1reproducao7 1024x576 A mágoa de Luan. Sabe que a decepção contra o Real travará Copa e ida para um grande europeu
"O torcedor pode falar o que quiser, né? Eu tento entrar todo jogo... mas é fácil, né? Há duas semanas a gente foi campeão da Libertadores e o time todo era bom. Agora que perdeu um jogo para o Real Madrid é todo mundo ruim? Mas isso é normal, coisa de torcedor, não ligo para isso. Podem falar o que quiser, minha cabeça está boa. Sei que, nas condições que eu tinha, tentei ajudar meus companheiros, isso que importa."

Estas foram as primeiras declarações de Luan, em solo brasileiro, em São Paulo, depois da derrota do Grêmio, na final do Mundial de Clubes. Na derrota contra o Real Madrid por 1 a 0, o atacante conseguiu ser unanimidade. Apontado como o pior em campo, disparado.

Inerte, apático, omisso, sem personalidade.

Tudo isso e muito mais foi dito sobre o jogador gremista.

Luan se revoltou com as análises dos colunistas, comentaristas, dos jornalistas. Mas, para evitar polêmicas, preferiu deixar na conta dos torcedores, mesmo.

O jogador sabe.

Perdeu o maior palco que já teve em toda sua carreira. Final do Mundial de Clubes, nos Emirados Árabes, contra o vencedor da Champions, o poderoso Real Madrid, de Cristiano Ronaldo. E fracassou.

Tudo o de bom que fez na Libertadores ficou para trás.

A cobrança pesadíssima pelo péssimo desempenho de Luan se justifica. Por um motivo muito simples. Ele era a maior esperança do time gaúcho surpreender. Ele era o atleta de maior potencial ofensivo do campeão da Libertadores. Com sua técnica e visão de jogo, deveria servir não só Lucas Barrios. Mas também Fernandinho e Ramiro, que estavam atentos aos contragolpes, já que a primeira missão da dupla era ser auxiliar dos laterais Edílson e Cortez.

Caberia a Luan dar início à sonhada bola que poderia quebrar a espinha da lógica.

Até porque a marcação do Real Madrid não era individualizada.

Ele teria de lutar, vibrar, correr como nunca.

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Para se livrar do discreto e eficiente Kroos, do onipresente Modric e do faltoso Casemiro. Era uma missão árdua, não resta a menor dúvida. Só que, em 90 minutos de jogo, o que se sonhava era que Luan pudesse ao menos levar perigo para Navas em um ou dois lances. Sozinho, com a bola dominada. Ou com uma assistência perfeita.

Mas Luan teve uma das piores atuações de sua carreira.

Justo quando havia muita pressão para que Tite se lembrasse do seu nome, no grupo para a disputa da Rússia. Afinal, foi o próprio treinador que, na intervenção branca na Seleção Olímpica, o fixou como titular. E mudou o rumo das coisas, nos Jogos do Rio, em 2016.

A diretoria gremista também estava muito animada. Esperava que Luan despertasse a atenção de um grande time europeu. E não só a insistente periferia do Velho Mundo, com a persistente busca de times do Leste, como o Spartak. O desejo do presidente Romildo Bolzan era que chegasse finalmente a proposta de 25 milhões de euros, R$ 96,8 milhões.

Só que, depois da constrangedora atuação, tanto Copa do Mundo, como grandes equipes europeias, não fazem mais parte dos planos de Luan.

Há partidas que são representativas na carreira de um atleta. E esta contra o Real Madrid deveria ter sido para Luan. Ele não falou uma palavra para a imprensa. Mas sabe muito bem o quanto Geromel e Marcelo Grohe aproveitaram a oportunidade. Podem sonhar ao menos com toda a atenção de Tite. Não será surpresa se ambos estiverem no Mundial da Rússia.

Em Porto Alegre se sabe. A personalidade de Luan é um grande obstáculo para se tornar o ídolo que poderia ser. Ele segue muito tímido. Não se impõe como os gaúchos gostam de ver seus grandes jogadores. Falando, lutando, discutindo, se impondo contra adversários, árbitros e mesmo diante de jornalistas. Como cansou de fazer o maior ídolo gremista. O treinador Renato Gaúcho quando estava em campo era tudo isso e muito mais.

A origem para a introspecção de Luan pode estar na sua infância, na vida difícil que teve. A entrevista que deu para o jornal espanhol El País é muito oportuna. E serve para entender que jogador não é máquina. E, de novo, a importância de psicólogos em clubes da elite do Brasil podem fazer enorme diferença. E são cada vez mais necessários.

