115 A frustrante noite histórica no Corinthians. Nada de naming rights para o Itaquerão. Só o aviso: conselheiros vão pagar ingresso em 2016. Silêncio sobre Lulinha. E sobre inacabadas obras de R$ 200 milhões da Odebrecht...
A saída de Andrés Sanchez pela porta dos fundos do Parque São Jorge foi significativa. Ele tão apaixonado pelas câmeras, fugiu dos jornalistas. Tinha vários motivos. Entre ele, o principal. Mais uma vez, o homem que manda no Corinthians desde 2005 frustrou os conselheiros. Fracassaram de novo as negociações para a venda dos naming rights do Itaquerão.

Ou melhor, a reunião que deveria ser histórica, outra vez não foi. Mas talvez a próxima seja. Há seis anos têm sido a mesma coisa.

Quando foi marcada para ontem uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo, jornalistas amigos de Andrés foram avisados. Valeria a pena ficar a noite toda no Parque São Jorge. Seria uma reunião que mudaria os rumos do Corinthians. Todos pensaram que, finalmente, seria anunciado. E o mundo saberia da solução genial para a venda dos naming rights. Um pacote envolvendo o patrocínio master da camisa, o plano de sócios-torcedores e o nome do estádio.

A dica aos repórteres, dada no início do ano: seria uma instituição financeira. Tanto que os R$ 30 milhões que a Caixa Econômica Federal pagava pela camisa foram dispensados. Bradesco? Perguntavam os jornalistas. Talvez, deixavam escapar aliados do 'dono do Corinthians'. O mesmo 'talvez' já foi a resposta para Emirates, Ford, Hyndai, Toyota, Nike, Caixa Econômica Federal, Correios, Kalunga, Itaipava. Foram muitos nomes cogitados nesses seis anos de frustração.

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Andrés jura, desde 2010, que o preço seria R$ 400 milhões por 20 anos. Um terço do custo do estádio.

E um batalhão de jornalistas acreditou na 'histórica noite' de 7 de março no Parque São Jorge. Passaram horas esperando o final da reunião do Conselho Deliberativo. Só que mais uma vez, saíram frustrados. Nada de naming rights. Andrés não quis passar por mais um vexame. E dizer, de novo, que 'está quase'.

Mas haveria a necessidade de uma satisfação à imprensa. E a situação ficou ainda mais constrangedora. Eis que surgiu o diretor financeiro, Emerson Piovesan. Avistou que está animado. Já contabiliza R$ 20 milhões em 2016, só do tal 'pacote'. Seriam R$ 420 milhões nos próximos 20 anos. Falta só um mínimo detalher: a assinatura do contrato. Mas será 'em breve'.

Esse foi o recado que deu aos jornalistas.

Aos conselheiros, Piovesan falou outra coisa.

Alegou que o clube vive uma grande dificuldade financeira para pagar a arena. E que precisa cortar 10% do orçamento. Portanto, acabaram os ingressos gratuitos para os conselheiros e assessores. Era uma prática recorrente todos entrarem de graça no Itaquerão. Havia a expectativa que esse privilégio valeria para sempre. Os conselheiros tinham essa certeza, quando o estádio era erguido. O máximo que a diretoria conseguiu preservar foi que pagassem o ingresso mais barato. É possível que nem isso seja mantido.

As organizadas pressionavam por essa cobrança há muito tempo.

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Piovesan projeta que o Corinthians fature R$ 70 milhões só com a bilheteria da arena. Mais R$ 37 milhões com venda de camarotes, cadeiras e eventos. Detalhe: o preço dos dois serão diminuídos. Os camarotes têm preço mínimo de R$ 340 mil. E o aluguel das cadeiras, R$ 7,4 mil. Ambos anualmente.

Na reunião, conselheiros perceberam que foi um golpe forte a proibição da Conmebol no estádio do Palmeiras. Ao proibir que fosse exibida a marca Allianz, a dona do naming rights do rival, desanima qualquer investidor. Ainda mais porque a Globo segue não falando o nome do patrocinador.

