1futurapress A pergunta que domina o Palestra Itália. Cuca aceitaria voltar ao Palmeiras? Sem Paulo Nobre, sim. Galiotte segue cada vez mais isolado. E se torna o único escudo para Eduardo Baptista...
"Nós temos projeto. Quem é motivado pela emoção é torcedores. Temos de respeitar a nossa gestão. Por isso, o Eduardo Baptista vai seguir."

Esse foi o recado de Mauricio Galiotte a conselheiros importantes, ligados à ala conservadora, liderada por Mustafá Contursi, que o colocou no poder. Pouco importou o péssimo futebol do Palmeiras na derrota contra o pífio Jorge Wilstermann por 3 a 2.

Nem o fato de equipe ter sofrido dez gols nos últimos cinco jogos.

Ter sido eliminada da final do Paulista pela Ponte Preta.

E não ter padrão tático.

Ninguém sabe se o Palmeiras é uma equipe que faz marcação alta. Se tem como foco os contragolpes, Como atua do meio para a frente. Se seus laterais têm liberdade para atacar. Qual a dinâmica preferida velocidade ou toque de bola. O porquê de suas linhas serem tão distantes. E o time tão vulnerável. Acabaram as mortais jogadas aéreas com participação dos seus zagueiros. Qualquer bola levantada na sua área produz tanto medo.

E a insegurança domina o time mais caro da Libertadores.

"Em 2016, o Palmeiras tinha esperança de ser campeão. Neste ano, tem a certeza de que será campeão, até pelos atletas que estão sendo contratados. Por toda sua grandeza, sua estrutura, o Palmeiras entra muito forte para buscar o título. Não podemos esquecer do Paulista. São oito anos que o Palmeiras não ganha."

Quem deu essas declarações não foi o papa Francisco.

Foi Eduardo Baptista ao assumir o Palmeiras, no dia 5 de janeiro.

O treinador garantiu que chegava disposto a ir além de Cuca. Se o ex-treinador havia prometido e vencido o Brasileiro, o técnico deixou claro que venceria todas as competições nas quais o milionário Palmeiras entrasse em campo.

Foi seu escudo diante da inexperiência.

Iria disputar pela primeira vez a Libertadores.

E com a obrigação de ganhar.

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Garantiu ter estudado profundamente o Palmeiras. Viu todas as 38 partidas do Brasileiro. Conversou com os dirigentes sobre particularidades dos jogadores. E recebeu a excelente notícia. Só Gabriel Jesus deixaria o elenco, vendido para o Manchester City. Cleiton Xavier seria liberado para atuar no Vitória porque não conseguiu ser o meia que o Palmeiras necessitava. Aos 34 anos, o rendimento estava muito abaixo, fora as seguidas contusões. Assim como Lucas Barrios também não ficaria. O desempenho foi fraquíssimo, sairia na primeira proposta. Foi o que aconteceu. Cleiton foi para o Vitória e o argentino naturalizado paraguaio para o Grêmio.

Só que veio o Paulista e a decepcionante eliminação para a Ponte Preta. O clube também perdeu a chance de faturar pelo menos R$ 4 milhões nas bilheterias, disputando a final com o Corinthians. O último jogo, se passasse pelos campineiros, seria na arena palmeirense. Mais a chance de ganhar R$ 5 milhões com o título. Ou R$ 1,6 milhão com o vice.

Ficou com R$ 1,1 milhão pela terceira colocação.

Nestes quatro meses de trabalho, Eduardo Baptista não deu o menor padrão tático. Não fez do Palmeiras, o time poderoso, imbatível com que muitos sonhavam. Muito pelo contrário. Seu jogadores se mostram perdidos, tensos, irritadiços. A insegurança, os 'brancos' estão presentes em todas as partidas.

Ele pode socar a mesa e dizer que é homem para caralho o quanto quiser. Ninguém está interessado na sua masculinidade. Se não é 'maleável' na hora de escalar o time, como Juca Kfouri escreveu.

O que está acontecendo é que ele tem apoio incondicional da diretoria, da Crefisa, das organizadas e torcedores comuns, que não cansam de apoiar a equipe. Fazendo carreata, invadindo aeroportos. Fazendo de tudo para o time recomeçar um ciclo de domínio, que viveu com os milhões que a Parmalat derramou no Palestra Itália na década de 90.

Mas o resultado é pífio.

Por isso, a pressão pela troca. Refutada por Galiotte. O presidente não quer ceder porque acredita que seria assumir ter feito a escolha errada. Ter aceitado a indicação de um treinador promissor, honesto, trabalhador, só que sem a vivência para tanta pressão. Eduardo fez o óbvio, aceitou o convite. Errado foi quem o convidou.

A pergunta que domina o Palestra Itália é outra.

Cuca estaria pronto para voltar ao clube?

Sua saída não foi tão serena quanto ele e os dirigentes quiseram demonstrar. E seu problema maior nunca esteve no grupo. Teve discussões fortes com jogadores, como com Rafael Marques. Mas os jogadores não têm o peso que todos imaginam na hierarquia de uma equipe. Os boicotes para derrubar treinador são mais raros do que podem supor a vã imaginação dos torcedores. Ainda mais quando o técnico tem todo o respaldo da diretoria e títulos importantes como a conquista da Libertadores e do Brasileiro.

