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A decadência de Adriano. Depressivo, perdido, preso às suas cervejas, não sabe que rumo dar à vida. Se tornou o jogador mais desacreditado do País. Há oito anos, desde a morte do pai, ele pede socorro. E todos fazem de conta que não escutam…

Postado por Cosme Rímoli em 23 de dezembro de 2012 às 16:38 em Sem categoria | 42 Comments

 A decadência de Adriano. Depressivo, perdido, preso às suas cervejas, não sabe que rumo dar à vida. Se tornou o jogador mais desacreditado do País. Há oito anos, desde a morte do pai, ele pede socorro. E todos fazem de conta que não escutam... [1]
De calça jeans e oito crianças.

Mergulhado em uma banheira de plástico.

Grudada ao seu pé esquerdo, uma bola de brinquedo.

Suprema ironia.

A cena é muito significativa.

Representa um homem perdido.

Com enorme talento para jogar futebol [2].

Mas sem estrutura psicológica.

Não suporta os compromissos de uma carreira.

Só que também não se assume como ex-jogador.

Falta coragem para mergulhar de vez, sem dor na consciência no anonimato.

Para poder fazer o que quiser da sua vida.

Passar noites na farra, bebendo.

Não fazer mal a ninguém, a não ser a ele mesmo.

Sem clube, técnico, time, torcida, imprensa o cobrando.

Adriano não sabe que caminho seguir.

Suas entrevistas, declarações são bipolares.

Um dia promete dedicação ao time que decidir jogar em 2013.

No outro, fala para Edmundo que já se cansou do futebol, parou.

Estava no Flamengo tentando apenas ajudar Patricia Amorim a se eleger vereadora.

Nem isso conseguiu.

Seguisse o curso natural de um jogador, Adriano estaria garantido na Copa de 2014.

Potencial tinha de sobra.

Várias pessoas fizeram essa análise.

Dunga, Ronaldo, Tite, Luxemburgo, Parreira, Felipão.

O motivo para sua decadência já é mais do que conhecido.

A morte repentina do pai em 2004 lhe tirou o chão.

Almir tinha 45 anos.

Morreu graças a um bala que carregava enfiada na cabeça.

Foi atingido acidentalmente em um tiroteio entre a polícia e traficantes.

O tiro o acertou em 1992, quando morava na favela de Vila Cruzeiro.

A bala não pôde ser retirada porque a operação seria de altíssimo risco.

Adriano e a família até esqueceram dos avisos dos médicos.

Almir poderia morrer a qualquer momento e foi o que aconteceu.

Exatamente nove dias depois de Adriano se consagrar na Copa América da Bolívia.

Estava na Seleção que, com reservas, enfrentava os titulares argentinos.

Na decisão, marcou um gol nos últimos minutos do jogo.

Garantiu a disputa de pênaltis.

E a inesperada vitória brasileira.

Eu estava no Peru, cobrindo a Copa América pelo JT e pelo Estadão.

Adriano estava no céu.

Tinha certeza que sua vida iria mudar para sempre.

O caminho estava aberto.

Mais novo e com excelente relacionamento com Ronaldo...

O Fenômeno o queria como sucessor.

Mas a morte de Almir o arrasou.

"Sem pai, Adriano passou a ser o único homem da família.

O restante era uma comunidade de mulheres, a mãe, a avó.

E os filhos.

Acabou, não tinha mais ninguém que o orientasse.

Alguém que ele escutasse ou respeitasse.

Eu fiz o que pude.

Mas ele estava triste, revoltado com a morte do pai."

Quem me revelou isso foi Gilmar Rinaldi, então empresário de Adriano.

Gilmar lutou para tentar salvar a carreira de Adriano.

Depressivo, procurava a bebida para esquecer a dor que o atormentava.

Em entrevista exclusiva, o próprio jogador me revelou que chegava bêbado aos treinos da Inter.

E o clube tentou preservá-lo.

Divulgava que estava com dores musculares.

"Mas na verdade ficava dormindo na vestiário.

Me recuperando de noites em claro", admitiu Adriano.

Gilmar não conseguiu interná-lo.

E a carreira de Adriano implodiu.

Com passagens cada vez mais deprimentes.

Como a pelo Corinthians e a tentativa do seu retorno ao Flamengo.

Em fevereiro, Adriano completará 31 anos.

Não joga de maneira séria, competitiva há três anos.

Quando foi o principal personagem da vitória rubro negra no Brasileiro de 2009.

Desde então sua decadência foi vertiginosa.

Continua prisioneiro do alcoolismo.

