Latino A pior guerra entre imprensa e seleção

Jogador de futebol em geral acredita que há dois tipos de jornalistas que vão cobrir seus treinos diariamente.

Ou é o 'parceiro'.

Aquele que vê o lado bom das coisas, dá força, não cobra e ainda o incentiva.

Ou o outro.

O 'traíra'.

O que expõe tudo de ruim. Não respeita uma má partida. O que dá nota baixa no jornal.

Com a profusão dos veículo de comunicação, o jogador não sabe e não faz questão de saber os nomes dos traíras, só dos parceiros.

Esta introdução foi feita para entender o que se passou na uma hora e meia do vôo da Seleção Brasileira entre Harare e Johannesburgo.

O blog estava no voo.

E vale a pena relatar o que presenciou.

E mostrar o quanto é ruim o ambiente entre imprensa e jogadores.

Até mesmo depois da uma vitória, contra o Zimbábue por 3 a 0.

Tanto jogadores como jornalistas estavam cansados do 'bate e volta' da viagem.

Todos saíram de Johannesburgo e chegaram ao Zimbábue na noite de terça-feira.

Na quarta-feira, à tarde, em Hirare, a partida. Logo em seguida, a volta para a África do Sul. O cansaço era geral.

No avião, a divisão. Na parte da frente, os jogadores. Atrás os jornalistas. No meio, a segurança da CBF.

As aeromoças distribuindo frutas da frente do avião até o meio.

Quando chegavam nos jornalistas, levantavam as bandejas.

Estava clara a divisão de casta. Uma mesquinharia tosca. Desnecessária.

Mal começou a viagem, o silêncio imperava.

Até que Robinho usando um aparelho moderno começou a mostrar o seu bom gosto musical.

O som alto dominava o avião.

Alguns poucos jogadores até gostaram da novidade.

No início, mas depois de inúmeras músicas de baladas e forrós de duplo sentido, todos se cansaram.

Até mesmo Robinho. Afinal, foram longos 40 minutos de martírio.

O silêncio no voo durou cinco minutos.

Foi o tempo para um cinegrafista e um produtor começarem a cantar pagode.

Na parte de trás do avião, as duas vozes juntas foram capazes de fazer ninguém dormir.

O troco veio em cinco minutos. E pesado.

Os jogadores pegaram seus instrumentos: cavaquinho e tambores e começaram também a cantar pagode.

Só que pagodes diferentes dos jornalistas.

Estava mais do que clara a divisão.

E cada qual tentava contar mais alto.

Encobrir as vozes do outro lado.

Não havia alegria, brincadeira.

Só ressentimento puro.

Algumas pessoas de bom senso até perguntaram porque não cantavam mal a mesma música. Mas ninguém ouvia.

O que interessava era mostrar a qual time pertencia.

O supervisor Américo Faria, homem de confiança de Ricardo Teixeira, levantou-se.

Foi até o meio do avião e olhou com reprovação para os jornalistas.

E a música ficou até mais alta.

Com os dois lados desafinando muito, a viagem parecia que durou oito horas para quem não cantava.

Isso durou até o final do voo.

Cerca de 50 minutos.

Ainda mais intermináveis do que quando Robinho era o DJ.

Quando o avião pousou em Johannesburgo, ninguém se olhava.

Eram como soldados de dois exércitos inimigos.

Talvez essa pequena demonstração revele como a seleção de Dunga encara a impresa.

E a Copa ainda nem começou...

+ Acompanhe a cobertura da Copa no R7
+
Veja as principais notícias do dia
+ Tudos sobre futebol no R7

http://r7.com/ydcY