Os seis anos que o estádio é chamado de Itaquerão pela população também pesam. É como se uma empresa quisesse batizar o Morumbi ou Maracanã. A Itaipava, por exemplo, comprou os naming rights da Fonte Nova. E todos na Bahia seguem chamando o estádio de Fonte Nova. Foram comprometidos R$ 100 milhões por dez anos. Os resultados são pífios. Preocupados, os conselheiros sabem que o tempo passou muito rápido.

Havia outro motivo para que fez Andrés imitasse o ex-presidente Dualib e saísse pela porta dos fundos. Na da frente, estavam integrantes da Gaviões da Fiel. A torcida cobra dele a diminuição do preço dos ingressos. A abertura das contas do estádio, que ninguém sabe realmente quanto foi pago e quanto falta. A expulsão do deputado federal Fernando Capez. Não o querem mais como conselheiro corintiano. Ele defendeu a extinção das organizadas, principalmente da Gaviões.

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Andrés foge desde o ano passado dos torcedores. Não pode começar a cobrar dos conselheiros, com direito a voto, e diminuir o preço das organizadas. E nem mesmo proibir a torcida de entrar no Parque São Jorge. Como fundador da Pavilhão Nove, garantiu, ao tomar o poder, que o clube sempre estaria aberto à torcida. Foi o que aconteceu ontem.

Se escapou dos jornalistas e dos torcedores, Andrés não teve como driblar os conselheiros. E, constrangido, teve de explicar qual foi a função do filho do ex-presidente Lula no Corinthians, Luiz Cláudio Lula da Silva. E por qual motivo recebeu R$ 500 mil do clube.

O então vice, Luiz Paulo Rosenberg, garantiu que Lulinha não tinha função alguma. Irritado, Andrés respondeu que o filho do ex-presidente foi auxiliar de preparação física.

Depois não trabalhou mais na preparação física, Lulinha tentou montar um time de futebol americano para o Corinthians. Recebeu salários de R$ 20 mil por um ano. A ideia não saiu do papel.

A Polícia Federal segue investigando Luiz Cláudio. E todos os detalhes do dinheiro que recebeu do clube.

Representantes da Odebrecht estiveram na reunião e garantiram que não há mais perigo no Itaquerão. O desabamento de parte do teto da entrada principal do estádio foi consertado. Foi meia tonelada de gesso, em uma área de 40 metros. Por sorte desabou quando não havia jogo. 500 quilos poderia ferir ou até matar torcedores.

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A suspeita é que houvesse infiltração. Como há em lanchonetes do estádio. Os funcionários da Odebrecht garantiram que 'está tudo resolvido'. Só que ninguém soube detalhar quando a empreiteira, mergulhada no escândalo Lava Jato, completará o estádio.

São mais de R$ 200 milhões de obras inacabadas. Fechamento inferior da cobertura. Funcionamento completo do painel de led. Painéis, estante de troféus, rodapés, piso de carpete, urbanização, paisagismo, pavimentação dos estacionamentos. A Odebrecht não dá data nem para começar a fazer o que prometeu no projeto aprovado pelo Corinthians. As ilustrações são de um relatório entregue em 2015 à diretoria, com o que a construtora prometeu e não fez.

Conselheiros não entendem porque a diretoria não aciona judicialmente a Odebrecht. E pressionam por uma resposta convincente. Mas Andrés e Roberto de Andrade insistem que 'vão esperar'.

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Ao final da reunião, outra vez, jornalistas próximos da diretoria receberam um antigo recado. Sim, o mesmo. As negociações sobre os naming rights continuam.

Sim, de acordo com dirigentes corintianos, a instituição financeira segue querendo batizar a arena. Pouco importa se está inacabada. Com obras de R$ 200 milhões que não foram finalizadas.

A 'reunião histórica' de 7 de março de 2016 passou.

E de efetivo só uma certeza.

O Corinthians precisa economizar 10% este ano.

Com o fim de ingressos de graça aos conselheiros.

Todo o dinheiro é bem-vindo, além de 100% das arrecadações.

Para poder seguir pagando sua arena de R$ 1,2 bilhão.

Sem ninguém saber exatamente o quanto já foi gasto.

O quanto ainda falta.

E por quê ninguém cobra a sua finalização da Odebrecht...
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