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Cuca se desgastou com Paulo Nobre. Os dois discutiram por causa da reclamação pública do treinador do gramado na nova arena palmeirense, depois dos shows. Ele defendia mais jogos no Pacaembu. O presidente não gostou e o proibiu que se queixasse. O executivo Alexandre Mattos ficou do lado de Nobre. Cuca se viu sem apoio. E não quis seguir no clube, mesmo com o título do Brasileiro.

Alexandre Mattos, Nobre e Galiotte também não se esforçaram. Não imploraram sua permanência. Acreditaram que a força do elenco fez o Palmeiras campeão do Brasil. Menosprezaram a importância do técnico. E acreditaram que bastaria escolher alguém esclarecido, estudioso, ambicioso e que tudo estaria resolvido. Com um plantel fortíssimo, ganhando em dia, e com a promessa de ótima premiação, o caminho estaria aberto para a conquista da Libertadores.

Cuca que fosse gozar suas férias.

Só que o tempo passou e está cada vez mais evidenciado o acerto do trabalho do ex-treinador. O quanto foi importante o menosprezado 'Cucabol'. O esquema competitivo, de muita força física, da intensidade do time nas intermediárias, a velocidade nos contragolpes, os apoios dos laterais, as bolas paradas. Inclusive laterais. O Palmeiras tinha seu desenho tático e não abria mão dele, fosse qual fosse o adversário.

Cuca prometeu e saiu do Palestra com a faixa de campeão.

Para que volte um dia no Palmeiras, só há um caminho.

O do reconhecimento do erro.

O da humildade na tentativa de reaproximação.

E isso teria de partir de Mattos e Galiotte.

Desde que o Palmeiras não tivesse treinador.

Cuca está desempregado.

Seus grandes problemas de saúde na família estão controlados.

Tem se divertido jogando peladas no Paraná e em Santa Catarina.

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Aguarda, ansioso, a chegada de um neto.

Mas segue acompanhando o futebol brasileiro.

Deve ser formalizado novo convite do futebol chinês no meio do ano.

O que não impediria qualquer clube brasileiro de contatá-lo agora.

Inclusive o Palmeiras.

É fantasia a história que não voltaria a trabalhar agora.

Mas Galiotte não quer dar o braço a torcer.

Passar pela vergonha de assumir o fracasso no seu primeiro projeto.

E vai seguir segurando Eduardo Baptista.

Não se importando com a pressão interna por uma troca.

O clube ficará 11 dias sem entrar em campo depois da derrota de ontem. Tempo suficiente, neste ensandecido mundo do futebol, para uma revolução. Mudança de rota no trabalho que não está dando resultados.

Só depende do ego de Galiotte.

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Porque Eduardo Baptista não vai pedir demissão.

A Crefisa, por enquanto, não se manifesta.

Mas vai cobrar resultados no final do ano.

Leila Pereira autorizou investimentos de até R$ 100 milhões.

E vai querer resultados.

Se dependesse dos conselheiros e membros da diretoria, os rumos do futebol seriam alterados. Eduardo Baptista já teve quatro meses para mostrar o seu potencial como treinador. A falta de experiência está pesando, atrapalhando. Por mais que se esforce. Estude os adversários.

Galiotte está cada vez mais isolado.

Seus parceiros seguem decepcionados com o rendimento do time.

O dirigente está no Paraguai, na Conmebol.

Lutando politicamente para que o clube não seja punido.

E não tenha de jogar com estádio sem torcida.

Por causa da bizarra briga contra o Peñarol.

A punição ao clube será anunciada em breve.

Se o Palmeiras conseguir escapar da pena, na próxima rodada, os torcedores apaixonados vão lotar a arena no dia 24. O adversário será o fraquíssimo Atlético Tucuman. 19º colocado no Campeonato Argentino. 19º! Time que tem tudo para ser goleado. E o Palmeiras confirmar sua classificação para as oitavas, para o mata-mata.

Que ninguém se engane com novo desabafo do técnico.

Com socos na mesa.

E declarações de autoafirmação masculina.

O grupo 5 da Libertadores é fraquíssimo.

O time já deveria estar classificado.

O problema está na maneira com que o Palmeiras tem jogado nestes quatro meses. Parece outro time em relação ao campeão brasileiro de 2016. A insegurança domina jogadores, diretoria e torcedores.

Galiotte sabe o motivo.

Ele que enfrente o ego.

E tenha a humildade de admitir que errou.

Para ser campeão da Libertadores, o Palmeiras precisa de um técnico experiente, rodado, vivido, calejado em Libertadores. Rueda, Cuca, Carlos Bianchi, Tite, Abel Braga seja quem for. Mas alguém que saiba o caminho. Já tenha sentido o gosto da conquista. Mas não tenha ficado para trás como Paulo Autuori, Celso Roth.

2017 é importante demais para um técnico inexperiente.

Como o bem intencionado, trabalhador, honesto...

E promissor, Eduardo Baptista...
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