Foi a cena mais pavorosa ligada ao futebol em 2010.

Sábado à noite, 27 de novembro.

Torcedores do Atlético Mineiro faziam fila para bater com barras de ferro...

Paus...

O alvo: a cabeça de Otávio Fernandes, que já estava inerte no chão.

Eram cerca de vinte deles se revezando no festim diabólico, covarde.

Se não fossem as câmeras dos prédios, Otávio ficaria estendido morto.

Seria mais uma vítima nas estatísticas.

Ninguém saberia quem cometeu tamanha barbaridade.

Pelo crânio massacrado, se poderia supor o que teria acontecido com ele.

Mas as câmeras serviram como testemunhas.

Mostraram o cruel revezamento.

Havia uma comemoração de quem conseguia a pancada mais efetiva.

E surgiu até uma placa de sinalização que servia como martelo na cabeça de Otávio.

Impressionante o prazer, o sadismo com que essas pessoas o pisoteavam.

O linchamento aconteceu no sofisticado bairro da Savassi, em Belo Horizonte.

No sábado à noite, quando todos saiam de uma exibição de Vale Tudo.

Cerca de 40 torcedores do Atlético Mineiro brigaram com dez do Cruzeiro.

Nessas brigas, quem cai, morre.

Foi o que aconteceu com Otávio.

A Polícia Militar mineira começa a prender os suspeitos dos assassinatos.

Eles pertencem à torcida organizada do Atlético Mineiro, Galoucura.

Inclusive o presidente da torcida, Roberto Augusto Pereira, o Bocão.

E o vice, William Palumbo, o Ferrugem.

Há cinco presos.

A polícia busca os outros suspeitos do covarde assassinato.

A Galoucura possui advogados que estão fazendo de tudo para livrar os suspeitos da cadeia.

A mãe de Otávio, Monica de Castro Fernandes, não quis ver as imagens da morte do filho.

Depois de enterrar Otávio, ela decidiu voltar para o interior de Minas Gerais.

A família havia saído de lá para oferecer melhores escolas para os filhos.

Otávio pertencia à torcida organizada Máfia Azul.

Foi a sua sentença de morte.

Vários policias de Belo Horizonte garantem que não há como controlar as torcidas rivais.

E que novas mortes acontecerão.

A torcida cruzeirense estaria preparando uma vingança pela morte de Otávio.

A do Atlético dever retrucar e o festim diabólico não termina.

As autoridades brasileiras precisam acordar que há anos já deixou de ser o estádio o palco da selvageria.

Confrontos, assassinatos acontecem todos os dias longe do campo do futebol.

Enquanto não houver vontade política de investigar todos as torcidas organizadas do País, novos Otávios irão aparecer mortos.

A indignação dura os breves momentos que as câmeras mostram a morte.

Depois, todos se esquecem.

E neste terrível rodízio, fica a pergunta: quem será o próximo?

( O Ministério Público suspendeu as duas torcidas por quatro meses.

Entenda a suspensão.

Elas não poderão levar instrumentos musicais, faixas ou bandeiras.

Mas os membros das torcidas poderão vestir as camisetas da Galoucura e da Máfia Azul.

E poderão sentar juntos, como sempre fizeram.

Essa foi a duríssima pena imposta pelo Ministério Público às torcidas mineiras.

Triste Brasil...)

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