposição sem a bola, principal falha desde que Ceni assumiu a equipe.

O esquema foi montado em segredo.

E especificamente para o clássico desta noite.

Para o São Paulo, a partida valia muito.

3reproducao8 A vitória que o São Paulo de Rogério Ceni precisava. Seu time se impôs diante do favorito e milionário Palmeiras. 2 a 0. Lucas Pratto desequilibrou o clássico. Fernando Prass assumiu as falhas nos gols...

Por isso seus jogadores sabiam que o favoritismo era do milionário time montado pela Crefisa. E também tinham a convicção que a vitória mudaria o ambiente no Morumbi. Diminuiria, e muito, a pressão e cobrança pelo fraco futebol que a equipe vinha apresentando. O adversário era o ideal. Derrotar o atual campeão brasileiro e com elenco formado para ganhar a Libertadores, seria sensacional.

Rogério Ceni conseguiu incutir essa certeza na sua equipe.

Já o Palmeiras entrou no Morumbi de uma forma impressionante fria, sem competitividade. O time que havia sido criticado pela insanidade com que jogou contra o Atlético Tucumán, tentou ser mais consciente. O plano de Cuca era fazer os palmeirenses tocar com calma, atacar em bloco, ficar com a posse de bola, ir enervando o rival, aproveitar os espaços que o rival sempre costumava deixar defensivamente.

Mas era evidente que faltava a mesma gana do rival para vencer o clássico. Além da total ausência de objetividade. O time tocava, tocava, tocava a bola na intermediária. Mas não conseguia penetrar no sistema defensivo são paulino, muito bem montado. Faltaram triangulações pelas laterais. E, principalmente, arremates. O Palmeiras é um time que parece ter vergonha de chutar de fora da área. Esse defeito é gravíssimo.

E Cuca tem de perceber o óbvio.

Com os nanicos Dudu e Willian, não adiantam os cruzamentos para a área. Seu time insistia de forma irritante em levantamentos inócuos para a área são paulina.

Uma bobagem inacreditável.

O treinador teve coragem. Enfrentou Borja. A contratação mais cara da história do Palmeiras, ficou no banco. Mas não adianta apostar na velocidade de Willian, se Cuca não consegue fazer com que Guerra seja acionado. Seu time voltou a desprezar o seu mais cerebral jogador. Mina teve mais bolas para tentar servir os atacantes do que o meia. Outro defeito grave.

O São Paulo mostrou progresso e acertos. Jucilei foi muito bem escalado na entrada da área, fixo, apesar de o time ter três zagueiros. Outra entrada fundamental foi de Marcinho. O meia atuou como ala pela direita. E conseguiu não só apoiar, mas conseguiu defender, fechar o espaço. Dudu não teve vida boa com ele. Rogério Ceni precisa descobrir o que acontece com Cueva. Outra vez, seu futebol foi péssimo. Destoou até na falta de vontade, competitividade. Sem vontade, sem força física.

Depois de um primeiro tempo sem emoções, Fernando Prass começou a falhar, aos 17 minutos. Marcinho deu uma ótima assistência para Lucas Pratto. O argentino estava muito aberto pela direita da grande área. Ele chutou entre o goleiro e a trave. O arremate nem foi tão forte. Mas a bola entrou.
São Paulo, 1 a 0, aos 17 minutos.

Imediatamente, Cuca adiantou seu meio de campo. A ideia era acordar. E passar a pressionar com vontade a saída de bola do São Paulo. Bastaram cinco minutos. O São Paulo não conseguiu evitar o assédio. E Jucilei acabou cometendo pênalti em Jean.

O mesmo lateral/volante foi para a cobrança. Tenso, bateu forte. Mas para fora, do lado esquerdo de Renan Ribeiro. O lance deu mais confiança aos são paulinos. O Palmeiras mantinha a bola, mas não chutava. Faltava objetividade.

O São Paulo se mantinha firme, se defendendo bem. Esperando articular um contragolpe com sucesso. E ele veio. Outra vez, Lucas Pratto foi fundamental.
Ele deu ótimo passe para Luiz Araújo. O jovem atacante bateu fraco, mas Fernando Prass, outra vez, falhou.

2 a 0, São Paulo, aos 38 minutos do segundo tempo.

O clássico estava decidido.

4reproducao5 A vitória que o São Paulo de Rogério Ceni precisava. Seu time se impôs diante do favorito e milionário Palmeiras. 2 a 0. Lucas Pratto desequilibrou o clássico. Fernando Prass assumiu as falhas nos gols...

Agora, a pressão muda de lado.

Rogério Ceni está aliviado.

E Cuca tem a obrigação de arrumar seu time.

Dar personalidade, uma maneira convincente de atuar.

Não basta ter nas mãos o elenco mais caro da América Latina...
2reproducao14 A vitória que o São Paulo de Rogério Ceni precisava. Seu time se impôs diante do favorito e milionário Palmeiras. 2 a 0. Lucas Pratto desequilibrou o clássico. Fernando Prass assumiu as falhas nos gols...

http://r7.com/Polu