715 A Caixa virou as costas para o Corinthians campeão. O sonho é que Lula a traga de volta
"A Caixa Econômica Federal é uma empresa pública, ainda que muita gente pense nela como sendo uma empresa privada comum, como qualquer outro banco. Não é. Do ponto de vista jurídico, ela é a mesma coisa que a Casa da Moeda, o Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) e a Emgea (Empresa Gestora de Ativos): todos eles são empresas públicas ligadas ao Ministério da Fazenda.

"As empresas públicas são ligadas, e não subordinadas diretamente ao governo. Isso porque elas fazem parte da administração pública indireta, ou seja, possuem um maior grau de autonomia funcional do que os órgãos subordinados diretamente ao governo (como a Receita Federal, por exemplo). Mas o fato de fazer parte da administração pública indireta não quer dizer que não haja recursos públicos envolvidos. Pelo contrário: uma das principais características das empresas públicas é que a totalidade de seu capital social pertence ao governo."

A escolha do presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, passou pelo crivo direto do presidente Michel Temer. O banco teve lucro líquido de R$ 4 bilhões, no primeiro semestre deste ano. Além dos serviços bancários 'comuns', controla FGTS, PIS, seguro-desemprego, loterias, crédito habitacional, poupança, penhor, Bolsa Família, empréstimo consignado, FIES. Tem um patrimônio líquido atual de R$ 28.901.138.000,00. Sim, R$ 28 bilhões.

É o maior banco público da América Latina.

Desde 2012, as direções da Caixa resolveram patrocinar clubes de futebol. Uma maneira explícita de fazer política de boa vizinhança. E nada democrático. Os clubes com fortes padrinhos políticos conseguiram esse dinheiro.

Em tempos de crise, recessão, se tornou a maior patrocinadora deste país. Na Séria A, banca 14 clubes dos 20 que disputam o Brasileiro.

Flamengo, Santos, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Atlético Paranaense, Avaí, Bahia, Botafogo, Coritiba, Vasco, Ponte Preta, Sport, Vitória e Atlético Goianiense.

Neste ano foram gastos R$ 153,3 milhões no patrocínio de 23 clubes de futebol, me alerta o meu amigo e competente jornalista do Correio Brazilense, Marcos Paulo Lima, no seu blog Drible de Corpo.

E pelo segundo ano seguido, a Caixa fracassa no Campeonato Brasileiro. No de 2016, há a desculpa que o campeão foi o Palmeiras, com o imbatível patrocínio da Crefisa e da Faculdade das Américas.

Mas neste ano, não.

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A direção da Caixa Econômica Federal quis economizar com o Corinthians. O elenco era fraco. De maneira unânime todos os jornalistas esportivos do país, principalmente de São Paulo, garantiam que o clube iria disputar o Brasileiro para não cair, no início do ano.

Foi a oportunidade para a direção do banco público oferecer menos R$ 5 milhões. Em vez dos R$ 30 milhões pelo uniforme do time corintiano, R$ 25 milhões. O mesmo que pagaria para o badalado Flamengo, que não parava de contratar jogadores importantes. E se mostrava pronto para uma temporada inesquecível.

Sem inocência, com a fragilidade do Partido dos Trabalhadores no poder, sem Lula ou Dilma, tudo ficou difícil para o Corinthians. Sua diretoria não arredou pé dos R$ 30 milhões. Não aceitava ganhar menos. O argumento era que continuava o time mais popular do estado mais rico da união. O Flamengo não chegava nem perto em São Paulo.

Não adiantou.

O contrato não foi renovado.

E o Corinthians subestimado seguiu sem patrocínio master fixo. Improvisando. A Companhia do Terno fez um acordo para os últimos meses do ano, pagando R$ 4 milhões, a cada 30 dias. E saiu no lucro, com o título brasileiro. O acordo termina em dezembro.

Mas o romance com a Caixa pode ser reatado.

O favorito à eleição para a presidência, o deputado federal do PT, Andrés Sanchez, está animado. Tem a certeza que ele retorna para o Corinthians e seu padrinho e amigo pessoal, Lula, retornará à presidência do país. E aí, a Caixa voltará para o peito da camisa corintiana. Pagando o maior patrocínio entre todos os clubes patrocinados pelo banco público.

O hepta brasileiro se tornou o grande orgulho de Roberto Andrade e sua diretoria. Na festa da comemoração do título, a desistência da Caixa Econômica Federal foi lembrada. Justo no ano que o clube foi campeão paulista, com o logotipo da Universidade Brasil no peito, e nacional, com a Companhia do Terno.

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A palavra 'incompetência' foi muito repetida pelos dirigentes corintianos.

Não custa repetir a lista dos clubes e seus patrocinadores, nos anos que foram campeões brasileiros, nos pontos corridos. Como bem destacou Marcos Paulo Lima.

2017: Corinthians (Cia. do Terno)
2016: Palmeiras (Crefisa)
2015: Corinthians (Caixa)
2014: Cruzeiro (Banco BMG)
2013: Cruzeiro (Banco BMG)
2012: Fluminense (Unimed)
2011: Corinthians (Neo Química)
2010: Fluminense (Unimed)
2009: Flamengo (Ale)
2008: São Paulo (LG)
2007: São Paulo (LG)
2006: São Paulo (LG)
2005: Corinthians (Samsung)
2004: Santos (Bom Bril)
2003: Cruzeiro (Fiat)

A Caixa Econômica Federal só tem o título de 2015.

Com o próprio Corinthians.

Clube que virou as costas este ano.

Preferindo apostar no badalado Flamengo.

Mas que Lula pode trazer de volta...
 A Caixa virou as costas para o Corinthians campeão. O sonho é que Lula a traga de volta

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