Luan nunca teve o amparo psicológico profundo ao chegar e se tornar ídolo de um dos maiores clubes do Brasil.

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Não é por acaso que chegou tão mal na "partida mais importante" no Grêmio.

E "ser campeão", de acordo com suas próprias palavras, na véspera do jogo.

Seu pai morreu (em um acidente de trânsito, em São José do Rio Preto) quando você tinha cinco anos. Como sua mãe se desdobrou para criar você e seu irmão?

A falta de um pai para um menino é muito importante. Mas minha mãe sempre me ajudou. Ela tentou fazer papel de pai e mãe. Devo tudo a ela porque sempre me incentivou a jogar, sempre me apoiou, então graças a ela também eu consegui estar onde eu estou hoje.

Com que sua mãe trabalhava?

Ela fazia uns bicos como empregada doméstica.

Quais são as principais lembranças de sua infância?

Eu jogando bola na rua, na escola. Faltava na aula para jogar bola, sempre com meus amigos.

É verdade que um dia quebrou o braço e jogou com uma proteção escondida?

Sim, caramba, poucas pessoas sabem disso. Eu tinha 15 ou 16 anos, na escola. Um dia antes do principal campeonato da escola, brincando, eu quebrei o braço. Fui no médico e engessei o braço inteiro. Aí voltei, peguei uma faca e cortei até o cotovelo. E joguei com uma camisa de manga comprida. Ganhamos com dois gols meus.

Seu início foi no futebol de salão, certo?

Sim. A vida inteira jogando futebol de salão, não tive muito contato com o campo. Era mais difícil. Eu sempre fui pelo salão porque era mais fácil, então deu tudo certo. Comecei meio tarde a jogar no campo.

Como foi o salto para os gramados?

Com 18 anos, eu comecei a jogar no campo. Foi muito rápido, só alguns meses e já estava no Grêmio. Era para ser mesmo. Fiz a escolha certa.

Se adaptou rápido ao campo?

O mais difícil foi o posicionamento. A dimensão é diferente, então foi mais o posicionamento. Mas, com a bola, não tive problemas.

O que te agradou mais nessa mudança?

O espaço. Para mim, como jogo mais na frente, tinha mais espaço no campo, para driblar, para fazer as jogadas.

O que mais gostava no futebol de salão? E no futebol de campo?

No salão era que eu fazia gol toda hora. Era muito rápido. No campo, a dimensão, a liberdade e a proporção de ser reconhecido no Brasil inteiro.

Como foi o salto para os gramados?

Com 18 anos, eu comecei a jogar no campo. Foi muito rápido, só alguns meses e já estava no Grêmio. Era para ser mesmo. Fiz a escolha certa.

Os argentinos dizem que seu estilo de jogo se assemelha ao do Riquelme. Já os brasileiros apontam semelhanças com o estilo do Kaká

Acho que os dois são jogadores fantásticos. Acompanhei os dois, mas eu tenho minhas características. Deixo mais para as pessoas falarem. Não consigo me definir num estilo próprio, quero estar ali perto do gol e ajudando meus companheiros, isso que importa para mim.

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O que acha que ainda precisa melhorar?

Em tudo. Tenho sempre que melhorar. Não posso me acomodar com o que eu tô vivendo agora, tem sempre que querer mais. Sempre vou treinar e trabalhar para aperfeiçoar as qualidades que tenho.

O que significam suas tatuagens?

Nem sei quantas tenho. Tenho uns meninos jogando bola, tenho o nome da minha mãe, uma rosa, uma carpa, um leão, uns salmos da Bíblia, umas frases, tenho das Olimpíadas... Não sei quantas são.

Qual o melhor conselho que sua mãe te deu?

RSeguir sempre meu coração. Para mim, é onde eu estiver feliz. Que ela sempre está comigo.

O confronto com o Real Madrid é o jogo da sua vida? (A entrevista foi na semana passada)

Com certeza. É a partida principal aqui pelo Grêmio. Tô com muita expectativa e espero que a gente, como time, possa fazer um grande jogo e sabemos que é muito difícil, mas temos condição de vencer. Estamos preparados para fazer nosso jogo e ser campeão.

Por que você ainda não foi para a Europa?

Eu sempre tive a cabeça boa, não me preocupei com isso. Tenho o sonho de jogar na Europa, mas não tenho pressa. Acho que eu vou no momento certo. Teve [proposta] agora no meio do ano, mas eu tinha a convicção que nós poderíamos ser campeões da Libertadores e eu poderia jogar o Mundial. Para mim, foi uma chance de atingir um nível maior do que eu estava e assim poderia ter oportunidade de outros clubes.
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