219 A guerra judicial entre Palmeiras e WTorre vai piorar. O clube e a construtora se tornaram rivais. Competem com planos diferentes de sócios torcedores. Da mesma arena. Absurdo...
Foi em 2008 que o Conselho Deliberativo do Palmeiras aceitou a reforma do Palestra Itália. A construtora WTorre transformaria o velho Palestra Itália em uma moderna arena multifuncional. O Brasil vivia um dos seus vários 'milagres' econômicos. Enquanto o mundo estava mergulhado na recessão, o país parecia um oásis.

Passou o tempo e ficou claro que o Brasil estava inserido na crise, mas artificialmente parecia não estar. Chegou o choque de realidade. E tudo despencou. As construtoras foram atingidas em cheio. Obras paralisadas, contratos cancelados. Falta de dinheiro no mercado. A WTorre não foi exceção.

A construtora se viu obrigada a vender parte dos seu patrimônio. Como o Shopping JK Iguatemi e parte das ações da BR Properties, empresa especializada em imóveis. E também passou a ser cobrada publicamente por parceiras do estádio palmeirense. Foi processada pela Tejofran, responsável por retirar o entulho do estádio. Entrou na justiça para cobrar R$ 500 mil.

A AEG, maior empresa de shows em estádios no mundo, era sócia da WTorre. O acordo era trazer os grandes músicos do planeta para tocar no estádio palmeirense. Só que alegando falta de pagamento da construtora e dívidas de mais de R$ 2 milhões, a AEG rompeu o contrato. Embora o São Paulo tente levá-la para o Morumbi, a tendência é que saia do Brasil.

A MVL, empresa de assessoria de imprensa da construtora, também acabou com seu contrato. Ficou meses sem receber. O acordo com a rede de fast food Burger King tinha contrato para ter lanchonete no estádio. Em 2012. Foi entregue em 2015.

A WTorre está completamente insatisfeita com o acordo que assinou com o Palmeiras. Ao contrário do que acontece com o Itaquerão e o Corinthians, a parte do 'leão' ficou com o clube. A bilheteria dos jogos. Enquanto a WTorre sofre para pagar suas contas, os palmeirenses tiveram R$ 43 milhões de renda líquida em 2015. Descontados impostos e taxas.

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A revista Época revelou onde chega o buraco. "A Real Arenas Empreendimentos Imobiliários S.A., braço criado pela construtora para administrar o estádio, registra 367 protestos em cartórios de São Paulo e Barueri." Sim, no final de janeiro eram 367 processos. Somados, a dívida chega a R$ 14,78 milhões.

O retrato caótico continua. O trecho explicitado pela publicação é chocante.

"O Tribunal de Justiça de São Paulo registra 17 execuções de títulos extrajudiciais e três monitórias, outras modalidades para que credores consigam pagamentos devidos. Os 23 casos somam R$ 6,15 milhões. O maior deles é de um parceiro de longa data, a Traffic. A agência de marketing esportivo do empresário J. Hawilla, presente desde o projeto cobra R$ 2,2 milhões de comissões por camarotes do Allianz Parque vendidos por ela.

"Na prática, o locatário fazia os pagamentos à WTorre, e a WTorre repassava as comissões à Traffic. O problema começou depois que a empreiteira parou de fazer os repasses. A agência, então, parou de fazer as vendas em outubro e formalizou o processo em dezembro. A juíza da 13ª Vara Cível de São Paulo, em 11 de dezembro de 2015, deu três dias para que a construtora pague. É janeiro de 2016, e a dívida continua lá."

A construtora investiu R$ 670 milhões para levantar a nova arena. Usufrui dos naming rights, vendidos à seguradora Allianz. São R$ 12,5 milhões por ano. O Palmeiras tem direito a 5%, R$ 750 mil, nos cinco primeiros anos. O valor vai aumentando até chegar a 20%, entre o 16º e 20º. Dos shows e eventos, o mesmo critério. Começa com 5% nos cinco primeiros anos e vai aumentando até 20%. E fica neste patamar até o final do acordo, 30 anos.

A WTorre e Palmeiras têm uma péssima relação. E brigam na justiça pelo direito de explorar as cadeiras do estádio. A construtora acredita ter o direito de usar 22 mil. E o clube quer ceder apenas 10 mil.

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Além disso, há a discordância em relação ao plano de sócio-torcedor Avanti. Ela não concorda com os descontos dados pelo clube. Eles atrapalhariam as vendas de suas cadeiras cativas. E entrou na justiça contra o Palmeiras em agosto do ano passado.

Mas como a questão segue travada na morosa justiça brasileira, o que a construtora resolveu fazer? Para surpresa da diretoria palmeirense, lançou o seu próprio plano de sócio-torcedor. Virou concorrente do clube.

Batizado de "Passaporte 2016", a WTorre oferece o direito de usar cadeiras no estádio. Fechando com mais de uma, o interessado pagará R$ 199,00 mensalmente por cada uma delas. E acompanhar todos os jogos do Palmeiras na arena. Com os ingressos incluídos.

E mais alguns agrados. O torcedor poderá ter seu nome impresso na cadeira. E desconto no estacionamento.

O presidente Paulo Nobre e sua diretoria estão revoltados. E o departamento jurídico estuda que medidas legais pode tomar contra a construtora. Se pode impedir essa concorrência interna.

Essa disputa é algo inédito.

E mostra o quanto está desgastada a relação.

Os fortes comentários no clube é que a WTorre quer vender o estádio.

Só que não encontra interessados.

A crise é grande demais.

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Manter uma arena moderna para 45 mil custa caro.

São cerca de R$ 500 mil mensais.

Na verdade, há posturas extremadas das duas partes.

Paulo Nobre e Walter Torre não se falam.

Só mantêm relação por meio de seus advogados.

Quem perde é o Palmeiras e a construtora.

O próprio palmeirense...
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