1reproducao32 A surreal relação entre a imprensa e Tite. O encantamento com o técnico da Seleção é geral. Mas faltam um ano e três meses para o real objetivo. A conquista da Copa do Mundo. Tite não pode se deixar levar pelas palmas, abraços e elogios de jornalistas...
Foi uma cena surreal no Itaquerão.

Nem quando a Seleção conseguiu a mais sofrida classificação para a Copa do Mundo, em 1993, jamais havia testemunhado algo igual, parecido. Há 24 anos, o Brasil ficou de joelhos para Romário. O time de Parreira precisava vencer o Uruguai no Maracanã. O atacante estava afastado da Seleção por haver se revoltado de ficar na reserva em um amistoso contra a Alemanha. "Se for para ficar no banco, não precisa me chamar. Me deixe na Holanda", disse o então jogador do PSV, em 1992.

Parreira decidiu não mais chamá-lo. Só que seu time não engrenava nas Eliminatórias. Era a última partida, a derradeira chance diante dos uruguaios. O Brasil tinha de ganhar. E o jeito foi engolir o orgulho e convocar Romário. Ele fez sua melhor partida da vida. E classificou o país, marcando os dois gols na consagradora vitória por 2 a 0 no Maracanã.

Nos vestiários, Parreira estava aliviado e a imprensa, que havia sido muito dura com ele, se mantinha neutra.

E festejava apenas Romário.

As demais classificações do Brasil para o Mundial não tiveram sustos tão grandes.

E nem por isso, os jornalistas se renderam.

Aliás, repórteres não gostam de revelar seus momentos íntimos.

Mas o que aconteceu ontem após a confirmação da classificação matemática para a Copa do Mundo foi algo surreal. Em 31 anos de carreira como jornalista esportivo, nunca vi nada parecido. Era perto da 1h20 desta madrugada quando Mauro Naves estava esbaforido na sala de coletiva. Do fundo da sala acenava eufórico para o assessor de imprensa Vinicius Rodrigues. É ele quem decide quem faz ou não pergunta aos jogadores e ao técnico da Seleção.

A Globo por ser parceira íntima da CBF e está em todas as partidas do Brasil, exerce seus direitos. E Mauro avisou da classificação antecipada a Tite. A cena já foi divulgada pelos quatro cantos do país. Ele se levantou, se curvou. Pegou uma garrafa d'água. Sorriu. Deixou escapar um 'puta que o pariu'. Parou, disfarçou. E agradeceu ao 'pai do céu'. Foi perguntado se iria haver uma 'caipora' na madrugada. O treinador comemora títulos tomando uma caipirinha. É tradicional. Respondeu que teria uma "desse tamanho", abrindo os braços.

Depois, ficou sério respondeu que fará testes nestas quatro partidas restantes para a Copa do Mundo. Pode ser que faça nos jogos contra o Equador, no Brasil. E contra a Colômbia, fora. Em agosto e setembro. E coloque seus titulares diante dos bolivianos em La Paz e o Chile, para fechar as Eliminatórias aqui dentro, possivelmente no Maracanã.

O surreal aconteceu depois.

Tite acabou sendo aplaudido duas vezes por jornalistas.

E vários deles fizeram fila para não só parabenizá-lo.

Mas abraçá-lo.

Muitos emocionados, como se saudassem um amigo.

Com direito a palavras de carinho no 'pé do ouvido'.

Tite tem excelente relacionamento com quem cobre constantemente a Seleção.

Essa relação íntima entre jornalistas e o treinador do Brasil não é algo novo.

Principalmente as equipes viajam para as transmissões dos jogos.

E que costumam ficar no mesmo hotel da Seleção.

Os encontros costumam acontecer depois do jantar.

Galvão Bueno e Mauro Naves são os especialistas nessa aproximação.

Alguns técnicos de forma mais explícita aceitaram a convivência.

Vanderlei Luxemburgo, Mano Menezes, Parreira, Zagallo.

Há o Felipão de 2002, que não aceitava o 'canto da sereia'

Há o Felipão de 2014 que falava com todo o prazer com Galvão e Mauro.

Leão e Dunga foram arredios, fechados, não quiseram essa proximidade.

Tite é mais democrático.

