1reproducao17 A hora é de cobrar Muricy Ramalho. Ele precisa esquecer sua diverticulite, Telê Santana e Ricardo Gomes. Voltar a trabalhar com entusiasmo e entrega total ao Santos. Fazer valer seu talento. Se não for assim, o melhor é aproveitar sua vida com a família...
Toda a confusa situação de Neymar rouba o foco.

O noticiário chega a ser cansativo sobre a saída do jogador.

Só aumenta a sua exposição.

E rejeição.

Enquanto todos discutem Neymar, Muricy Ramalho fica esquecido.

Ele acaba de perder uma grande oportunidade.

Comandar o Santos ao inédito tetracampeonato paulista.

Mas parece não ter sentido a tristeza que deveria.

Está muito diferente.

Contido, preocupado, tenso.

Seu trabalho começou de maneira sensacional.

Venceu o Paulista e a Libertadores de 2011.

O time se impunha como o melhor do país.

Com Neymar e Ganso afinados.

A desilusão começou na decisão do Mundial contra o Barcelona.

O treinador já não mostrava um pingo de confiança na véspera do jogo.

"Para jogar contra eles tem que colocar 16 em campo."

Como não pôde, o Santos foi goleado por 4 a 0.

Foi uma das decisões de Mundial mais fácil da história.

A partir daí, nunca mais foi a mesma coisa.

O título paulista de 2012 já não empolgou.

Na Libertadores esteve para ser eliminado.

Ganso tinha vários problemas físicos.

Neymar já começava a ser anulado.

O time capengou até que enfrentou o Corinthians.

E veio a eliminação.

A partir dela, a primeira reformulação no time.

Não deu certo.

A ponto de a equipe não se classificar para a Libertadores de 2013.

A Olimpíada e as inúmeras convocações de Neymar sabotaram o trabalho.

Veio o título da Recopa, palidamente comemorado.

Dentro das expectativas, o centenário foi um fracasso.

A esta altura, o trabalho de Muricy já era questionado.

Perdeu o status de candidato à Seleção Brasileira.

Ela que já esteve nas suas mãos em 2010.

Mas o Fluminense não o liberou de sua multa contratual.

E também não teve a garantia de Ricardo Teixeira que ficaria até a Copa.

O treinador não aceitou.

Ter o melhor jogador do Brasil foi sua sorte e sua desgraça.

Graças a Neymar, o time venceu jogos importantes.

Mas também por ter o jogador, o Santos nunca fez grandes investimentos.

Só trocou Ganso por Montillo.

Na prática conta com Rafael, Arouca, Cícero e o argentino como bons jogadores.

O restante fica à cargo de Neymar.

O time se tornou dependente de seu estrela.

Assim como o esquema tático de Muricy.

Previsível, confuso.

Mesmo com jogadores baixos, apela para bolas aéreas.

E os desvios de Edu Dracena e Durval.

O Santos virou uma equipe comum com um excelente jogador.

Muito pouco.

1gazeta11 A hora é de cobrar Muricy Ramalho. Ele precisa esquecer sua diverticulite, Telê Santana e Ricardo Gomes. Voltar a trabalhar com entusiasmo e entrega total ao Santos. Fazer valer seu talento. Se não for assim, o melhor é aproveitar sua vida com a família...

Para quem era campeão da América em 2011 e tem Muricy.

Tudo que está ruim pode ficar pior.

Foi o que aconteceu quando o treinador foi internado às pressas.

Em abril.

Ele teve uma crise de diverticulite.

Inflamação no intestino grosso, que provoca muitas dores no abdômen.

Lá ficou definido.

Há a necessidade de uma operação no final do ano.

Quando teve o diagnóstico, o treinador se lembrou de Telê Santana.

Seu mestre no início da carreira como técnico no São Paulo.

Muricy o adorava.

Compartilhavam a paixão pelo futebol e o mau humor.

A parceria foi perfeita, se tornaram amigos.

Telê Santana tinha uma vida espartana, voltada para o São Paulo.

Morava no Centro de Treinamento da Barra Funda.

Os resultados do time eram fantásticos.

Ganhou dois Mundiais, duas Libertadores, entre vários títulos.

Tinha seis anos de clube quando começou a ter tonturas.

Os exames apontavam a necessidade de um cateterismo.

