2futurapress A falta de reposição de Jadson e o elenco pequeno demais para o Brasileiro não são por acaso. Mesmo fazendo campanha histórica com Carille, o Corinthians é vítima do acordo para a construção do Itaquerão. A dívida, que não é paga desde abril de 2016, pode passar dos R$ 2 bilhões...

O futebol brasileiro não perdoa.

Mesmo não eliminado da Copa do Brasil e não ter conseguido chegar à Libertadores, o Corinthians sofre com o estafante calendário deste país. Graças à areia movediça que o estádio jogou as finanças do clube, foi impossível para a atual diretoria montar um elenco repleto de opções.

Se houvesse dinheiro, Fábio Carille não teria a oportunidade de mostrar todo o seu potencial como treinador. Roberto de Andrade só recorreu ao auxiliar de Tite em último caso. O resultado foi mais do que surpreendente.

O encaixe do time, o domínio do grupo, a estratégia tirando o máximo do grupo, a escolha acidental, depois dos fracassos com Cristóvão e Oswaldo de Oliveira, mostrou ser Carille o treinador ideal.

O planejamento frio de Roberto de Andrade estava traçado.

O sonho de 2017 era solitário.

Conseguir uma das vagas para a Libertadores da América.

Disputar o Brasileiro sem sustos.

Quando a imprensa é massacrada, por haver classificado o Corinthians como quarta força de São Paulo no início da temporada, chega a ser injustiça. O próprio Roberto e seus dirigentes não tinham muito maior esperança de títulos, participações marcantes em qualquer campeonato.

Só que Carille calou a todos.

O escorregão na Copa do Brasil, diante do Inter causou desconforto.

Até porque o Corinthians venceu o Paulista com autoridade.

E vieram o Brasileiro e a Sul-Americana.

Carille procurou Roberto de Andrade.

Foi bem claro.

Aproveitou a empolgação do dirigente com o título inesperado e foi sincero. Disse que o time poderia ir muito longe no Brasileiro. E brigar pelo título. Desde que não saíssem jogadores. E foi além. Pediu reforços. O elenco era muito pequeno.

Chegariam as contusões e convocações.

Roberto de Andrade decidiu também ser direto.

Faria o máximo, daria a alma para não vender ninguém.

120 A falta de reposição de Jadson e o elenco pequeno demais para o Brasileiro não são por acaso. Mesmo fazendo campanha histórica com Carille, o Corinthians é vítima do acordo para a construção do Itaquerão. A dívida, que não é paga desde abril de 2016, pode passar dos R$ 2 bilhões...

Ele sabia que a pressão política para sua saída havia ido embora. Por haver cedido a base para o controle de aliados de Andrés Sanchez. E também por pelo clube ter sido o surpreendente campeão paulista de 2017. Títulos sabotaram o desejo da oposição de tirar o atual presidente.

Só que foi claro.

O planejamento corintiano deste ano previa o gasto de R$ 13 milhões em contratações.

Com sacrifício, gastou R$ 16,5 milhões.

Gabriel foi o mais caro. R$ 6,7 milhões pelo ex-volante do Palmeiras. Mais R$ 3,5 milhões por Clayson, atacante da Ponte. Outros R$ 3 milhões por Jadson. Luidy e Kazim custaram R$ 1,2 milhão cada. A diretoria alvinegra aceitou pagar R$ 6,7 milhões por 50% dos direitos econômicos. Luidy e Kazim fizeram o clube desembolsar a mesma quantia: R$ 1,2 milhão.

Só que o dinheiro não seria suficiente.

Ainda mais para as desgastantes viagens, obrigatórias, nas 38 rodadas do Brasileiro. O time conseguiu uma excepcional largada, a melhor em todos os tempos no pontos corridos. Mas depois de 15 jogos, a cobrança de um elenco já veio forte. Se o clube rebolou para empatar contra o Atlético Paranaense, em casa, com as ausências eventuais de Rodriguinho, Guilherme Arana e Pablo, o empate contra o Avaí, ontem, foi mais realista.

As duas costelas fraturadas por Jadson foi a confirmação da previsão de Carille. O treinador sabia que estava correndo o risco de perder um jogador fundamental ao time. O meia de 34 anos é o principal articulador e termômetro do time.

513 A falta de reposição de Jadson e o elenco pequeno demais para o Brasileiro não são por acaso. Mesmo fazendo campanha histórica com Carille, o Corinthians é vítima do acordo para a construção do Itaquerão. A dívida, que não é paga desde abril de 2016, pode passar dos R$ 2 bilhões...

