146 A constrangedora e cruel demissão de Milton Cruz. Leco não teve a menor consideração pelos 22 anos de ótimo trabalho do auxiliar. Milton foi dispensado por sua amizade com Abílio Diniz e Muricy Ramalho. Pior para o São Paulo...
José Eduardo Mesquita Pimenta, Fernando Casal del Rey, José Augusto Bastos Neto, Paulo Amaral, Marcelo Portugal Gouvea, Juvenal Juvêncio, Carlos Miguel Aidar. Homem de confiança de sete presidentes.

Telê Santana, Muricy Ramalho, Carlos Alberto Parreira, Dario Pereyra, Nelsinho Baptista, Pita, Mario Sérgio, Paulo César Carpegiani, Levir Culpi, Vadão, Oswaldo de Oliveira, Roberto Rojas, Cuca, Emerson Leão, Paulo Autuori, Ricardo Gomes, Sérgio Baresi, Adilson Baptista, Ney Franco, Juan Carlos Osório, Doriva, Edgardo Bauza.

Auxiliar de 22 treinadores.

Técnico interino 43 vezes. 23 vitórias, sete empates e 13 derrotas.

Homem que conseguiu reverter a lógica e classificar o São Paulo para a Libertadores de 2016, depois que Juan Carlos Osório virou as costas para o clube e assumiu o México.

Kaká, Oscar, Lucas, Casemiro, Hernanes, Diego Tardelli, Júlio Baptista, Breno. Só a aposta nesses jogadores já justificaria a falha de olheiro, observador de atletas da base.

Vinte e dois anos de trabalho.

Em 30 segundos foi dispensado do São Paulo Futebol Clube. Sem a menor consideração.

Sem ter como alegar incompetência, a desculpa foi reformulação.

Mas na verdade, a demissão de Milton Cruz tem outras explicações.

Que jamais serão confirmadas em voz alta.

Só que a ala das baianas da escola de samba Dragões da Real sabe.

Milton Cruz foi mandado embora por ser considerado espião de Abílio Diniz.

E amigo íntimo, parceiro de Muricy Ramalho.

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O empresário, ex-dono do Grupo Pão de Açúcar, era visto como uma especie de Michel Temer de Leco. O presidente nunca acreditou no seu apoio verdadeiro. Mas mantinha a política de boa convivência mantendo Milton Cruz empregado. O havia deslocado. Deixou de ser auxiliar técnico e olheiro. Passou a coordenar o departamento de análise e desempenho.

Milton Cruz tem potencial para ser um ótimo treinador. Tem visão tática, sabe como usar a preparação física para exigir intensidade. Consegue motivar o elenco.

Mas falta alma de comandante.

Só por isso não assumiu o emprego com que muitos sonham e jamais chegarão perto. O de treinador do São Paulo Futebol Clube. Juvenal Juvêncio foi o presidente que mais persistiu com a proposta. Foram três vezes. Depois da última negativa, o falecido dirigente percebeu. Poderia perder um homem de extrema confiança, competente como auxiliar e olheiro. E ter por pouco tempo, um treinador inseguro.

E como homem de confiança, Milton Cruz agiu nestes 22 anos. Foi o elo perfeito entre a diretoria e atletas. Cansou de chamar jogadores para conversas particulares que salvaram carreiras. Como fez com Luís Fabiano. Foi com quem Lugano desabafou ao sentir toda a cobrança e pressão por ser o 'jogador do presidente', ao chegar no Morumbi, em 2003. Enxugou lágrimas de atletas com problemas graves.

Famílias desestruturadas. Parentes viciados em drogas, com problemas com polícia, violência. Milton sempre foi de uma lealdade absurda. Agindo nos bastidores, sem aplausos ou recompensas maiores.

Cansou de orientar treinadores. Mostrar taticamente como uma equipe ou jogador poderiam render mais. Jogadores sabem que ele foi muito mais técnico do que auxiliar de gente importante no clube.

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Mas o jeito bonachão, boleiro, contador de histórias era o que sobressaía para a imprensa. Foi o personagem que criou para sobreviver.

Milton Cruz é subestimado.

Ele tem a perfeita noção do que acontece nos selvagens bastidores do São Paulo. Onde a inveja impera. Sabe que grupo trabalha contra que grupo. Também, para desespero de dirigentes que saíram recentemente, Milton tem consciência como acontecem as transações de atletas. Quem veio, quanto custou, quem foi o empresário, quanto foi a comissão. Isso se tornou um grande problema. Mesmo sem as provas documentais, ele sabia demais.

Juvenal Juvêncio o amava. E o nomeou seus olhos e ouvidos no departamento de futebol. O presidente fazia questão de saber cada detalhe do time. Só que não escondia essa postura da imprensa. Os outros seis dirigentes que trabalharam com Milton também cobravam as entranhas da equipe. Inclusive do trabalho dos treinadores.

Milton nunca escondeu dos técnicos que precisava passar relatórios de tudo o que acontecia. Nada era pelas costas. Quem aceitava trabalhar no São Paulo se submetia.

Milton foi responsável por administrar e abafar várias crises nestes 22 anos.

Inclusiva a que involuntariamente participou.

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Quando Muricy era treinador e Leco era vice de futebol. Sabia que o relacionamento entre os dois nunca foi bom. Até que surgiu uma constrangedora situação. Leco quis levar amigos para conhecer os jogadores, no vestiário. O treinador impediu, alegando que o ambiente era dos atletas. Envergonhado, o dirigente nunca o perdoou. E trabalhou como pôde para a sua demissão. Apresentou com satisfação Ricardo Gomes no seu lugar, em 2009. Se dependesse de Leco, a troca seria feita ao mesmo tempo, diante da imprensa. Para envergonhar o demitido Muricy. Juvenal impediu.

"O mundo dá muitas voltas", disse Leco ao assumir a presidência do São Paulo. E estava claro que ele trabalharia com quem considerasse parceiro, engajado na sua filosofia, confiável. E Milton Cruz, amigo de Muricy, não era. Assim também com a proximidade de Abílio Diniz trouxe a desconfiança que poderia ser um 'espião' do bilionário empresário.

Leco foi cruel. Primeiro afastou Milton Cruz do time. Das viagens, das decisões com Edgardo Bauza. O transformou em homem de gabinete. Uma pessoa que analisaria desempenho do time, dos jogadores. Por escrito. Um mero burocrata.

Se esperava que Milton pedisse demissão.

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Ele suportou.

Mas Leco aproveitou a saída de Ataíde Gil Guerreiro do comando do futebol.

Trouxe Luiz Cunha da base.

E o incumbiu de sua primeira missão.

Assumir a demissão de Milton Cruz.

Só que a situação não estava bem ensaiada.

A desculpa da dispensa era alegar economia.

Mas Cunha deixou escapar que pretende contratar uma nova pessoa.

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Poderá ser um jogador.

Conselheiros defendem o nome de Cafu para o cargo de auxiliar fixo.

Assim como Pintado.

Muito mais barato.

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Não há nada certo.

A não ser a ingratidão e falta de consideração por Milton Cruz.

Seria muito mais decente ter feito a demissão logo na posse de Leco.

Em vez do que aconteceu ontem.

Quanto Milton tinha acabado de conversar com Bauza, com os atletas.

Vieram os 30 segundos e a demissão sumária.

A exposição desnecessária de um funcionário fiel por 22 anos.

E o azedo cheiro de vingança pessoal.

O São Paulo Futebol Clube mudou muito.

Os fracassos recentes são cada vez mais explicáveis.

Eles começam na sala da presidência...
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