Ele voltou do Instituto Dante Pazzanese com a isquemia cerebral.

Perdeu aos poucos a capacidade de falar e se movimentar.

Foi obrigado a parar de trabalhar com 64 anos.

Viveu mais dez, só que os efeitos da cruel doença não o perdoaram.

Mesmo cercado de familiares e amigos, mal reconhecia as pessoas.

Muricy acompanhou todo esse processo.

E ao se ver no hospital internado e tendo de operar no final do ano, avisou.

Iria antecipar o final da sua carreira.

"Vi o que aconteceu com o Telê.

Ele fez como eu estou fazendo.

Só me dedicando ao trabalho, ao futebol.

Deixando as pessoas que amo, minha família de lado.

Quanto parar quero ter tempo de conviver com eles."

2reproducao7 A hora é de cobrar Muricy Ramalho. Ele precisa esquecer sua diverticulite, Telê Santana e Ricardo Gomes. Voltar a trabalhar com entusiasmo e entrega total ao Santos. Fazer valer seu talento. Se não for assim, o melhor é aproveitar sua vida com a família...

Muricy fará 58 anos em novembro.

Já está milionário.

Tem condições plenas de parar e ter uma vida de conforto.

Ele e sua família.

De acordo com a imprensa santista não pode reclamar do salário.

Recebe R$ 700 mil a cada 30 dias.

Tem contrato até o final deste ano.

Diz que pensa em parar, mas não é para já.

Só que confessa que não quer seguir o caminho de seu mestre.

"O Telê foi meu treinador e depois voltei a trabalhar com ele no São Paulo.

É duro você encontrar todo dia a pessoa.

E perceber que ele está esquecendo as coisas.

Fui um dos primeiros a perceber ao lado do doutor José Sanchez.

Tivemos que levá-lo na marra pela primeira vez para fazer exames.

Depois vi a sua piora.

Foi tudo muito triste."

Muricy também ficou impressionado com o AVC de Ricardo Gomes.

"O Ricardo parece ser um cara muito calmo.

Mas não é.

A pressão, o stress é 24 horas em quem decide ser treinador.

Lamentei demais o AVC que ele teve."

Pessoas que vivem o dia-a-dia da Vila Belmiro perceberam a mudança.

Muricy voltou diferente do período de internação por causa da diverticulite.

Não está tão ranzinza, tão tosco nas entrevistas.

Mesmo no trato com os jogadores, as broncas diminuíram.

Está mais consciente, tentando se mostrar mais tranquilo.

Tem até mais paciência com a diretoria que não consegue resolver a questão de Neymar.

E nem trazer os reforços que tanto pede.

"Eu não vou parar agora.

Mas não quero conviver mais dez anos com vocês, jornalistas", brinca.

Na verdade o que está acontecendo com Muricy é claro.

Suas perspectivas de grandes vôos como Seleção não existem.

A promessa de super-time prometido por Luís Álvaro não foi cumprida.

Resolvido financeiramente, está pensando se vale a pena tanta pressão, tanto sacrifício.

Telê Santana e Ricardo Gomes viraram referências do que não deve fazer.

Pensando apenas nele e na sua família, Muricy está mais do que certo.

Mas um treinador de um grande time como o Santos não pode titubear.

Precisa respirar fundo e mergulhar de cabeça na profissão.

Viver com alegria o privilégio das 24 horas de tensão.

Está comandando o Santos Futebol Clube.

E este clube merece o melhor, toda a dedicação do seu técnico.

Se ele está disposto a continuar trabalhando dessa maneira, ótimo.

Monte um time para ganhar o Brasileiro e que volte á Libertadores.

Muricy é um grande treinador.

Trabalhador meticuloso, vibrante.

Campeão da Libertadores, tetracampeão brasileiro.

Mas os títulos vieram com a dedicação de corpo e alma.

Se não for assim, o melhor é usufruir tudo que conquistou.

Se permitir aproveitar sua linda família.

Fazer tudo o que Telê Santana não conseguiu.

E deixar o Santos seguir sua vida...
1ae17 A hora é de cobrar Muricy Ramalho. Ele precisa esquecer sua diverticulite, Telê Santana e Ricardo Gomes. Voltar a trabalhar com entusiasmo e entrega total ao Santos. Fazer valer seu talento. Se não for assim, o melhor é aproveitar sua vida com a família...

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