216 A diferença entre um treinador pronto, maduro e um novato. Cuca voltou e o Palmeiras recuperou o ótimo futebol. Massacrou o Vasco por 4 a 0. Com ele dá para sonhar com a Libertadores e também em vencer de novo o Brasileiro...O Palmeiras demonstrou a diferença que faz um time organizado. Com os jogadores com confiança, sabendo o que devem fazer. Sem dúvidas. Com convicção. A vitória massacrante por 4 a 0 contra o Vasco da Gama, com inúmeros gols perdidos, cala aqueles que defendiam a permanência de Eduardo Baptista. O retorno de Cuca na estreia do Brasileiro evidencia os quatro meses desperdiçados com o novato treinador.

O Palmeiras voltou a jogar como o melhor elenco do país.

Com jogadores que custam R$ 13 milhões a cada mês.

E que pouco rendiam como o ex-técnico.

Cuca acabou com o indeciso 4-1-4-1 de Eduardo Baptista. Distribuiu o time no seu esquema predileto, 4-2-3-1. Marcou com crueldade a saída de bola do fraquíssimo time que Eurico Miranda entregou para Milton Mendes. Como por encanto, o futebol de Jean, Tchê Tchê, Guerra, Dudu voltou a brilhar. E Borja a marcar. O colombiano marcou dois gols. Guerra e Jean marcaram os outros, na goleada.

Os quatro gols nasceram do lado direito do Palmeiras, setor que era improdutivo. Impossível negar a influência de Cuca na postura ousada, vibrante e consciente do time verde.

Com ele, o Palmeiras renasceu.

"A importância do Cuca foi total na recuperação do meu futebol. A confiança que ele me passou foi contundente. O treinador é a cabeça de um time", resumiu Borja, agradecendo ao novo técnico e dando uma estocada em Eduardo Baptista, o novato que foi demitido, e que não confiava no futebol do atacante colombiano.

Já são 22 partidas invictas na sua arena, que o técnico promete voltar a usar como caldeirão. Outra vez, o estádio estava lotado para o retorno do pródigo treinador. Foram exatos 33.425 pagantes. E mais R$ 2.109.685,93 nos cofres verdes. A confiança retornou também para a torcida.

Na reestreia de Cuca, fica evidente.

É viável o Palmeiras sonhar com a Libertadores.

E lutar de verdade para voltar a ganhar o Brasileiro.

Ao final da partida, o time foi aplaudido de pé pelos torcedores.

Se o Vasco não se reforçar, pode se preparar para voltar à Série B.

Há críticas à troca constante de treinadores no Brasil. Mas há purismo injustificado, sem razão de ser, obtuso. O Palmeiras com Eduardo Baptista estava despencado. O elenco caríssimo montado pela Crefisa não conseguia render em campo. O motivo era a falta de organização. O promissor treinador se mostrou muito inseguro, não estava pronto para tanta responsabilidade. A direção demorou até para reagir. Precisou desperdiçar o fácil Paulista. Só quando percebeu que a Libertadores também iria para o ralo, acordou. E fez a troca dura, mas necessária.

"Cada um tem uma maneira. O trabalho do Eduardo era muito bom e já foi visto no Sport, Ponte Preta, Fluminense... E aqui estava indo bem, com aproveitamento altíssimo, mas por uma questão ou outra acabou saindo. Entrar outro treinador motiva o jogador a aparecer, fazer outras coisas, e é preciso aproveitar esse momento. Muita coisa feita hoje foi em cima do trabalho do Eduardo. Conhecendo mais da equipe agora, que tem Melo, Borja e Guerra com estilos diferentes e precisam se adaptar. Eles não estão acostumados a domingo e quarta sempre. Com o elenco reforçado, vamos rodar bastante", avisava Cuca, tentando ser simpático com Eduardo Baptista.

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Ele estava especialmente satisfeito com Borja.

E revelou o quanto estava disposto a apostar no colombiano.

Nada de agir como o ex-treinador e ameaçá-lo com o banco.

