reuters21 A louca festa dos melhores do Brasileiro de 2010 no Rio de Janeiro... O grande jogador do país é o argentino Conca, que atua há dois meses com o menisco lesionado. E vai operar o joelho nas férias...
Rio de Janeiro

Cuca com uma mamadeira gigante nas mãos, prêmio para o chorão do ano.

Deco constrangido com uma caixa de pizza com o símbolo do São Paulo.

Andrés Sanchez vaiado, tendo de abandonar o palco.

Conca revelando que vai operar o joelho esquerdo e deve ficar parado por 45 dias.

E mais, jogou com dores e com o menisco lesionado há dois meses...

Sandro Meira Ricci, nervoso, sendo vaiado e xingado, recebendo prêmio de melhor árbitro do Brasil.

William, barrado pelos seguranças, não pôde entrar no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Torcedores do Fluminense cercando Jonas e gritando em coro: "O Celso (Barros) vai te comprar..."

Lula, constrangido, cumprimentando a delegação do Fluminense campeã do Brasil.

Teve de tudo na festa de ontem no Theatro Municipal.

Na entrega das premiações dos melhores do futebol brasileiro em 2010.

Evento organizado pela CBF.

E que consagrou o argentino Conca como o melhor jogador do país.

"Se ele fosse brasileiro, eu o convocaria", revelou Mano Menezes, deixando claro que o meia do Fluminense seria o seu camisa 10.

Conca ganhou o prêmio da"'Galera", votação dos torcedores.

E do melhor jogador do Brasileiro 2010.

Desbancou o também argentino Montillo.

Ele agradeceu e disse que iria operar o menisco do joelho esquerdo nas férias.

Revelou que jogou com dor nas últimas partidas do Brasileiro.

Ele foi o único atleta "de linha" a atuar nas 38 partidas de seu time no campeonato.

Revelou que tem mais um ano de contrato, mas negocia a sua permanência por mais três anos no Fluminense.

"O Conca mereceu.

Jogou bem demais.

Ele é um argentino com o sangue brasileiro", ironizou Roberto Carlos.

O corintiano foi eleito como o melhor lateral do país.

Mesmo assim não estava feliz.

"O Corinthians não conseguiu nenhum título.

O ano não foi bom.

Não posso me conformar por ficar sem dar uma volta olímpica em um ano tão importante para nós", dizia, referindo-se ao centenário.

Ronaldo foi homenageado por sua carreira.

Foi vaiado e chamado de gordo pela torcida, desculpe, plateia no Theatro Municipal.

Ele reviveu lances importantes da sua carreira.

Se emocionou.

Agradeceu, mas enfrentou, irado, as vaias e as ofensas.

"Não é por que torce pelo Fluminense que tem de odiar os outros."

A plateia não esperava a bronca, calou-se.

Mas depois destilou seu ódio contra Andrés Sanchez.

O presidente do Corinthians pegou no ponto fraco dos tricolores.

"Eu quero agradecer a premiação pelo terceiro lugar e também parabenizar..."

Os torcedores do Fluminense pensaram que ele iria falar sobre o campeão brasileiro.

"Parabenizar o ABC e o Coritiba que subiram como o Corinthians.

Quando caímos, voltamos pela porta da frente."

Bastou para começar uma vaia insuportável.

Os torcedores perceberam que ele se referia à virada de mesa que tirou o Fluminense da Série C para a B.

Andrés teve de deixar o palco.

Mais envergonhado do que ele, só Cuca.

Ainda na entrada do Teatro Municipal, ele teve de enfrentar Carioca e Alfinete do Pânico na TV.

Os dois perguntaram ao técnico do Cruzeiro se era duro acabar na segunda colocação do Brasileiro.

Quando ele estava respondendo, sério, a dupla lhe entregou uma mamadeira vazia gigante.

"É para quando você quiser chorar, o que sempre faz", disse Carioca.

O treinador, sem saber o que fazer, ficou segurando a mamadeira...

Aí chegou a vez de Deco.

O jogador que chegou há pouco tempo da Europa foi chamado pelos dois.

E foi perguntado como é vencer o Brasileiro com tantos times que não jogaram de verdade contra o Fluminense.

Quando ele respondia, também a sério, recebeu uma caixa vazia de pizza com o emblema do São Paulo.

Nervoso, ele segurou a caixa, mas não conseguiu articular uma resposta.

Mesmo com o presidente Lula, a segurança foi falha.

Populares tiveram acesso não só aos jogadores, como também ficaram perto demais do Presidente da República.

Lula estava visivelmente irritado com a derrota do Corinthians e fugiu das entrevistas.

Estava claro que havia agendado estar no Rio só porque acreditava piamente que o seu Corinthians seria campeão brasileiro.

Ele ficou constrangido ao estar no palco na comemoração do título do Fluminense.

Carla Camurati, presidente do Municipal, circulava pelo teatro, visivelmente preocupada com tantos torcedores acompanhando a festa.

Ela não queria que o belíssimo teatro fosse depredado.

Até para estimular uma festa fechada que haveria depois no Espaço Vivo para os ganhadores, nada no Municipal era de graça.

Até água os convidados tinham de pagar.

A segurança só se preocupou com o presidente Lula.

Depois, todos ficaram expostos.

Os jogadores sofreram na hora de irem embora.

Centenas de torcedores os cercavam, sem constrangimento.

Principalmente os do Fluminense, esmagadora maioria.

Os obrigavam a posar para fotos, faziam fila exigindo autógrafos.

Quem mais sofreu foi Jonas.

Além de tudo isso, teve de ouvir cerca de cem torcedores cantando em coro.

"O Celso (Barros, presidente da Unimed/Rio) vai te comprar....

O Celso vai te comprar..."

Umas 30 vezes seguidas.

Jonas ria, satisfeito, percebendo o interesse dos torcedores rivais no seu futebol.

Mas envergonhado de verdade ficou quando uma repórter de TV com roupa colada lhe fez várias perguntas.

Todas com voz macia e duplo sentido.

"Você comeu quantos ovos de codorna e amendoim para ter tanta fome de gols?", perguntava, libidinosa.

Jonas fugiu dela o mais rápido possível.

Tão ovacionado como Conca, só Renato Gaúcho.

Ele chegou ao evento levando sua mulher e filha.

Duas mulheres muito bonitas.

A torcida do Fluminense, querendo agradar, gritava que ele era o rei do Rio.

O técnico piscava para os repórteres, satisfeito.

Ricardo Teixeira foi aconselhado a não divulgar na festa a sua decisão de acatar os títulos brasileiros conquistados antes de 1971.

Mas a torcida do Fluminense gritou durante a entrega dos prêmios o grito de tricampeão nacional.

Pelas contas, além dos Brasileiros de 1984 e 2010, o torneio Roberto Gomes Pedrosa, de 1970.

Muricy Ramalho parecia ter esquecido toda a alegria da conquista do seu quarto brasileiro.

E disse em entrevista que ainda havia muita coisa errada no Fluminense.

Já cobrou para 2011.

Ele quer outro local para treinamento ou a troca de piso.

Tem a certeza de que o piso duro ocasionou tantas lesões no clube.

E também uma melhor sala de musculação e uma piscina aquecida para acelerar a recuperação dos atletas.

O mecenas do clube, Celso Barros, concordou.

Inclusive em contratar Richarlyson para a Libertadores.

Ao final da entrega da premiação, poucos tinham fôlego para ir dançar na festa privada.

A grande maioria queria voltar para seus hotéis e descansar.

O longo evento no Teatro Municipal foi uma massacrante e louca maratona.

Em 2011 tem mais...

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