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A direção corintiana desesperada. Por perder sua torcida nos jogos da Libertadores no Pacaembu. E para escapar do prejuízo que pode passar dos R$ 15 milhões pela morte do menino Kevin Beltrán. A situação está complicadíssima…
Postado por Cosme Rímoli em 22 de fevereiro de 2013 às 11:59 em Sem categoria | 153 Comments
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Corinthians x Nacional do Paraguai.
Renda: R$ 1.829.930,00.
Corinthians x Cruz Azul.
Renda: 1.889.112,50.
Corinthians x Deportivo Táchira.
Renda: R$ 1.624.785,00.
Corinthians x Emelec.
Renda : R$ 2.286,061.00.
Corinthians x Vasco
Renda: R$ 2.723.055,00.
Corinthians x Santos.
R$ 2.599.702,50.
Corinthians x Boca Juniors
R$ 2.580.912,50.
R$ 15.533.557,50 foi o total que o Corinthians arrecadou na Libertadores de 2012.
Essa é a fantástica soma da arrecadação dos jogos no Pacaembu.
Se o clube conseguisse ser bicampeão da competição em 2013, iria arrecadar até mais.
Com certeza os ingressos seriam majorados.
Isso virou marca registrada da direção corintiana.
Mesmo se o time caísse antes, com os portões fechados, muito dinheiro iria para o ralo.
Até a semifinal contra o Santos, o total arrecadado foi R$ 12.952.646,00.
Até as quartas, diante do Vasco, R$ 10.35.9423,00.
Até as oitavas, contra o Emelec, R$ 7.629.888,50.
A fase de grupos valeu R$ 5.343,825,00.
Na Libertadores, o clube que joga em casa fica com a arrecadação.
E cobra o que quiser.
Por isso os ingressos do Corinthians chegaram a R$ 500,00.
Isso já valeria para a partida contra o Millonarios, na próxima quarta-feira.
O clube já tinha vendido mais de 83 mil ingressos para os três jogos da fase de grupo.
Para a Conmebol, a diretoria que devolva o dinheiro aos torcedores.
Ou então que acumule o valor para outros jogos.
Não importa.
A promessa da Conmebol era uma punição exemplar.
E foi o que fez.
Portões fechados em São Paulo.
E a proibição dos torcedores corintianos acompanharem jogos na casa dos adversários.
Não adiantou decretar luto por Kevin Beltrán.
Ou colocar fitinhas pretas no uniforme de seus jogadores.
Muito menos prometer ajuda à família do menino.
A morte de Kevin Beltrán foi violenta, absurda demais.
Chocou o mundo.
A imagem do sinalizador saindo das organizadas corintianas corre o planeta.
O sinalizador atingiu mais de 360 quilômetros por hora.
A autópsia mostrou que o boliviano morreu de forma cruel.
Parte do sinalizador entrou no seu olho direito e esfacelou seu cérebro.
Ele caiu morto em plena arquibancada.
Nunca houve uma postura tão firme da entidade sul-americana.
A Conmebol é marcada pela covardia, cedendo fácil à pressão política.
É aí que reside a esperança corintiana.
Desde ontem à noite, quando saiu a decisão, os dirigentes conversam.
Estão em reuniões permanentes.
Chegaram a várias conclusões.
A primeira: a coletiva de Mario Gobbi foi um fracasso.
Ao dizer que "acidente acontece" ficou nítida a frieza com a morte do boliviano.
Ele não estava abalado como Tite e o gerente Edu.
Muitos companheiros de diretoria não entenderam a postura distante em relação ao garoto.
Ficou claro que ele só estava preocupado com o clube.
E mostrar os seus conhecimentos como advogado.
Se ficou chocado com a morte de Kevin, ninguém percebeu.
A negativa que o Corinthians tivesse uma relação mais profunda com as organizadas também.
A tentativa de desvincular o clube de seus torcedores foi um fiasco.
E não convenceu.
A preocupação da coletiva não era com os jornalistas.
Mas com os dirigentes da Conmebol e a imprensa internacional.
Diante da punição, o departamento jurídico estuda o que fazer.
O Corinthians tem três dias para contestar a decisão.
E apresentar a sua defesa.
A tese que o sinalizador poderia ter sido disparado pelos torcedores do San José não existe mais.
A imagem mais recente mostra muito bem que ele foi lançado das organizadas.
Inclusive é possível ver a feição do torcedor.
Há muitas dúvidas se ele está entre os detidos na Bolívia.
Tite está muito preocupado.
Não como os dirigentes, com o dinheiro.
Mas com a perda do apoio da torcida.
O Pacaembu lotado é um caldeirão.
Vazio, com os portões fechados, sabe que a motivação dos seus jogadores será outra.
Está muito tenso.
Tanto ele como a direção do clube sabem: a opinião pública quer uma punição.
Mesmo que já tenham morrido vários outros torcedores em conflito com as organizadas.
Mas o que houve em Oruro virou um incidente internacional.
Um brasileiro foi até a Bolívia e matou um menino boliviano.
O governo Evo Morales exige a punição.
A população local continua chamando os brasileiros de 'assassinos'.
Diante de tudo isso, os dirigentes corintianos estão amarrados.
Há a certeza que a CBF de José Maria Marin não vai se desdobrar pelo clube, não.
O presidente sabe que Andrés Sanchez se articula para tentar derrotá-lo na eleição de 2014.
Quanto mais vitorioso o Corinthians, pior para a Marin.
E melhor para Andrés.
Os advogados corintianos não querem saber dessa briga política.
Estão empenhados tentando defender o clube.
Vão tentar demonstrar que o Corinthians não tem ligação com as organizadas.
E não pode ser responsabilizado pela morte de Kevin.
Assim como também correr o risco de perder mais de R$ 15 milhões em uma outra campanha vitoriosa.
No Parque São Jorge, se aceitaria até jogar com os portões fechados na fase de grupo.
E perder cerca de R$ 5,3 milhões.
A partir das oitavas de final, não.
E o Pacaembu seria reaberto para seu torcedor.
Inclusive as organizadas, com quem o clube alega não ter a menor ligação.
Se a tese não der certo e a punição for confirmada, as contas já foram feitas.
O Corinthians pode ser bicampeão da Libertadores.
E deixar de ganhar mais de R$ 15 milhões.
Quanto vale a vida de um garoto de 14 anos brutalmente morto?
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