Com os repórteres gaúchos e alguns de São Paulo, ele aceita essa proximidade.

O treinador da Seleção Brasileira tem dois assessores de imprensa.

Um pessoal, Luciano Signorini.

Outro da CBF, Vinicius Rodrigues.

São os dois quem filtram para quem Tite dará suas exclusivas.

Tite tem um ano e três meses até o início da Copa de 2018.

O país está eufórico.

Principalmente graças à empolgação dos jornalistas.

O que mais falava ontem na sala de imprensa do Itaquerão, antes e depois da excelente partida da Seleção contra o Paraguai, era como ele havia 'salvado uma geração'. As críticas à maneira com que Dunga conduzia o time das Eliminatórias eram tão veementes quanto aos elogios a Tite. O técnico atual era a encarnação da modernidade, da estratégia e da percepção para conseguir tirar o melhor de jogadores que não rendiam com o ex-técnico da Seleção.

434 A surreal relação entre a imprensa e Tite. O encantamento com o técnico da Seleção é geral. Mas faltam um ano e três meses para o real objetivo. A conquista da Copa do Mundo. Tite não pode se deixar levar pelas palmas, abraços e elogios de jornalistas...

Até repórteres estrangeiros aplaudiam o que fez com Neymar.

Conseguiu com que o jogador passasse a atuar pelo grupo.

E deixasse o ego para trás.

Sem perder a liberdade para driblar, mostrar todo seu talento especial.

Não acabaram as exibições com a bola dominada.

Mas, com Tite, se tornaram verticais, em busca do gol.

531 A surreal relação entre a imprensa e Tite. O encantamento com o técnico da Seleção é geral. Mas faltam um ano e três meses para o real objetivo. A conquista da Copa do Mundo. Tite não pode se deixar levar pelas palmas, abraços e elogios de jornalistas...

Não da fotografia, de lance para o youtube.

O respeito dos jogadores ao técnico.

A otimização do trabalho, o aproveitamento de cada segundo.

As observações e relatórios constantes dos jogadores que atuam na Europa.

O acompanhamento médico e físico semanal.

As filmagens dos treinamentos.

O Brasil de Tite parece estar 30 anos na frente do Brasil de Dunga.

O relacionamento com a imprensa também é algo 30 vezes melhor.

As grandes equipes de todos os esportes chegam ao auge na véspera da competição.

Nunca antes.

Se o Brasil fosse disputar hoje a Copa do Mundo seria um dos grandes favoritos.

O momento é excepcional.

O time está encantado, vibrante, confiante, altamente competitivo.

Rendendo até mais do que as Eliminatórias Sul-Americanas exigem.

Mas como estará daqui um ano e três meses?

Caberá a Tite e à imprensa serem racionais.

Esta proximidade precisa se manter crítica.

Não cúmplice.

Os afagos podem acontecer, mas não iludir.

O Brasil já caiu nesta armadilha em 1966.

Depois em 1974.

2006 foi um desperdício.

2014 acabou sendo o tombo dos tombos.

Capaz de esconder o Maracanazo.

Maitê Proença nunca mais quis o colo de Felipão.

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A Seleção nos maravilhou nestas oito vitórias.

Quebrou recordes.

É a primeira do ranking.

Mas o objetivo é muito maior do que se classificar.

Reconquistar a Copa do Mundo depois de 16 anos.

Os jornalistas precisam seguir cobrindo e cobrando a Seleção.

E Tite aprimorando o time.

Palmas, abraços e trocas de carinho na hora certa.

Depois do mundial.

E a taça voando de volta para a sede da CBF.

A expectativa exagerada é a mãe das desilusões.

Vicente Feola, Zagallo, Parreira e Felipão sabem muito bem.

Foram adulados e acabaram massacrados.

Que Tite mantenha os pés no chão e não entre nesta lista.

Fuja do espelho, do elogio fácil.

Do ego...

E não perca os olhos do principal objetivo...
625 1024x768 A surreal relação entre a imprensa e Tite. O encantamento com o técnico da Seleção é geral. Mas faltam um ano e três meses para o real objetivo. A conquista da Copa do Mundo. Tite não pode se deixar levar pelas palmas, abraços e elogios de jornalistas...

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