É um dos casos mais escandalosos do futebol sul-americano.

De fazer chorar de vergonha qualquer pessoa decente.

Mostra como a Conmebol se sujeita a pressões.

Não se importa com justiça.

Muito menos em ser desmoralizada.

Fosse um argentino favorecido, a revolta por aqui seria generalizada.

Mas como foi um brasileiro, ex-jogador da Seleção, muitos se calam.

Nem mesmo ele acreditava que sairia impune do gesto covarde.

No dia 15 de novembro, o Grêmio foi desclassificado da Copa Sul-Americana.

O time de Luxemburgo fracassou diante do Millonários na Colômbia.

A arbitragem de Carlos Vera foi muito ruim.

Prejudicial ao time brasileiro.

Os gremistas protestaram pelo pênalti de Werley sobre Ramírez, aos 46 minutos do segundo tempo.

A cobrança de Renteria custou a eliminação ao time brasileiro.

Houve revolta por Vera não marcar pênalti cometido sobre Marco Antonio, aos 44 da primeira etapa.

Os jogadores gaúchos ficaram descontrolados.

Eles e o treinador da equipe cercaram o trio de arbitragem após a eliminação.

Com palavrões e gestos mostravam sua raiva.

Foi quando surgiu Elano.

Por trás de todos, acertou um pontapé em um dos bandeiras.

Ele desmoronou e ficou caído entre os árbitros e os policiais.

Cena registrada pelas câmeras da tevê.

Imagem clara, justa, límpida.

Tanto que, quando o jogador soube que foi flagrado, desmoronou.

Na madrugada, ele postou no seu twitter a confissão.

a15 A vergonhosa liberação de Elano. Não foi vitória do Grêmio, da CBF, do Brasil. Apenas mais uma demonstração patética de como o futebol funciona na América do Sul...

Nem precisava, todos haviam enxergado muito bem o que havia feito.

Só que logo na manhã seguinte, o twitter havia sido apagado.

Era a a direção do Grêmio já trabalhando.

Incrível foi a sequência dos fatos.

O árbitro Carlos Vera entregou a súmula do jogo na Conmebol.

O presidente da CBF, José Maria Marin, foi acionado.

Ele deveria ajudar o time brasileiro.

O Grêmio já teria sido prejudicado com a arbitragem.

Não poderia perder Elano.

Eram fortes os boatos de que o meia ficaria suspenso por dez meses.

Ou por, no mínimo, dez jogos da Libertadores.

Além de Marin, a Federação Gaúcha e a diretoria gremista pressionaram a Conmebol.

Houve uma blitz política para salvar o meia.

Virou questão de honra.

Se não haveria volta pela desclassificação, pelo menos seria uma compensação.

Pouco importava o chute descarado, absurdo no bandeira.

E aproveitando a calmaria do final da temporada, as conversas continuaram.

Até que no dia 21 de dezembro, veio o resultado.

O secretário geral da Conmebol, Francisco Brites, tomou a decisão.

Ele e o Comitê Executivo da entidade.

Não houve julgamento, nada.

Lá é assim.

A decisão foi de gabinete.

O resultado foi divulgado primeiro para a CBF, para Marin.

Um descalabro.

Léo Gago, Werley e Anderson Pico pegaram três jogos de suspensão.

O Grêmio multado em 10 mil dólares.

E Elano?

Não teve suspensão alguma.

Nem um dia, nada.

Foi como uma troca, um escambo.

A suspensão do trio de atletas que xingou os árbitros.

Mais dez mil dólares.

E mais a eliminação gremista.

Tudo somado valeu o covarde pontapé de Elano.

O caso não repercutiu como deveria.

Muito pelo contrário.

Há um silêncio generalizado, quase combinado.

Como favoreceu um brasileiro, a hora é de se calar.

A única pessoa envergonhada com todo o caso é o próprio Elano.

Ficou claro que ele esperava uma punição.

Sabe a gravidade do ato que cometeu.

Finalmente ontem mostrou todo o seu arrependimento.

Sentimento que não pôde ser exposto antes.

Foi proibido pela direção gremista para não prejudicar seu 'julgamento'.

"Erro como todo o ser humano.

Estou arrependido e muito triste, sei que é uma atitude que não devo tomar.

Tenho 103 crianças em um projeto que cuido e duas filhas em casa.

Isso não é exemplo para ninguém.

Garanto que jamais será repetido."

A sua tristeza era verdadeira.

Assim como o sentimento de vergonha.

Realmente, Elano tem uma carreira limpa.

Mas deveria sim ser punido.

Não privilegiado.

A atitude da Conmebol só mostra como tudo acontece na América do Sul.

O quanto não há justiça, apenas política rasteira.

Não foi uma vitória brasileira.

Foi uma derrota da ética, da vergonha na cara.

Da selvageria.

Elano viaja normalmente para Quito.

Jogará a pré-Libertadores contra a LDU.

E assim caminha a hipocrisia sul-americana.

Até que venha um outro pontapé covarde a um árbitro.

Se for brasileiro, não haverá motivo para preocupação.

O Grêmio, a CBF e a Conmebol já mostraram o caminho...
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