Muitos quilos acima do peso.

Em Roma chegou a ficar 15 acima.

No Corinthians, 12 quilos.

Na tentativa de retorno ao Flamengo, 11 quilos.

Perdeu o que tinha de melhor como jogador.

O vigor físico, a força para se livrar dos zagueiros no peito.

E a potência na perna esquerda.

No Corinthians e na Gávea se mostrava presa fácil dos garotos dos juniores.

Se irritava, mas era anulado para constrangimento geral.

O novo homem forte do futebol do Flamengo já avisou.

As portas da Gávea estão lacradas para Adriano.

"Ele precisa se tratar, se recuperar antes de voltar a jogar.

Não faz parte dos planos", disse Paulo Pelaipe.

No futebol tudo é dito pela metade.

Se tratar do alcoolismo deixou implícito Pelaipe.

O novo empresário de Adriano, Luís Cláudio de Menezes não quer a aposentadoria.

Insiste que o amigo está pronto para voltar.

Quer vê-lo jogar no ano que vem.

Seja em que clube for.

O momento é delicadíssimo porque Adriano não sabe o que fazer.

Dependo o momento.

Chegou a dar entrevista garantindo ter saudade da Itália.

E do futebol italiano.

Mas no seu retorno da Roma, onde foi e não marcou um gol sequer, disse que voltou feliz.

E seu lugar era o futebol brasileiro.

Depois de várias faltas, no começo de novembro, decidiu não treinar mais no Flamengo.

Queria se preparar para 2013, avisou.

Mas desde então está parado.

Está passando seu tempo com os amigos na Vila Cruzeiro.

Voltou a ganhar peso.

E se mostra incoerente, confuso.

A jornalistas fala que vai voltar a jogar.

A amigos, garante que se cansou do futebol.

E quer encerrar a carreira.

Seu empresário não concorda e busca um clube que aposte nele.

Acontece que Adriano consegue ser o jogador mais desacreditado do País.

Seu vício, o álcool, não é doping.

Pode beber e jogar.

Esse é o grande problema.

Fez isso enquanto era jovem, tinha energia.

Agora, a força foi embora.

"No Corinthians, a gente o controlava.

O problema era quando deixava o clube", admitiu o preparador Fábio Mahseredjian.

Fábio sabia que Adriano sabotava o seu trabalho.

Bebendo cerveja e comendo de maneira desmedida.

Tite o mandou embora do Corinthians com medo que influenciasse o time.

Se tivesse seguido à risca o que lhe foi passado, poderia ter sido campeão mundial no Japão.

Foi dispensado do Parque São Jorge há só nove meses.

São tantos fracassos seguidos que não sabe o que fazer.

Se vale a pena tentar volta a jogar ou encerra de vez a carreira.

Não há uma pessoa que Adriano respeite.

Várias tentaram orientá-lo, mas nada conseguiram.

"O Adriano só voltará a ser o Adriano caso resolva se tratar.

Assumir para ele mesmo que tem um grave problema.

Se não fizer isso, sua carreira acabou."

Gilmar Rinaldi me disse isso quando o atacante acertou com o Corinthians.

Palavras proféticas.

Desde março de 2011 só desilusões.

Um enorme talento foi desperdiçado.

Se deteriorou em praça pública.

E ninguém pôde fazer nada.

Infelizmente, a voz que poderia colocá-lo de volta nos trilhos se calou.

Seu pai Almir morreu em 2004.

São oito anos de agonia para Adriano.

Poucas pessoas conseguem avaliar o que é isso.

Ganhou muito dinheiro, mas parte significativa se esvaiu.

Ninguém sabe o que será de seu futuro.

Muito menos ele.

"Tomo mesmo as minhas cervejas.

Não tem nada demais, todo mundo toma", se ilude.

Nega qualquer tratamento para a depressão.

Enquanto delira com a Itália, com a volta do sucesso.

Com a Seleção Brasileiro, com a Copa de 2014...

Adriano, perdido, descansa.

O Imperador vai para uma simples banheira de plástico.

Com calça jeans e amada bola grudada no seu pé esquerdo.

Ainda faz questão de divulgar a foto para o mundo.

Não chega a ser demonstração falta de lucidez.

É um pedido de socorro, que ninguém quer ouvir...

ae10 A decadência de Adriano. Depressivo, perdido, preso às suas cervejas, não sabe que rumo dar à vida. Se tornou o jogador mais desacreditado do País. Há oito anos, desde a morte do pai, ele pede socorro. E todos fazem de conta que não escutam... [3]


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