1cbf2 A mais hedionda dívida dos clubes com jogadores e funcionários. Deixar de recolher o fundo de garantia, o FGTS. A dívida já passa dos R$ 130 milhões. Omissos, governo e CBF nada fazem...
O agora ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, ficou decepcionado. Tinha certeza que a presidente Dilma aprovaria o projeto que foi a sua 'menina dos olhos', enquanto comandou o esporte. A anistia, o perdão ou o 'refinanciamento' de R$ 4 bilhões de dívidas públicas dos clubes brasileiros.

Dilma não aprovou porque os deputados federais e senadores, que tão mal servem o país em Brasília, exageram. Os clubes deveriam dividir em 240 meses suas dívidas, com direito a redução de 50% nos juros e 70% nas multas. São dívidas que se arrastam por décadas. São sucessivas péssimas administrações nos principais clubes brasileiros. Incompetência, corrupção, vaidade, estupidez. Tudo se mistura nas dívidas absurdas que os dirigentes se meteram.

Fosse um cidadão comum que tentasse administrar suas dívidas com o governo da mesma maneira estaria preso. Se fosse o dono de uma empresa, estaria falida. Mas clubes neste país têm regalias porque seus torcedores votam. O vergonhoso projeto foi vetado porque ultrapassava todo limite da moralidade. Não pedia nada de volta aos clubes. Iriam ganhar essa proteção toda sem oferecer a garantia que iriam se modernizar, evitar repetir os mesmos erros.

Dilma vai exigir o mínimo. A responsabilidade financeira e de gestão. Multas e até rebaixamento de divisão em caso de atraso de pagamento dos jogadores e funcionários. Talvez, os dirigentes possam passar a ser responsabilizados e ter de dispor do próprio patrimônio se envolver os clubes em dívidas. Como costuma acontecer, quando um presidente vaidoso gasta mais do que pode contratando atletas caríssimos, sem se preocupar com dívidas.

Para quem considerou exagerada a postura de Dilma, vale muito a pena ter em mente os dados que acabam de ser divulgados pela Procuradoria-Geral da Fazenda. As mais indecentes dívidas dos clubes que vão disputar o Brasileiro de 2015 e mais, o Botafogo. Ele não poderia faltar nesta lista.

Ultrapassam os R$ 130 milhões acumulados com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Qualquer empresa precisa colocar 8% do salário de seu funcionário no FGTS. A legislação brasileira reserva esse dinheiro para quando o trabalhador se desligar da empresa. Ou então acumular o dinheiro para a aposentadoria, doenças graves ou compra de um imóvel para morar.

13 A mais hedionda dívida dos clubes com jogadores e funcionários. Deixar de recolher o fundo de garantia, o FGTS. A dívida já passa dos R$ 130 milhões. Omissos, governo e CBF nada fazem...

Deixar de recolher o FGTS é um crime hediondo vai contra a civilidade. Fere o princípio básico do trabalhador. Só que virou uma prática recorrente nos clubes de futebol brasileiros. Jogadores e funcionários ficam o dinheiro que, obrigatoriamente, as equipes tinham de depositar. Caso isso não aconteça, não é problema do governo. A questão fica entre o trabalhador e quem o empregou.

Não há só jogadores com salários milionários nos clubes. Muito pelo contrário. Eles são menos de 5% no cenário atual. Muitos atletas ganham pouco. Assim como há funcionários como lavadeiras, cozinheiros, vigias que ganham um ou dois salários mínimos. Eles todos ficam sem seu fundo de garantia quando dirigentes relapsos, incompetentes assumem os clubes. O pior é que a CBF tem a acesso a esses dados há décadas. E não faz absolutamente nada.

Aqui a lista dos perdulários começa com o Botafogo. Nada menos do que R$ 29,3 milhões. Depois, o Fluminense R$ 25,5 milhões; Flamengo, R$ 12,4 milhões; Atlético Mineiro, R$ 9,9 milhões; Vasco, R$ 8,2 milhões; Palmeiras, R$ 7 milhões; Santos, R$ 6,3 milhões; Corinthians, R$ 6,3 milhões; Sport, R$ 6,1 milhões; Internacional, R$ 5,5 milhões; Grêmio, R$ 4,6 milhões; Ponte Preta, R$ 3,2 milhões; Avaí, R$ 2,6 milhões; Coritiba, R$ 2,3 milhões; Chapecoense, R$ 327 mil e Figueirense, R$ 19,9 mil.

As dívidas são pequenas diante do dinheiro que passa pelo caixa destes clubes. É aí que tudo fica mais indecente. Há um acordo velado para que a dívida não seja paga. Os dirigentes esperam que o FGTS seja incluído no refinanciamento 'materno' que o governo deve aprovar, se houver contrapartida. Os jogadores e funcionários lesados que esperem. É uma vergonha inaceitável.

São Paulo, Cruzeiro, Atlético Paranaense, Goiás e Joinville, neste caso, merecem aplausos. Pelo menos suas diretorias tiveram a decência de depositar o Fundo de Garantia como manda a legislação, que muitos dirigentes de clubes neste país adoram burlar...
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