1reproducao11 A política é muito mais limpa do que a imprensa esportiva. Principalmente na televisão. É muita mentira. Não se pode falar mal da CBF e da Globo. Cansei dessa sujeira. Jorge Kajuru
"Não volto mais ao futebol. A política é um ambiente mais limpo que a imprensa esportiva do Brasil. Nenhuma televisão que me contratou me deixava falar mal da CBF e da Globo, as duas donas do futebol neste país. Há muita censura financeira nas televisões. Isso cala quem tem opinião de verdade. Trabalhei por 37 anos nessa lama. Mas saio tão limpo quanto sai. Sem nem o cheiro de tanta sujeira. A política agora é o meu lugar.

"Com três assessores, ganhando R$ 1.200,00 cada um, em cima de um caminhão, com pancreatite, disputando por um partido pequeno, consegui mais de cem mil votos. Não tive saúde para ir ao interior de Goiás. Fiquei com a campanha só em Goiânia, onde tive mais de 90 mil votos. Cheguei a mais de 106 mil votos. Fui o décimo mais votado. Entraram 17. Só não consegui a vaga por causa da minha legenda.

"Começo agora a minha luta para ser prefeito de Goiânia em 2016. Já recebi convite de gente ligada ao PMDB e ao DEM. Quero fazer algo importante para a vida das pessoas mais necessitadas. No futebol fui até onde o meu estômago aguentou. Tenho nojo como se faz futebol na televisão deste país. Se os torcedores soubessem, também teriam."

Revelações do apresentador Jorge Kajuru. Ele concorreu a deputado federal em Goiás. Fez questão de disputar em Goiânia, terra do seu maior desafeto na vida. Marconi Perillo, o governador e que disputará o segundo turno com Iris Resende por mais um mandato.

"Poderia concorrer no Rio, formar dupla com o Romário, ele me chamou. Ou disputar em Minas Gerais, a minha terra. Mas preferi aqui em Goiânia. O Marconi destruiu a minha vida. Cassou a minha rádio. Perseguiu a minha família. E só não fui eleito pela legenda. Mas peguei gosto pela política. Eu vou ser prefeito em 2016. E enfrentá-lo no campo dele. Essa é a grande motivação a minha vida. Futebol no Brasil é algo nojento, podre, de eu quero distância."

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Kajuru, por que a política? E o abandono da imprensa esportiva, do futebol?

Muita gente fala mal da política. Mas é um ambiente muito, mas muito mais limpo do que a imprensa esportiva deste país. Aqui jornalista é censurado. Não pode falar mal da CBF, da Globo. Elas têm o poder de organizar os torneios no Brasil. É muito dinheiro em jogo. Criticar a organização, por exemplo, é colocar em risco a chance de transmitir as partidas. Não pode falar mal da partida, fingir que é a melhor do mundo. Dos times, dos jogadores. De nada. As pessoas acreditam que os jornalistas não enxergam o baixo nível do nosso futebol? Pois os jornalistas enxergam. Só calam a boca por conveniência. Para continuar transmitindo os jogos. A sua emissora continuar ganhando dinheiro dos patrocinadores. Repassando aos jornalistas salários altíssimos. Para mentir no ar. Eu não consigo me calar diante de tanta e tanta mentira, sacanagem. É muita sujeira. Lutei contra isso por 37 anos. E sempre as empresas onde eu trabalhava me mandavam calar a boca, me censuravam. Então decidi parar de me desgastar. Não tenho mais saúde para enfrentar essa gente safada.

Não acompanhou nem a Copa do Mundo?

Cosme, não vi. Não quis acompanhar nenhum jogo, nada. Juro que tenho enjoo, nojo de jogo de futebol aqui no Brasil. São tantos interesses por trás que me dão vontade de vomitar. Ainda mais em uma Copa que foi trazida pelo Ricardo Teixeira. Vamos deixar de ser ingênuos. Não quero nem entrar em detalhes. Vou resumir para você. Futebol e imprensa esportiva neste país são nojentos. Muita gente enriquece todos os dias aceitando situações absurdas. Mentindo para o seu público. Eu não faço isso. Cansei de denunciar e pagar advogados por causas dos meus processos.