Sua movimentação, ao lado de Rodriguinho, é responsável pela dinâmica ofensiva da equipe. O time, especialista em contragolpes, precisa de meias capazes de tabelas curtas, lançadores e com potencial para dribles ou chutes de meia distância. Esse repertório é que desarruma as defesas adversárias.

Quando Betão e Jadson se chocaram violentamente, aos 14 minutos da partida de ontem, contra o Avaí, o meia corintiano se contorceu em dores. Duas costelas se romperam. Carille teve de lançar mão de Marquinhos Gabriel.

E será assim entre 30 e 40 dias que Jadson estará fora.

O Corinthians perde consistência como um todo, sem Jadson. Marquinhos Gabriel é instável, disperso, habilidoso, mas muito menos efetivo taticamente. Canhoto, atua pela direita. Não tem 10% do entrosamento que o contundido meia tem com Fagner. As triangulações passam de corriqueiras para raras. E o acompanhamento defensivo também.

Giovanni Augusto vem de operação no tornozelo direito. E mesmo antes da cirurgia já se mostrava enorme decepção no Corinthians. Improdutivo e sem compromisso tático ou grande empenho físico e muito menos concentração. Simplesmente não encaixa, sacrifica o time quando é titular.

Pedrinho tem muita habilidade, ousadia, mais ainda é muito imaturo. Faltam força e até massa muscular para atuar entre os profissionais. É um jogador de futuro. Não de presente. Ainda mais em uma equipe que caminha, sonhando com o hepta brasileiro.

Ou seja, o Corinthians está fazendo campanha história. Há 60 anos não atingia 29 partidas sem derrotas. Segue líder absoluto do Brasileiro, invicto, com seis pontos de vantagem diante do grande perseguidor até agora, o Grêmio.

Mas o grande inimigo vive no Parque São Jorge.

O elenco pequeno demais.

5agenciacorinthians A falta de reposição de Jadson e o elenco pequeno demais para o Brasileiro não são por acaso. Mesmo fazendo campanha histórica com Carille, o Corinthians é vítima do acordo para a construção do Itaquerão. A dívida, que não é paga desde abril de 2016, pode passar dos R$ 2 bilhões...

Pablo, com dores, tem mínimas chances de enfrentar o Fluminense.

Está contundido.

Tudo o que está acontecendo foi previsto por Carille.

Roberto de Andrade vê a festança de alguns clubes.

A janela da Europa está aberta.

Vários jogadores importantes não chegaram a sete partidas no Brasileiro.

Mas tem de fingir não enxergar.

Desde abril de 2016, o clube não paga as parcelas do estádio.

Vários dirigentes e conselheiros temem.

A conta pode demorar, mas vai chegar.

O clube terá de ressarcir a Odebrecht pelo estádio.

Além, óbvio, do BNDES, que emprestou a parte maior do dinheiro.

A Caixa Econômica Federal foi a intermediária.

O valor, somando os juros, já passa de R$ 1,5 bilhão.

Pode chegar a R$ 2 bilhões.

Depois de seis anos de promessa, nada de naming rights.

Os CIDs estão encalhados.

Como Andrés Sanchez, o articulador do acordo, comprometeu as arrecadações dos jogos, esse dinheiro deveria estar amortizando a dívida. Desde abril do ano passado não está. Está sendo guardada pelo clube.

Mas ninguém sabe o que acontecerá depois da Lava Jato.

Mesmo que acabem condenados os donos e principais funcionários da construtora, por pagamento de propina, a empresa seguirá existindo. Assim como a dívida, que terá de ser paga.

O reflexo da bilionária dívida com o estádio atinge em cheio o time.

Ninguém pode assumir publicamente.

Roberto de Andrade só está no poder porque Andrés Sanchez quis.

Então, resta a Carille trabalhar com o que tem.

A campanha histórica tem um sabotador.

E que impede a reposição de peças à altura.

Ele se chama Itaquerão...
 A falta de reposição de Jadson e o elenco pequeno demais para o Brasileiro não são por acaso. Mesmo fazendo campanha histórica com Carille, o Corinthians é vítima do acordo para a construção do Itaquerão. A dívida, que não é paga desde abril de 2016, pode passar dos R$ 2 bilhões...

http://r7.com/9pCE