"Eu ia deixá-lo o jogo inteiro. Independentemente do que fosse, para ele não se preocupar em sair. É um jogador que requer ensinamentos de posicionamento sobre o futebol brasileiro, diferente do colombiano. Os jogadores chamarem ele para repor, deixando o time menos espaçado. Vai muito dos três atacantes fazerem um vaivém, senão a defesa não pode sair. Temos que trabalhar bastante para ele ir evoluindo. Com uma vitória e um par de gols dele, fica mais fácil. Está de parabéns e tem potencial."

Sobre sua evidente participação na partida, ele foi irônico. "Fiquei ansioso com a minha volta, é claro. Mas acho que consegui dar uma ajudinha hoje em um momento em que o jogo ficou complicado."

Cuca conhecia 80% do elenco. E indicou mais 15% do time que Eduardo Baptista tinha nas mãos. Ou seja, sabia muito bem o que desejava fazer com os atletas que estavam no Palestra Itália. Livre do seu desafeto Paulo Nobre, o treinador pôde chegar e colocar em prática o que imaginava.

Nada de revolucionário, até porque Cuca não é revolucionário.

Ele aposta em um futebol consistente, vibrante, veloz.

De pouco toque de bola, mas principalmente em casa, com seu time se impondo. Mostrando que é dono da arena. E que os três pontos da vitória precisam e vão ficar no Palestra Itália.

É preciso ser detalhista. Quatro minutos de partida. Pênalti de Jomar em Dudu. Jean bateu com convicção. 1 a 0. 42 segundos do segundo tempo, Mina descobre Tchê Tchê livre na direita. Ele avança em velocidade e cruza na cabeça de Borja, 3 a 0. O Palmeiras marcou esses gols importantes enquanto o time massacrava, imprensava o fraco Vasco na defesa. A pressão era absoluta. E treinada à exaustão por Cuca. Os jogadores do time carioca não sabiam como tirar a bola da proximidade de sua área.

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Mas o Palmeiras marcou outros dois gols. E não foi só pressão. O time estava distribuído de maneira mais correta, que aproveitava o potencial de seus jogadores. 4-2-3-1. Quatro zagueiros, dois volantes hábeis, um deles que se alternava como lateral direito. Willian, Guerra e Dudu se alternando pela intermediária ofensiva vascaína. E Borja jogando como sabe, apenas em 30 metros. Grudado nas traves adversárias.

Não foi tudo às mil maravilhas. Zé Roberto segue inseguro, lento na marcação. E sem a sua vibração para conseguir acompanhar Dudu na esquerda. Aliás, Dudu melhorou, mas segue irritantemente egoísta. Desperdiçou pelo menos a chance de dar três passes para jogadores empurrarem a bola para a rede. Quis chutar e Martín Silva mostrou o ótimo goleiro que é.

O Vasco, com jogadores fracos ou em final de carreira, tentou dificultar as coisas para o Palmeiras. Milton Mendes montou seu time no 4-5-1. Quando marcado, tentava controlar o forte adversário com duas linhas de quatro jogadores. Treinou por duas semanas para esta partida. Mas a diferença técnica entre os times era uma diferença vital. Com o Palmeiras bem postado, seu time nada pôde fazer. As chances que teve nasceram em falhas, desatenções da defesa palmeirense. A equipe precisa de reforços de verdade, de forma urgente. Alguém precisa acordar Eurico Miranda ou novo rebaixamento será mais do que uma possibilidade.

Os outros gols do Palmeiras deixaram claro que foram jogadas ensaiadas nos treinamentos. Tchê Tchê descobriu Jean fazendo a diagonal atrás da lenta e mal colocada zaga vascaína. Livre, o lateral/volante chutou forte. Martín Silva fez mais um milagre e defendeu. Mas a bola sobrou para Guerra empurrar para as redes 2 a 0, aos 40 minutos do primeiro tempo. O último gol nasceu em lance individual de Dudu. Ele driblou como quis Jomar. E tomou o pontapé. Pênalti que Borja cobrou com convicção. 4 a 0, aos 34 minutos do segundo tempo.

Diretoria, torcida, jogadores e imprensa sentiram.

O clube entrou em uma nova fase.

Com Cuca, e sua calça vinho, os sonhos voltaram a ser permitidos.

O Palmeiras renasceu...

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