Quantos processos você tem?

São 82 pelo futebol e 46 pela política. Na política são 43 do Marconi. Eu tenho orgulho de cada processo porque eu tenho credibilidade. Tudo o que acusei tem base. Por isso sempre repercutiu. O grande problema é que meus adversários são gente riquíssima. Me custa pelo menos R$ 20 mil cada processo. Não tenho o salário de R$ 1 milhão como muitos que trabalham na minha área conseguiram. Eu também teria se engolisse as sacanagens que fazem com o futebol brasileiro. Mas tenho caráter, não sou uma pessoa falsa. Minha dignidade não está à venda. Por isso não quero mais falar de futebol.

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Esse desgosto é irreversível?

Sim. Registrei em cartório a minha promessa de não trabalhar mais com futebol. Meu sonho é comandar um programa como auditório, moderno. Mas de variedades. Tenho capacidade para isso. Mas não quero saber de bola, jogadores, dirigentes. Quem quiser acreditando no futebol brasileiro que acredite. Principalmente no que é dito, mostrado pela televisão. Tenho 53 anos. Para mim essa nojeira já deu.

Por que tentar ser político?

Porque quero realmente fazer algo pelo meu país. Meu salário, se fosse eleito, usaria de uma maneira inédita. Financiaria operações para reverter diabetes. Meus assessores falaram que seria demagogia. Respondi que quem fala isso é porque não tem diabetes. Ganho dinheiro com as redes sociais. Tenho quatro patrocinadores que me bancam. Quero fazer algo pelo Brasil. Tinha 44 ideias de projetos. Como colocar uma luz nos táxis, ao lado da perna do motorista. Toda vez que entrasse alguém suspeito no seu carro, ele a acionaria. Brigaria pela introdução do Espanhol obrigatório nas escolas. E muitos outros. Viajei para Washington e Oslo na Noruega. Para buscar ideias que melhorassem a vida da população. Mas essas ideias não serão esquecidas.

Como foi sua campanha? Quanto gastou?

Eu comecei a minha campanha no dia 25 de junho. Tinha três assessores que recebiam R$ 1.200,00 cada. Tinha um caminhão onde passava pelas ruas falando as minhas ideias. Muitas vezes não tinha dinheiro para a gasolina para circular. Não fui para o interior de Goiás atrás de votos. Não tive condições físicas. Estou tratando de uma pancreatite, algo terrível. E também não tinha dinheiro para levar o caminhão, fazer campanha no interior. Não conheço nem de passear. Fiz o que pude. Com o meu dinheiro e a minha saúde.

Vai sair a candidatura a prefeito mesmo?

Você não tenha a menor dúvida. O PMDB e o DEM já mandaram gente me procurar. Ninguém vai me segurar. Eu só não estou eleito porque houve uma mudança inesperada. Eu iria formar um trio com o Ronaldo Caiado (eleito senador) e com o Iris Resende (candidato a governador). Na última hora houve uma mudança de legendas. Se eu estivesse em uma mais forte, estaria eleito. O que irá acontecer em 2016.

Você votará em quem no segundo turno para presidente? Dilma ou Aécio?

Você tem coragem de me perguntar isso, Cosme? Voto na Dilma, lógico. O Aécio me tirou da TV Bandeirantes. É um coronel que só pensa nele. Quem o conhece o rejeita. Não foi por acaso que perdeu na terra onde foi duas vezes governador, em Minas Gerais. O Aécio foi uma das pessoas que destruiu a minha carreira, a minha vida. Me mandou embora da Bandeirantes. É esse tipo de situação que eu não vou passar mais na vida. Cansei da censura econômica que as televisões sofrem para mostrar futebol nesse país. Meu lugar agora é na política. Para dor de cabeça de muitos. Cansei de me mandarem calar a boca. Se tem ainda muita gente que aceita, o problema é desse pessoal. Povo sujo que aceita ter a sua consciência comprada. Eu, não...
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